
Estamos acostumadas a operar num sistema programado para agir meio que no automático. Algumas de nós conseguem ser a mesma pessoa com todo mundo, outras variam de grupo para grupo. Pode depender muito das situações e de quem está ali na nossa frente, naquele determinado momento.
Mas, de certa forma, a gente aprende a “ter que ser legal”.
Antes de continuar, é necessária uma distinção: “legal” neste caso não simboliza educação e empatia. Porque essas duas coisas tem que viver conosco como a consciência daquela velha frase que diz: “todo mundo está enfrentando uma batalha da qual não sabemos nada a respeito.” “Legal” é mais no sentido de ser uma pessoa acima da gentileza – aquela que procura formas de ser ultra do bem, ou que o faz naturalmente.
Só que, às vezes, misturamos tudo e praticamos por obrigação esse negócio de ser uma pessoa legal.
E todas as coisas naturais, quando se tornam obrigação… bom, você já sabe o final dessa história. Não há mais prazer naquilo que não tem sentido. Quando caímos na real, refletimos sobre o porquê de estarmos fazendo aquelas coisas, forçando no rosto um sorriso desnecessário… Por quê?
Qual é o motivo de fazermos tanta questão de estender tapetes até mesmo para quem passaria por cima de nós sem a menor cerimônia – e depois compartilharmos imagens engraçadinhas sobre fazer papel de trouxa, mas sem parar de realmente fazê-lo?
É como está escrito ali no começo: temos que ser agradáveis, sim. Mas isso não significa que precisamos agradar a todo mundo.
As coisas ficam tão mais pesadas quando a gente se incumbe dessa pendência desnecessária! A nossa obrigação é só a de ser feliz e disso a gente sabe. Temos que levar esse lema para todos os lados de nossas vidas: até mesmo no relacionamento com as pessoas que não nos dizem muito: aquelas lá do começo, com quem a gente tenta ser legal e faz um esforço quase sobre-humano.
A gente não nasceu para se preocupar com deixar uma boa impressão. Cabe um egoísmo branco aqui: antes de tudo, passe um filtro e veja o que te cativa primeiro. E aí sim você terá o discernimento e a iniciativa de saber o que fazer a seguir. Incluindo descartar, é claro, aquela velha obrigação de ser legal.

3 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Nossa me identifiquei muito com esse texto, acho muito estranho sermos obrigados a ser legal, acho triste pois acabamos perdendo nossa identidade…Gosto de pessoas que são mais do que legais por obrigação, que sentem se felizes em mostrar sua forma de ser porque gosta de mim….bjos!
http://www.lacosdevalentina.com.br/
Inúmeras vezes já passei por situações em que algumas pessoas foram extremamente desrespeitosas comigo e sempre tive muita dificuldade em dizer “não”, tentando agradar a todos, não querendo ser rude nem grosseira, mas não dá, quando ultrapassam nossos limites e percebemos a inexistência de consideração, educação e respeito pelos outros e por nós, estas pessoas merecem, não grosserias, porque não sou mal-educada como elas, mas sim minha indiferença e meu desprezo. Agora sou adepta do detox social, delete quem lhe faz mal! Somente good vibes e quem quer nosso bem.
Verdade, eu mesma estou numa fase que eu sou legal com quem eu quero, com quem me agrega algo positivo, que me transmita conforto, amizade, que fala sobre coisas interessantes e com veracidade, sem ter que precisar passar por cima de ninguém para conseguir o que quer, quanto ao resto? ah eu não sou obrigada! 2017 começou bem, fiz uma limpa em grupos do whatsapp onde as pessoas discutiam assuntos banais o dia inteiro e quando eu me dei conta lá estava eu, lendo 350 mensagens de gente que não tem o que fazer a não ser incomodar o sossego alheio, SIMPLESMENTE SAI DO GRUPO porque não estava me fazendo bem, e aconselho vocês a fazerem isso também, em troca? muito mais tempo para fazer coisas gratificantes e menos stress por bobagem, beijoo e vamos ser legais com quem merece