
Não é fácil. É que a gente compra histórias, filmes e enredos mil que dizem que “o contrário” é o certo – e o nosso coração assiste a tudo quietinho, torcendo para que seja verdade. Estou falando sobre o tal “e viveram felizes para sempre”.
Sabe, tem casais que vivem “happily ever after”, sim, mas cada um no seu lugar – e não necessariamente juntos. Isso não anula o amor que ficou, muito menos a relação que eles tiveram. Se deu certo por um determinado período, não importa se um dia acabou. Já deu certo. Aquele tempo jamais será apagado e valeu a pena.
Quantas aventuras eles viveram juntos? Por quanto tempo foram a companhia perfeita para o outro? O quanto cresceram, amadureceram e evoluíram unidos? Seriam listas e listas de descobertas, momentos, dias incríveis, histórias para contar, tardes e noites inteiras de muitos sentimentos e vivências que não se anulam só porque não farão mais parte do mesmo futuro.
A relação existiu, foi linda enquanto durou e depois virou lembrança. E quem disse que há uma parte ruim na frase que acabou de ser escrita? Isso não quer dizer que envolvia menos ou mais amor do que outros amores, que era falso, uma ilusão. Vinte dias, seis meses, três anos ou dez: não importa, não faz diferença e também não muda nada.
Alguns amores não precisam ser para a vida inteira.
Tudo acaba, certo? Essa relação apenas terminou um pouco antes, mais cedo do que o coração esperava. Mas você, ele e até o próprio órgão das batidas involuntárias sabem bem que era assim que havia de ser.
A gente sempre acaba acrescentando algo nosso em outro alguém e vice-versa. Com amigos, com nossa família, em absolutamente todas as relações. Com o amor e a paixão também é assim: mesmo que o ponto final seja colocado, ambos serão mais especiais do que eram lá no início.
Durou o tanto que deveria durar e foi embora para dar lugar a outras vivências, outras importâncias, outros momentos e, quem sabe, outras pessoas. Deixando claro que elas não são substituíveis, apenas ocupam lugares diferentes num mesmo coração.
E em sua finitude, deixou marcas em duas almas que ficam mais iluminadas do que eram naquele começo lindo e cheio de flores. O final nunca tem a mesma beleza, mas esconde este segredo cheio de poesia: ele também possui o seu valor.

5 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
acho que a forma como os relacionamentos terminam diz muito sobre como as pessoas vão se sentir em relação a tudo o que foi vivido. acho que um término amigável (nunca vai ser indolor, mas dá pra terminar sem brigar, sem barraco ou discussão) possibilita que as pessoas vejam que o fim não é necessariamente ter dado errado, mas parte da vida, das coisas e enfim.
é isso ?
Elisa Alecrin
Somos criadas achando que os nossos amores serão que nem nos contos de fadas que pregam que tem que ser feliz para sempre e tudo cheio de rótulos. Sendo que na verdade só temos que viver nossos romances, nossas relações e tudo de o que a vida tem a nos oferecer.
Beijos
mundodenati.blogspot.com
Que texto lindo! Términos sempre são difíceis demais.
Pra quem gosta de textos como esses de uma olhada no http://blogfases-da-lua.blogspot.com.br/2017/05/se-tiver-sorte-conhecera-o-amor-de-tua.html Fiz um texto sobre a moda do desinteresse que ta rolando no amor hoje em dia.
No começo sempre achei que isso de “e viveram felizes para sempre” era coisa de destino e que já estava tudo arquitetado para cada um de nós ter um amor desses de conto de fadas, mas agora depois de tantos relacionamentos e términos vividos, pude ver e perceber que isso só depende de nós e de nossas escolhas. Elas que faram a diferença. Em tudo.
que texto maravilhoso! é difícil de superar os términos, mas é necessário. e ta tudo bem