
Está aqui. Dentro, fundo e meio escondido, mas firme. Forte não, que por um fio se equilibra tudo isso há muito tempo. Mas fio esse, que talvez seja de cobre, ouro, metais nobres. Um fio que segura, e por onde a equilibrista dentro de mim se aventura. Mesmo você não sendo bêbado, e estando longe disso, é claro.
Descobri apenas à pouco, enquanto me esforçava em fazer careta ao ouvir teu nome, gritar pro mundo que você não existe mais na minha felicidade, concordar na sua idiotice calhorda e dançar loucamente à noite. Beijar aparentes príncipes, que não tinham nem de longe a tua malandragem, e eloqüência de sapo magnífico. Ajudei no que pude, compreendi emoções, tentei calar a minha boca grande, viver intensamente. Fiz tudo o que me coube, para me livrar do sentimento nostálgico que é curar de vez esse vazio dolorido que me afinca o peito. Sanei tantas dúvidas, curei algumas questões incompreendidas, para esquecer aquilo que me inquietava por dentro. Cuidei dos outros, e me joguei num canto. E no final das costas, eu quem deveria encabeçar a minha lista em primeiro lugar, tirar todo e qualquer resquício seu, daqui. De mim.
Uma semana, e dois primeiros encontros. Saldo final? Nada que tenha me feito vibrar. Ou, pensar em substituir lembranças das nossas conversas sem fim, de algumas piadas internas, e o encaixe perfeito dos teus braços, sob a minha cintura. Não é tentando substituir que se esquece: só se lembra ainda mais. Em cada erro do outro, cada gafe, só se recorda mais e mais do quanto não era assim antes, com outro alguém. E isso dói. Comparar pessoas é mais ou menos como qualquer necessidade fisiológica: não é bonito, mas é inevitável. Não se pode fugir. Ainda não sei onde procurar alguém com o mesmo sorriso leve, e a maneira única de me olhar de frente, encarar com vontade. Eu tento, eu quase consegui, mas ao me colocar novamente em companhia-masculina-possível, titubeio. Vejo o banner do nosso filme, já na locadora, e quero morrer. Ouço a música que cantávamos juntos, animados e em descontração, e exito. Quase choro. E me faço brusca, fugitiva, e desinteressada: não dá. Se paro para refletir, me torno quieta – o que é raríssimo. Mesmo não sabendo o que fazer com tudo aqui dentro, que depois de tanto tempo, e muitos dias ainda me incomoda, tira meu sono, e rasga minha paz, sou quase uma prisioneira: me tranquei nesse beco sem saída, nessa cela obscura, e é como se tivesse engolido a chave, sem volta. Precipitei situações, e te fiz ir longe; te vi ir indo, e perdi. Talvez pra sempre, quem sabe nunca mais. E todos me dizem que não valia a pena, que não vale e muito menos, valeria. Me pergunto íntima e por dentro, quando é que isso vai passar, que me aparecerá alguém à altura, que eu me pegarei apaixonada e feliz, como já fui? Rezo, e culpo alguns santos. Peço encarecidamente que Deus veja toda essa injustiça, e cubra o mundo com o que acredito. Com amor decente, e pra quem dá amor – o certo, o que nos ensinam na catequese e o que nos é educado em casa, não é exatamente isso? Dê amor, e receberás de volta. Só ainda não encontrei motivos para acreditar piamente em tal afirmação. Nenhum, muito menos dois.
Não quero companhia, essa dor é apenas minha, e não há o que cure (a não ser, você mesmo). Sendo que está longe, e impossível. Sem preço a pagar, e muito o que fazer, me fecho novamente na minha colcha lilás, e sob a luz apagada. Dispenso caridade, tenho nojo. Nunca fui coitada, e mesmo na minha maneira Pollyanna em ver o mundo, aprontei das minhas. E por mais que provoque desejos alheios, que me sinta a rainha da noite, e que aproveite o máximo que posso, quando quieta e pensativa, sou apenas despedaçada. Me falta algo, e talvez seja minha felicidade real, meu sorriso sincero, ou quem sabe, o que por um bom tempo causou toda essa minha onda feliz e pacífica: você.
Tomada por uma saudade enorme, e um sonho ruim, disco os números que alguma vez já decorei, esqueci e apaguei. Ouço sua voz inesquecível, coração que palpita, ansiedade que toma conta. Sem muito o que fazer, e tanta coisa a dizer, desligo. Saciada, medrosa e levada; vivendo, e fazendo acontecer. E mesmo assim, sentindo enormemente a falta nobre que é estar sem a sua presença ilustre. Porque não há faculdade federal, carro importado ou paixão por mim que compre ou derrube o território que conquistaste em mim. Ainda aqui, quem manda no pedaço, e comanda ruas, movimentações e greves, é o senhor. Pode ter certeza, excelentíssimo.

39 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Pois é, me identifiquei totalmente. Ótimo texto.
Muito lindo !
Voce escreve muito bem a cada dia
os textos estao melhores .
Parabens !
Muitoooo bom o texto !
http://algunsdisparates.blogspot.com/
Lindooo, adorei :D
Beijos
ameeei. era tudo o que eu to sentindo agora :/
parabéns pelos seus textos: eles são ótimos!
Simplesmente perfeito…
Perfeito! Me identifiquei super!
Pode ter certeza: excelentíssimo.
Parabéns @camilapaier! Belo texto.
que ainda não passou, mais vai passar, a dor que nos machucou, e não , não há nenhum relogio pra fazer voltar… o tempo voa!
Nando Reis- ainda não passou!
Texto chato, monótono e repetitivo. Caiu no lugar comum – eu amo mas ele me despreza – Procure fazer textos menores, em dois parágrafos tu poderia ter sintetizado tudo e ficaria bem melhor.
sem palavras pra esse texto…
Foi Pollyannamente tocante “/
Camila,
de uma coisa eu tenho certeza:
você sabe mui(…)ito bem o que faz, não deixe nunca de escrever, assim, brilhante desse jeito.
Paraaaaabens e..
puta que pariu que texto foda!!
muito lindo, me identifiquei totalmente!
Tu conseguido expressar com louvor tudo o que eu sinto! Eu já tentei inúmeras vezes mas nunca fiquei satisfeita.
Parabéns Camila, orgulho de ser gaúcha!
Posso dizer que fico maravilhada com seus textos e com o pessoal desse blog. Vocês são todos muito atenciosos e escrevem muito bem. Desejo a vocês tudo em dobro e que vocês tenham muito sucesso quando o assunto for escrever. Parabéns pelo maravilhoso texto. Eu adoro a mistura de sentimentos que você faz e do modo tão bonito de descrever o que sente. Novamente, parabéns! Mil beijos. Continue escrevendo assim e eu vou continuar aqui, lendo.
que texto mais lindo *-* tudo que ta escrito aí é exatamente o que eu estou sentindo, pode ser triste.. mais é verdade =/
gosto muito do blog *-*
Texto perfeito! Lindas palavras, combinou exatamente com um momento que eu passei a um tempinho atrás.
Meus parabéns!
Alguém me faz parar de chorar? Br, como você consegue saber exatamente o que eu sinto? Você escreve MUITO bem, meus parabéns, de verdade <3
Segue @camipaier o outro foi hackeado…https://www.facebook.com/calmilaporcamilapaier
http://www.camilapaier.com.br