Já faz quase uma década que o futebol não me deixa animada de verdade. Nasci em 94, e talvez algumas das minhas primeiras lembranças da infância sejam dos churrascos no interior, com a família toda reunida na frente de uma televisão, ou do silêncio da rua principal da pequena cidade em que nasci enquanto um jogo do Brasil acontecia. A euforia de torcer sem saber direito o motivo de aquilo ter tanta importância. Uma vitória não mudava nada na minha vida, mas mudava a vida de todo mundo à minha volta. Os adultos pareciam felizes, a festa durava mais tempo, e a brincadeira com meus primos e amigos do bairro também. Dei sorte. O time brasileiro daquela geração era realmente muito talentoso. Até o tempo passar e o cenário ser outro. Dizem que o futebol mudou, mas eu não sou a pessoa certa para dissertar sobre isso.

O meu ponto aqui é um estalo que tive depois que o Brasil foi eliminado da última Copa do Mundo, há algumas semanas. Naturalmente, eu pararia de assistir aos jogos e esse assunto sumiria do meu algoritmo gradualmente. Mas, como meu parceiro tem se mostrado um cara interessado por futebol nessas épocas do ano, continuei participando das transmissões como espectadora (muitas vezes, da euforia dele). Escolhemos torcer pelos times do continente africano.

Infelizmente, eu não dei muita sorte para eles. Mas tive a sorte de perceber algo nesse intervalo que foi bastante valioso para mim: a maravilha que é permitir-se torcer por algo que não é sobre você nem para você. Sem todo o nervosisimo de ver o Brasil em campo, pude olhar para cada passe, cada lance improvável, e sentir a emoção que o futebol proporciona por mais tempo.

Se a gente esticar a lógica um pouquinho, dá para entender que isso não vale apenas para o futebol. Torcer genuinamente pelo sucesso do outro é criar pra si mesmo novas fontes de alegria. Uma das formas mais bonitas e generosas de existir. De ver graça outra vez na vida. Torcer não apenas por quem você conhece e convive, mas por um outro qualquer que acabou de passar. O desconhecido.

Nem tudo dá certo o tempo todo pra gente. Faz parte da vida real, da realidade da vida adulta, aceitar isso. Se der ruim, o problema é sim todinho nosso. E, muitas vezes, a maré de azar é longa. A ponto de você se fechar, se amargurar, sentir raiva ou incômodo porque a grama do vizinho é de um tom de verde que a sua ainda não alcançou.

Sinto que estamos, silenciosamente, nos tornando cada vez mais individualistas, e isso deve ter a ver com o fato de termos acesso demais à vida das pessoas. Irônico, né? Lidar com esse tanto de informação 24 horas por dia, sem estrutura emocional ou maturidade, nos coloca numa posição difícil. A sensação é de que funciona mais torcer contra ou até mesmo escolher não se importar.

Ser indiferente parece um atalho para viver uma vida mais anestesiada, estável e sem grandes frustrações. Esse é um pensamento que pode parecer convidativo a princípio, mas a verdade é que isso só te afasta do mundo real, das outras pessoas e das versões de si mesma que só vão existir se você estiver emocionalmente envolvida com o mundo.

Eu gosto de não dar bola para sentimentos que até são compreensíveis, mas que fortalecem uma versão de mim mesma que eu não gosto de ser. Quando, como agora, eu os entendo e elaboro melhor, fica um pouco mais fácil parar de achar que eles podem me controlar. Como nos primeiros minutos de um jogo de futebol, nada está definido.

Assistir aos jogos sem toda a ansiedade do Brasil em campo me lembrou o quão prazeroso é estar na torcida por outras pessoas.  Eu nem gosto de futebol, mas eu adoro as emoções. Por isso, mesmo sem o Hexa, sinto que saí dessa Copa um pouco vitoriosa. A melhor parte é que nesse caso o prêmio aumenta quando eu o compartilho, então decidi voltar a escrever e te fazer um convite: da próxima vez que seu time perder e ou o grande lance não for mais sobre você, escolha vibrar e se alegrar pela vitória de outra pessoa. Talvez assim a vida fique um pouco mais extraordinária. Torcer muito pelo outro até chegar a nossa vez de novo.

posts favoritos

novidades

Look: todas as cores que eu quiser

Vocês me conhecem, né? Não consigo ficar tanto tempo assim sem usar vestidinhos estampados com cintura marcada. Dessa vez coloquei um modelo de manga que achei na Forever 21 + uma sapatilha branquinha da Zaxy. Pra deixar mais feminino um cinto branco, bolsa••• Continue Lendo

Viagem: Mercado de Artesanias de la Ciudadela

Antes de embarcar de volta pro Brasil fizemos questão de visitar o Mercado de Artesanias de la Ciudadela. Um lugarzinho bem simples, mas cheio de cores, formas e surpresas. Parada obrigatória pra quem tá afim de comprar lembrancinhas do México para os amigos e familiares••• Continue Lendo

Receita: como fazer milkshake de Oreo

Milkshake é uma das minhas grandes paixões. Na verdade, não conheço uma pessoa que não ame milkshake. Ainda lembro quando eu era pequena e tomava mais de três em uma única tarde quente de verão. Quer coisa mais gostosa do que um sorvete••• Continue Lendo

A maturidade não cai do céu

Na minha adolescência, esperei ansiosamente pelos 18 anos. Não iria fazer festa, uma viagem, ou algo do tipo. Apenas queria chegar logo na fase da vida em que viramos independentes. Sempre fui uma menina pra frente, de me virar em certos momentos sem••• Continue Lendo

Vlog: zoo, red carpet e a comida mexicana

A Cidade Do México é encantadora. Principalmente quando você a conhece em boa companhia. Há exatamente uma semana eu e a Ari estávamos chegando na terra da banda RBD, Frida Kahlo e do Chaves pra participar de alguns eventos com Shailene Woodley e Theo••• Continue Lendo

Viagem: turismo na Cidade Do México

A notícia da viagem pro México veio de última hora e me deixou muito empolgada. A convite da Paris Filmes fiquei quatro dias na capital do país para assistir o filme Divergente, entrevistar os atores e cobrir a premiére. Como tínhamos bastante coisa••• Continue Lendo

Vídeo: Entrevista na TV Capricho

Acabei de chegar de viagem e antes mesmo de desfazer as malas, dei um pulinho lá na redação para finalmente participar da Tv Capricho. Foram 30 minutos de bate-papo sobre viagem, blog, garotos, decoração e famosos (começa em 1:31:01). Também rolou uma reunião••• Continue Lendo