
Ela acordou com uma sensação amarga.
Era como se tivessem derramado uma xícara de chá quente dentro de seu corpo. E foi reconhecendo este sentimento e recuperando a consciência aos pouquinhos – saindo do estado de sono e aterrissando na realidade – que ela sentiu um arrependimento louco.
Ela já conhecia essa sensação. Não que gostasse disso, mas havia sentido antes e sabia bem que, se permitisse, este aperto a acompanharia pelo resto do dia. O que ela havia dito de errado? Naquele momento, isso nem passou por sua cabeça: as palavras foram apenas sendo derrubadas uma a uma, como uma jarra sem tampa que derrama a água toda pelo chão.
Mas, agora, a ideia de que havia sido um grande erro a invadia e queimava por dentro, num misto de vergonha e remorso difícil de ir embora.
Se ela pudesse voltar no tempo e fazer de forma diferente, faria. Mas isso não estava ao seu alcance e lidar com o sentimento que a invadia era a única coisa a se fazer. Como era irritante suportar a impressão de que ela estaria mais tranquila se tivesse ficado quieta no dia anterior. Como apenas algumas coisas ditas podem mudar tanto o nosso estado de espírito e tirar o nosso sossego?
Ela pensou, então, que poderia seguir firme e com a cabeça erguida. Assim como da última vez, não adiantaria pintar paredes com o desgosto de ter feito o que era necessário. O resultado de suas ações não deu muito certo, mas e daí? Ela fez o que quis e isso bastava. E por mais que naquele momento surgisse uma pequena vontade de arrumar tudo, ela já tinha escolhido o caminho a seguir.
O que aconteceu ontem renderia alguns calafrios ao longo do dia, mas o remorso? Este não seria aceitável. E então ela decidiu: não permitiria ser controlada por um sentimento invasor, daqueles que não podem, devem ou merecem aparecer.

2 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Me descreveu demais nesse exato momento! Ameii ??
Eu aprendi uma coisa que sempre me faz superar quaisquer arrependimentos : Por que fiz aquela escolha ? Por que agi daquela maneira ?
Quando você pensa bem sempre tem uma razão.As escolhas que fazemos sempre são baseadas no conhecimento e estado que temos e estamos naquele determinado momento,visando o melhor pra nós ou pra quem amamos.Quando penso nisso,meu arrependimento se vai.
Fiz o que podia com o que tinha.
Agi da forma que podia com a emoção que sentia.
Cometi um erro porque naquela época não tinha conhecimento de que era um erro.Poxa,ainda bem,pois agora que o cometi eu sei.
É claro que vamos querer ter feito diferente,mas pra aliviar essa sensação lembre-se dessas razões e trabalhe pra que essas decisões tenham valido á pena.