Se você me acompanha aqui, provavelmente sabe um pouco da minha jornada: de onde eu vim e como cheguei até aqui. Não foi de uma hora pra outra. São 17 anos de blog. Acho engraçado pensar que foi a minha professora de história do colégio, a Margareth, que falou da minha escrita pra uma amiga que por acaso era dona de uma editora e assumiu meses depois o risco de me publicar pela primeira vez.

Minha professora de história mudou a minha vida. Não só porque ela me enxergou como autora, mas também porque ela me ensinou a enxergar a realidade além da que eu vivo hoje.

Sou neta de um ferreiro e filha de um serralheiro. Ambos artistas. Nasci lá no interior de Minas Gerais em uma cidade chamada Leopoldina. Estudei em uma escola federal no ensino médio e foi com o que aprendi no CEFET que criei meu blog e construí o meu negócio. Eu era tímida, mas muito curiosa.

Essa curiosidade me fez enxergar o outro.

Diariamente, converso com muitas pessoas através das minhas redes sociais. Quando faço eventos literários, o mesmo acontece. É justamente por esse motivo que decidi me posicionar neste segundo turno. Entenda que seria muito mais ‘fácil’ me manter neutra. Eu não perderia seguidores nem gastaria horas conversando e argumentando. Mas estou aqui fazendo isso porque realmente ACREDITO que vale a pena dialogar, lembrar da importância de cada voto. Não se trata simplesmente de achar que você tem que pensar como eu, mas de mostrar como cheguei a essa conclusão.

Se os algoritmos nos conectaram e você permaneceu, é porque compartilhamos alguns valores e interesses. Esses costumam ser o suficiente pra gente poder aprender um com o outro.

O que eu mais tenho escutado é: ‘Eu não gosto do Flávio, mas vou votar nele porque preciso de alguma mudança’. E isso me assusta muito. Porque, pra mim, é um voto de desespero. Uma tentativa de melhorar as coisas que pode colocar muita coisa em risco. Primeiro porque, depois do resultado do 1º turno, o PL terá as maiores bancadas da Câmara e do Senado na próxima legislatura. Entregar também a Presidência ao partido ampliaria seu poder político. Tenho receio das consequências disso para a responsabilização de Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro e para a continuidade das investigações.  O que eu quero agora é equilíbrio entre os poderes, para que o sistema de freios e contrapesos da democracia funcione e a Constituição continue nos protegendo.

Esse discurso moralista e conservador me assusta, principalmente quando vejo contradições entre a imagem de ‘homem de família’ e as atitudes de quem a defende.  As notícias mostram portes de arma, orgias, mulheres sendo objetificavas e uma grande troca de favores entre homens que se dizem de Deus, mas que usam da fé pra fazer a manutenção do controle.

Eu sou uma mulher que gosta de se sentir livre. Eu tenho a minha fé e ela me guia, mas o Deus que eu acredito jamais apoiaria essas pessoas. 

Eu vivi a agonia dos anos de pandemia isolada em casa usando do privilégio de poder proteger os que eu amo, mas desesperada pelo que estava acontecendo lá fora. Lembro do desespero dos que estavam na linha de frente e da risada do então presidente do nosso país.  Eu acordava no meio da madrugada diariamente torcendo pra ser só um pesadelo. Não era.

Meu voto é também por todos os que não estão mais aqui e não podem ser oposição à família que não os protegeu como deveria.

‘Ah, mas a economia…’

Segundo uma projeção do FMI, o Brasil pode voltar a ser a oitava maior economia do mundo em 2027. Em 2025, o desmatamento na Amazônia Legal atingiu o menor nível em onze anos. E, naquele ano, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU. 8,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2023 e 2024. 

Tem muito a melhorar? TEM!!!!!!!

Mas acredito que estamos num caminho. E esse movimento todo da galera se unindo pra cobrar um político TEM que continuar, não pode ser algo apenas da eleição. Temos que cobrar transparência de todos os políticos, inclusive de Flávio Bolsonaro e de sua família. Acredito que todos nós temos a ganhar com isso. É uma oportunidade única na história das nossas vidas e eu não quero pensar que jogamos tudo fora com o discurso de “qualquer mudança” é boa. Dá pra piorar e muito. A história me ensinou isso.

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