
O telefone tocou e ele disse em poucas palavras a frase mais difícil que eu já ouvi: passei na faculdade. Eu deveria comemorar. Deveria me sentir feliz. Mas aquela notícia tão boa veio com um adendo. Um detalhe que mudaria todo o resto. A faculdade, o tão sonhado curso de engenharia em uma federal, era em outro estado. A milhares de quilômetros de mim. Longe de tudo o que nós planejamos nos últimos anos. A possibilidade se transformou em realidade e eu não fazia ideia do pensar. É egoísmo sentir tristeza ao ver a felicidade de quem a gente ama, né? Virei a vilã da minha própria história.
Queria conseguir disfarçar melhor, mas é difícil esconder um sentimento quando os nossos olhos aprendem a falar. Com ele foi sempre assim e eu realmente não queria me lembrar do quanto a vida é solitária sem uma boa companhia. Mas a vida é mais do que encontrar alguém. Também precisamos ser alguém. Para ele parte desse processo inevitavelmente aconteceria sem mim.
Foram dias intensos e complicados. Eu tinha medo que cada coisa estivesse acontecendo pela última vez então fechava os olhos com força antes de dormir mentalizando os melhores momentos do dia ao lado dele. Não queria perder nenhuma lembrança. Todos os detalhes me fariam falta. Bem, eu não estava enganada.
O tempo começou a passar em uma velocidade diferente depois que ele entrou naquele ônibus. Não sai do meu quarto por dias. Deixei o celular tocar até a bateria acabar. Não era ele. A voz dos meus pais me irritava tanto que eu só tirava o fone de ouvido pra tomar banho. Nossa música. Usar as redes sociais só me deixava mais triste. Meu ciúme se multiplicava a cada clique.
Sentia nosso amor mais fraco a cada momento especial que eu não estava presente. Só ele falava durante as ligações e aquela era a melhor parte do meu dia. Era uma droga responder que não tinha nada de legal pra contar. E aí eu percebi que me transformei numa chata. Precisava pelo menos tentar ver as coisas de outro jeito. Foi o que eu fiz. Fiz novas amizades no cursinho e coloquei na cabeça que estudaria muito pra conseguir passar em uma faculdade legal também. Arrumar um emprego legal e ter grana pra fazer aquela viagem.
Moral da história? Amar é compartilhar momentos com alguém que realmente se importe. Às vezes a gente tem que fazer isso de longe, tudo bem, desde que os dois tenham tempo pra ouvir e boas histórias pra contar. O resto a gente resolve depois.
*Para ler mais crônicas assim é só comprar o livro “Eu não sei nada sobre o amor” na banca mais próxima de você.

13 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Passei por algo muito parecido, no entanto, foi com a minha melhor amiga, tudo igual porém um tipo de amor diferente. Aquela que era uma irmã, sempre perto, foi estudar longe, foi difícil no começo, mas hoje amadurecemos muito. A amizade continua!
Amei o texto Bru!
Beijos!
O quesito mais importante para o prosseguimento saudável de qualquer relação, é a amizade, e ela, quando real, desencadeia em somas, e somar é compreender quando o outro precisa de um avião, é ajudar o outro a embarcar, e tentar caminhar com as disposições até que pousos se encontrem. Gostei da temática a ser lembrada, Bru.
http://www.semquases.com
Olá Bruna! Assim que vi a imagem de Love, Rosie já pensei “vou gostar desse texto”! E gostei mesmo! Acredito que a base de um relacionamento seja a amizade e assim, o diálogo. Apesar de toda a distância (sofro disso, meu namorado mora em outro estado), o diálogo deve permanecer e os assuntos vão fluir. Não pode deixar de viver a vida, afinal, é preciso vivê-la para se ter do que falar, né não?
Lindo texto, Bruna!
Abraços.
bloggotejar.blogspot.com
Namoro à distância é complicado mesmo, ainda mais quando ocorre o inverso do que acontece normalmente (em vez do virtual para o real, virar real para virtual). Muitos amigos meus não consideram ter um relacionamento do tipo, outros juravam de pé junto que nunca fariam tal coisa, e agora estão felizes com seus parceiros de outra cidade… A verdade é que, quando o amor é verdadeiro, nada pode impedir que ele se concretize.
rsenhando.blogspot.com.br
Meu namorado vai estudar no canada , por muito tempo pensei que nao tinha outra saida a nao ser terminar, pois como manter um relacionamento de tao longe? Ate escrevi sobre isso no meu blog, mas agora vejo que não existe só essa opcao, namoro é mais que momentos compartilhados so pessoalmente… vou ver ele muito menos, mas os momentos bons nao dependem so disso, vou compartilhar as experiencias dele daqui e ele as minhas de la! Quando a gente se ver vao ser os melhores momentos devido ao tempo separados!!! fique tranquila que dara tudo certo
eu namorei um ano e meio a distancia, e realmente o amor só dura se realmente for verdadeiro, por que não é fácil não, mas quem ama da um jeito. Hoje moramos juntos, nem na cidade dele nem na minha, no nosso caso foi o contrario nos juntamos por causa da faculdade.
http://entrevereviver.blogspot.com.br/
amei o texto ?
você, como sempre, arrasou Bru!
eu já tive essa sensação egoísta de não ficar feliz por alguma conquista de alguém que eu amo por achar que aquilo nos afastaria… é horrível! :(
osvintes.blogspot.com.br
É bem difícil, o meu namorado está querendo fazer um curso lá fora, e seriam de 2 a 4 anos no canadá. Estou sofrendo com a possibilidade, mas se ele arranjar um trabalho lá fora, eu vou sem dúvida.
Beijos, http://loveiscolorful.com/
é tão ruim quando isso acontece. Ficar triste pela felicidade do outro. É exatamente como você falou, nos tornamos os vilões da história e o pior de tudo, sem querer.
Um cheiro!
http://www.vinteetantos.com
Seus textos <3
Estou passando por isso, só que meu namorado passou para PRF, vai ficar três meses no Sul e depois ir para algum cantão do Brasil, fico muito agoniada, pois muita coisa vai mudar, complicado demais. Mas Deus sabe o que faz, vamos ver como será.
Quando é amor verdadeiro, perdura!
http://vireipoesia.blogspot.com
Querido Cruch, esta não é apenas mais uma carta compartilhada com o vento, dessa vez, eu me libertei e tomei coragem pra te dizer aqui e a qualquer um que venha a ler isto tudo o que se passou na minha mente quando eu te dei aquela chance. Que você desperdiçou. Olha não é narcisismo cara, e nem é papo de quem foi escanteada do jogo principal, não, isso é só algo que eu preciso dizer sobre necessidades que as vezes apertam aqui dentro do coração sabe. Eu só queria por um momento me sentir de alguém, sentir que tinha alguém para me segurar e me apoiar, porque velho eu já não me sentia quente por dentro. Então eu não te dei uma chance de verdade, você sozinho nunca teve chance comigo, eu dei uma chance a mim e isso tudo é sobre mim. Eu posso até ser culpada pelo nosso desentendimento, pois estava ocupada e preocupada de mais tentando entender o que se passava nessa caixa estranha chamada coração, e admito ter te usado pra conseguir o que queria, desculpe. Mas tô aqui hoje, agora, te agradecendo. Isso mesmo, parece confuso, mas foi graças a você e a esse seu jeito galinha e conquistador de ser que eu descobri o amor. Amor próprio, cruch. É claro que eu lembro dos nossos beijos, das histórias que compartilhou comigo, das sensações que me fez passar, dos sorrisos que me deu e dos risos que roubou de mim. Eu lembro de ter jurado a mim mesma não me apaixonar por você e lembro ainda de saber que já estava. Não vou negar que quando acabou eu levei de boa, tentei retornar aquele jeito frio de antes, mas eu ja havia me agarrado naquela chama minúscula e ardente que eu havia alimentado por você, e a partir daí te dei chances e mais chances de dar certo entre nós e ser tudo tão perfeito. Eu imaginei nossos passeios, nossas próximas conversas, nossas brigas. E graças a isso, agora, estou munida de boas gargalhadas. Quero te agradecer pelo que me fez perceber, do quanto sou boa sem você ou de caras parecidos com você. Aquilo tudo que imaginei só me fez perceber o quanto eu era suficiente, pois só assim pra saber o que realmente eu precisava e, felizmente, não é você. Obrigada por ter sido o cara errado, obrigada por me mostrar o tipo de calor que procuro e agora sei que vai um pouco além do encaixe perfeito dos lábios. Dessa vez eu pertenço a mim mesma, como a lua pertence ao sol.