
A vida da gente só muda de verdade num Ano Novo se a gente fizer pelo menos UMA coisa diferente. O que ainda assim pode ser difícil, porque mudar significa lidar com o desconforto de abandonar um hábito, um ritual, um ciclo, um pensamento… Muitos deles são tão nossos que parece até que estamos desistindo da gente, mas é justamente o contrário. Quem muda se torna mais quem se é. Porque uma mudança só é sustentável quando ela é feita por um motivo em que você realmente acredita. Saber bem das coisas em que você acredita e fazer algo a respeito é a maior prova de amor já inventada.
Autoconhecimento.
Ninguém pode te dar esse presente além de você mesma.
Pensando nisso e pegando carona nas minhas reflexões pessoais, nessa segunda-feira de 2026, eu vou te contar os meus motivos pra mudar e talvez isso te ajude a descobrir os seus aí do outro lado da tela. Vamos juntas?
No último minuto do segundo tempo
Percebi que tenho o péssimo hábito de deixar pra resolver as coisas ou só tomar decisões no último momento possível. Na maioria das vezes, isso significa já não ter tanta opção. Ruim, né?! Só que, por incrível que pareça, uma parte do meu cérebro criou uma narrativa de que isso pode ser bom. Porque eu encontro conforto em não ter tanta opção. Eu já escolho tanta coisa o tempo todo, sabe? O que dá pra evitar, eu estava evitando. E tem outra coisa: se der errado, a culpa não é minha.
Mas assim, olhando com calma… se acontece toda vez e eu já até percebi isso, quem segue se colocando nessa situação? Eu mesma.
Pra ser honesta, isso é péssimo. Um desrespeito comigo mesma e com quem tá junto ou contando comigo. Porque é claro que, com a adrenalina e o desespero de quase não dar tempo, eu vou estar mais preocupada, agitada, ansiosa, tensa ou exausta mesmo. E mesmo no final tudo dando certo — porque nós somos mulheres e sabemos como virar o jogo — eu não aproveitei a melhor parte, que é de fato viver aquele momento com tranquilidade.
Lista de desejos
Ano passado eu mudei de endereço algumas vezes. Passei um tempo viajando, coloquei meu apartamento à venda e, depois, já em São Paulo de novo, me mudei pra um espaço bem menor e sem tantos armários pra juntar bagunça. Isso me mostrou o quanto eu não preciso de todas as coisas que achei que não viveria sem.
Vim de uma realidade diferente da que vivo hoje. Parte dos itens decorativos que eu acumulei não são caros, mas se tornaram extremamente valiosos pra mim porque significam uma conquista. Um dia feliz que eu batalhei pra conquistar. Uma fase boa. Andando pela minha casa, eu posso te contar a história de cada objeto, mas elas não precisam estar aqui para que essas histórias tenham acontecido, certo?
Enquanto as minhas coisas estavam empacotadas em caixas, segui firme e forte na minha rotina. Vivi meses com uma mala. Esse é justamente o tipo de mudança que eu queria ver em mim depois de uma experiência dessas, sabe? E eu não quero que isso seja algo pontual de uma fase da vida. Quero levar essa clareza comigo pra sempre.
É claro que eu vou continuar comprando coisas, mas quero que seja de uma forma consciente, em que possuir aquele objeto de fato abra espaço na minha rotina pra que eu tenha mais conforto, qualidade de vida ou simplesmente alegria. Não apenas no momento em que eu faço o pedido e abro a caixa, mas nos anos em que ele durar junto comigo.
Como, na prática, isso funciona? Se algo apareceu no meu radar e eu fiquei curiosa pra testar ou o algoritmo começou a me mostrar o tempo todo, antes de efetuar a compra eu tiro um print da tela e organizo em uma pastinha do meu celular. Lá no fim do mês, já com mais distância e tempo daquele pensamento, vou decidir se realmente a aquisição faz sentido. Spoiler: na maioria das vezes, não faz.
Isso me ajuda até a aproveitar mais as compras que eu faço e que genuinamente me fazem feliz. Tipo a minha máquina de fazer sorvete, meus óculos redondinhos da Miu Miu, meu abajur de cogumelos… Essas foram coisas que eu desejei por meses e que eu comprei não porque estava todo mundo achando legal, mas porque eu sabia que elas fariam a minha rotina ser mais prazerosa de alguma forma.
Planejando a semana
Eu começo muitas tarefas pela manhã quando abro meu computador, mas às vezes abro tantas abas ao mesmo tempo que me sinto levemente perdida sobre o que é prioridade. Sabe quando a minha memória funciona? Nos minutos antes de dormir. O que me faz ter duas opções: prometer pra mim mesma que não vou esquecer no dia seguinte e fazer o maior esforço pra isso ou fazer uma lista e anotar tudo pra finalmente conseguir pegar no sono.
Listas ajudam demais porque eu consigo visualizar o que eu preciso realizar sem o peso da empolgação ou do cansaço do momento. Muitas vezes essas tarefas são virtuais e só dependem de mim, então é uma forma de me lembrar quais são os meus objetivos daquele dia, semana, quinzena ou mês.
Organização é o grande clichê do começo do ano, eu sei, mas é a base pra que as coisas aconteçam de uma forma constante e sustentável. Porque se você der tudo de si em janeiro sem se respeitar, no meio do ano você vai estar exausta e vai abandonar tudo pela metade.
Na prática, por aqui quero pensar mais nas semanas como um todo e não misturar tarefas do dia que exigem de mim de formas diferentes. Pretendo ter o dia da escrita, o dia da gravação, o dia da burocracia, o dia livre pra possíveis eventos e o meu dia de autocuidado com unha, cabelo, consulta médica, aula de luta etc. Inclusive, tudo isso eu sempre mostro no meu perfil @oquebrunavive.
Incluir pessoas sem ter que elaborar novos eventos
Não sei qual é o momento atual da sua vida, mas a cada ano que passa eu assumo mais responsabilidades. O que é ótimo, porque eu tenho me surpreendido com a minha habilidade de ser uma adulta funcional, mas vai faltando tempo pra coisas que eu considero importantes pra minha saúde mental: a vida social.
Eu tenho bons amigos e alguns que eu amo como se fossem família, mas muitos deles eu vejo apenas algumas vezes no ano, mesmo morando na mesma cidade. Isso porque a vida é corrida e, pra dar conta de tudo, sem algum esforço vamos nos afastar cada vez mais.
Pra isso, eu bolei um plano: sempre que der, vou chamar alguém pra fazer comigo. Aula de boxe? Amiga, segue o link pra você se inscrever também. Convite pra ir no pilates com as meninas? Se eu tiver disponível no horário, essa vai ser minha atividade física do dia. Tá precisando ir ao mercado? Vamos juntas, tenho várias coisinhas gostosas pra te indicar. Cineminha depois do trabalho, que tal? Segue o link do site pra todo mundo do grupo comprar o ingresso. Sem pressão: vai quem conseguir.
Essa é a energia. Eu ainda quero papos longos em brunchs superfaturados, mas se a vida estiver corrida ou a dieta restrita, vai ser assim que eu vou continuar me fazendo presente na vida de quem eu mais amo. Vamos realizar tarefas juntas.
Preparando meu corpo pro maior desafio da existência dele
Estamos preparadas? Não sei, mas 2026 vai ser o ano em que eu pretendo começar a tentar engravidar. Sim, titias e titios, lá pelo final do ano — tipo novembro ou dezembro — quando a nossa obra já tiver ao menos encaminhada, vamos começar a planejar a nossa família.
Meu namorado quer ter muitos filhos, sempre disse isso desde o primeiro date. Eu ainda tô aqui tentando entender como preparo meu corpo e minha cabeça pra aproveitar cada etapa da experiência de ter o primeiro.
Uma confissão: eu tô animada com a gravidez, mas preocupada com as mudanças dos primeiros anos. Tem tanta coisa em mim que eu preciso melhorar e organizar antes de viver isso. Quero conseguir delegar mais, me estressar menos com coisas pequenas, melhorar a minha comunicação, a minha habilidade de impor limites e por aí vai.
De forma prática, o que eu quero é ter bons exames de sangue e estar vivendo um período mais tranquilo profissionalmente pra conseguir curtir a gravidez, a fase de bebê do nosso filho, enfim. Conversamos muito sobre isso aqui em casa. Eu cresci querendo a minha independência e emancipação mais do que tudo. Me tornar responsável por um serzinho parecia, na minha cabeça, uma ameaça a tudo isso, mas acho que ter um parceiro presente e igualmente comprometido com a missão faz toda a diferença.
Meu namorado e eu paramos de consumir bebida alcoólica. Interrompi o tratamento com minoxidil e, como já contei pra vocês, entrei na terapia. Comecei a fazer consultas com a minha ginecologista, e o cirurgião vascular é o próximo passo; depois, fisioterapia pélvica. Vamos começar uma obra juntos em breve e, quando ela acabar, pretendemos nos mudar de vez pra Atibaia. Quando tiver mais detalhes sobre todos esses assuntos, eu volto aqui e conto. Mas esse é um objetivo e tanto, né?!
Quero saber dos planos de vocês pra esse ano. Das pequenas vontades aos sonhos que você ainda nem falou em voz alta. Me conta? Eu quero que a gente volte aqui juntas em dezembro pra dizer o que fizemos com tudo o que aconteceu.

10 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Bruna, hoje, por algum acaso, eu resolvi entrar no seu blog, e qual não foi a minha surpresa ao ver que você continua postando! Te acompanho há muito tempo, pelo menos uns 10 anos, mas acabei não entrando mais no blog, talvez por hábito de usar mais as redes sociais mesmo. Na minha adolescência, você me inspirou em tantas coisas, entre elas, a escrever e a fazer a transição capilar, e hoje, já adulta, continuo te admirando! Sigo te acompanhando e torcendo por você em cada nova fase!
Para esse ano, uma das minhas metas é tirar um sonho antigo do papel: compartilhar com o mundo as coisas que escrevo, talvez em formato de newsletter. Ler esse último post no blog me fez lembrar o quanto eu já sonhava com isso há tanto tempo atrás e como nunca é tarde para realizar. Obrigada por seguir me inspirando!
Que falta te acompanhar por aqui faz, Bru!
Não me leve a mal, entendo que a vida muda e as formas de se comunicar vão se transformando, mas sinto que a escrita nos torna mais próximos e mais vulneráveis uns com os outros. Passei os últimos 2 anos desencontrada de mim e da minha essência, das coisas que amo fazer. A vida foi acontecendo, se transformando e senti que minha mente não estava acompanhando e assimilando as mudanças que estavam acontecendo, apenas vivendo no automático. Resolvi que este ano, será um ano de grandes mudanças e conquistas pessoais em minha vida, de me reconectar com minha essência,de conhecer o mundo, de viver e sentir intensamente, de me orgulhar da pessoa que fui, de quem sou e de quem estou me tornando. Acho engraçado como a vida sempre se encarrega de nos mostrar aquilo que nos é importante, aquilo que faz parte de quem somos. Lendo seu post hoje, esse sentimento surgiu. E que delícia é se reencontrar novamente!
Obrigada por este presente, Bru!
Ah Bru! Como sempre um texto delícia de ler! Vim do vídeo do YouTube, e ainda não assisti, quis ler o texto primeiro. Sou mãe de uma menininha de 3 anos e se eu puder te falar uma coisa: a gente nunca vai estar 100% preparada pra maternidade. É uma caixinha de surpresa como tudo vai desenrolar na vida, mas as únicas certezas são: um amor surreal e você vai dar conta! Prometo! E você tá certa em se preparar o máximo que puder! Curta muito essa fase!
Minhas metas de 2026 são: ser mais engajada nas redes sociais pra prospecção de clientes (sou advogada); organizar melhor minhas semanas aos domingos, pra comer melhor e não dormir tão tarde; vender nossa casa e encontrar um novo apê; usar menos as redes sociais pra entretenimento e ler mais ??. Beijo Bru, feliz 2026
vim ler no blog porque eu estou a louca da nostalgia, e que delícia foi ler esse texto amiga! Gostaria muito que vc voltasse pra cá, pq assim me incentiva a consumir coisas mais lentas, sempre amei ler seus textos e esse não foi diferente, senti um frio na barriga quando vc disse que ia tentar engravidar esse ano, que loucura!
Mas vai da tudo certo tenho certeza! Ansiosa pra nossa próxima aventura juntas!
também amei o texto no blog <3
Seu texto chegou numa boa hora na minha vida porque quero mudar o padrão de aceitar tudo que aparece na minha frente com medo de que não surja outra oportunidade. Quem veio da classe baixa e é classe trabalhadora tem medo que o trem das oportunidades não passe mais caso não entremos naquele que apareceu. Desde a pandemia eu vivo no modo sobrevivência, mas agora eu quero viver e escolher o que realmente quero. No meu caso, é aprender a dizer não a coisas que ao invés de me levar mais perto do meu sonho, me levam pra mais distante. Espero, de verdade, voltar aqui e dizer que consegui terminar o doutorado, consegui virar professora universitária e falar com orgulho que a filha da empregada doméstica virou doutora. Desejo a você que todos seus sonhos se realizem Bruna, você merece muito S2. PS: Quando foi que paramos de escrever blogs? Nossa muito melhor que outras redes
Eu amei o seu texto, Bru! Também estou nessa fase de mudanças de tentar ser menos ansiosa e menos apressada, sabe? Quero aprender a viver um dia de cada vez, sem surtar achando que preciso resolver tudo imediatamente ou que as tarefas têm que sair logo do meu caminho. Entrei em 2026 com o coração aberto e os pés no chão, e essa sensação de paz e calmaria está sendo maravilhosa. Espero de verdade que não seja apenas por causa do novo ano, mas que se perpetue.
Coloquei algumas metas para mim, como retomar a atividade física. Eu fazia aulas de natação e adorava, ia com bastante frequência. Mas depois bateu aquela preguiça, como se eu tivesse queimado a largada. Estou enrolando para voltar, quase como se estivesse esperando o “momento certo”. Só que, no fundo, sei que o melhor é simplesmente ir, sem pensar demais. O difícil é que minha mente não para, e como boa capricorniana, gosto de tudo organizado e regrado (risos).
Feliz anovo pra você também e faça mais conteúdo assim eu adorei o texto e vídeo. Parece que eu conversando com uma amiga.
Bru, primeiramente que saudade de ler conteúdos no blog, com essa vida digital e tudo em videos/fotos, a gente acaba se perdendo no tanto de informação, confesso que primeiro assisti ao video no youtube, e fiquei feliz com a noticia que também tinha texto no blog. Me lembrei de anos atrás quando semanalmente vinha aqui no blog ler posts.
Este ano também listei grandes metas, a minha finalmente independência financeira e sair de casa e conquistar meu primeiro lar (SÓ MEU), conquistar -depois de 6 anos fazendo faculdade em outra cidade – um emprego estável em uma área que tenho pistas que é a que eu amo. E estou ha um bom tempo sem me relacionar com alguem, porém mesmo querendo muito, só vou me permitir viver isso quando conquistar a minha vida primeiro (sozinha).
Espero que dê tudo certo por ai e as coisas saiam melhores do que planeja!
Ps: Se der, volte com mais textos no blog, sei que não tem tanta visibilidade como um reels, videos, fotos, stories, etc, mas é tão bom como sua leitora há mais de 13 anos voltar a ler blogs!
Abraço!
Já comentei dois textões no youtube sobre esse tema/texto, mas não cheguei a comentar sobre o assunto de ter filhos, que me sinto exatamente como você. No caso meu parceiro nunca falou de ter muitos filhos ou que momento seria isso, mas eu já tenho a minha lista de exigências que vai das mais bobas (tipo conhecer o Japão primeiro) a tudo isso que você citou de estar com a saúde em dia, com disposição, estabilidade financeira e o principal: uma companhia que está na mesma página. Sei que todas as mães falam que você nunca vai estar 100% preparada, mas entendo completamente quando você fala das suas exigências e preparo, aliás é somente uma fase mas uma responsabilidade de colocar uma pessoa a mais nesse planeta !!!
É a primeira vez que comento desde que acompanho o blog, sei que provavelmente você nem verá, mas estou aqui desde que eu tinha uns 15 anos. Hoje com 27, senti a necessidade de me reconectar comigo mesma, lembrar do que gosto, dos meus hobbies.. E lembrei do Depois dos Quinze, você foi por muito tempo quase que uma amiga próxima. Lendo esse texto vejo como o tempo passou, mas algumas coisas permanecem iguais dentro de nós mesmas. Quero como hábito em 2026 voltar a ler TODOS os seus textos, aqui me lembro de quem eu sou. Nunca pare de postar, Bru <3