
Ela prendeu o cabelo em um coque firme e decidiu que não esperaria mais. Daria um jeito de ocupar a cabeça com outras coisas e logo focou na bagunça do quarto: pronto, um ótimo início.
Manteria-se ocupada. Pegou as roupas que estavam soltas ao pé da cama e começou a dar a finalidade necessária para cada uma delas: algumas iam para o cesto, outras seriam penduradas no guarda-roupa. Depois a mesinha de cabeceira: as pilhas e mais pilhas de papel deram lugar a montes meticulosamente organizados.
Era engraçado como em todos os outros aspectos de sua vida ela conseguia separar tão fácil a bagunça da arrumação, definindo o que podia ir embora e o que deveria ficar. Ela nunca foi daquelas que sofrem ao doar uma roupa antiga ou sentem ao se desfazer de algo que não tem mais utilidade.
Ela desapegava fácil. Respirava aliviada ao perceber que poderia trocar o ar do ambiente fechado pela brisa que a janela aberta oferece.
Mas agora ela via no espelho o reflexo de alguém diferente. Uma menina ansiosa, esperando uma mensagem apitar no celular. Que grande besteira. E ela sabia que, no fundo, mesmo que a tal mensagem chegasse, não traria as boas notícias que ela gostaria de ler. Mesmo assim, mantinha essa esperança mais viva do que nunca.
Que grande contradição!
Esperar algo de alguém que nunca chegou perto de satisfazer suas expectativas era, no mínimo, perda de tempo. Alguém que não a via de forma importante.
Caiu em si. Sentiu-se mais firme do que nunca e parou o que estava fazendo. Ela não precisava esperar por esta pessoa. Decidida, desbloqueou a tela do celular e abriu aquele número. O apagou.
Ele podia vir a mandar algo um dia – mas ela não queria mais saber. Agora não tinha que esperar por nada. Resolveu isso para provar a si mesma que não precisava viver esperando por uma resposta de quem não dá a mínima.
Ela sempre soube deixar de lado as coisas que mereciam isso. E ele, definitivamente, merecia. Foi assim que ela decidiu, de uma vez por todas, deixar pra lá.

11 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Este texto me definiu, principalmente nos últimos 4 parágrafos. Como tomar decisoes é dificil, mas quando tomamos, como muda nossa vida. Cada decisao que tomo é um passo na maturidade que sei que estou dando. Principalmente no que se diz respeito a relacionamento.
Obrigada AU por suas postagens tao encorajadoras. beijo
Obrigada vc por comentar aqui e me estimular a escrever mais. Fico muito feliz. <3
Beijo Au
Incrível essa capacidade de mostrar exatamente o que tá acontecendo diante de nossos olhos… não sei sobre o resto das pessoas que leram isso, mas eu fui tomada por esse texto como se tivesse confessado tudo que estou passando pra uma amiga. obrigada. Agora só preciso seguir o resto do texto e deixa realmente pra lá.
Au, incrível sua capacidade de descrever tudo que eu passo em seus textos.
Cada um que você escreve, mostra ou me ajuda em alguma situação que estou vivendo.
Esse texto me ajudou a por nos olhos e no coração o que a mente já sabia.
Sua fofa! Obrigada por cada palavra. <3 <3 <3
Esse texto super me definiu, tenho que aprender muito ainda em como deixar pra lá!
http://www.desencana.com ?
Ai Au, eu também gosto de organização e de me desapegar do que não preciso (ou não me faz bem). Mas quando o assunto é o coração eu tenho grandes dificuldades em me fazer essa faxina. Estou mesmo precisando “deixar pra lá”. Seu texto veio em boa hora. Obrigada!
tamaravilhosamente.blogspot.com.br
Que bom ler isso, Tamara! Espero que tenha ajudado e que vc pratique isso de verdade. <3
Texto maravilhoso.
Me definiu.
Me definiu super
Eu amei esse texto Au?