
Tem dias que eu queria ainda não ter crescido. Dias, como hoje, que a ingenuidade de acreditar que o mundo acaba logo ali depois da esquina me fez falta. Queria, mesmo que por um breve instante, sentir novamente o gosto de ser café-com-leite. Poder ter medo de ir sozinha na cozinha a noite ou de tirar a casquinha do machucado antes da hora. Queria voltar a ter certeza de que independente do que acontecesse, alguém viria me salvar.
Quer saber? O mundo dos adultos é meio solitário. Você tem amigos, sua família continua por perto, seu namorado deixa seus dias mais alegres, mas no final das contas a única pessoa que realmente estará ao seu lado para sempre é você e tudo aquilo que acredita. Na segunda ou terceira vez a maioria das coisas perde um pouco a graça. Então você tem que continuar tentando encontrar algo que te faça feliz.
Crescer é quase como criar camadas. Inventar versões de nós mesmos para que acreditem que estamos prontos, quando na verdade na maior parte do tempo não fazemos a menor ideia do que está acontecendo. É assim pra todo mundo: o rico, o pobre, o triste, o feliz, o tímido ou o popular. A realidade lá fora é assustadora e não importa quem é ou de onde veio, aos poucos os outros vão te transformar. Mudar não é ruim. É difícil. Ter opções não é ruim. É mais complicado.
Sei que a vida não espera e uma hora ou outra todo mundo tem que atravessar a rua sozinho, mas o que ninguém diz é que do outro lado, de mãos dadas com os nossos maiores sonhos, estão todas as responsabilidades. É ótimo se juntar a eles, mas uma vez que você decide ir, não há mais como voltar atrás. Não porque não vão te aceitar, mas porque simplesmente você vai sentir que não pertence mais àquele lugar.

11 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
eu tive que enfrentar a realidade da vida adulta muito rápido, atravessei a rua sozinha muito cedo, não que eu me arrependa, acho que já acostumei não ter ninguém além de mim mesma na hora o aperto, mas as vezes queria volar pra casa de mãe e deixar toda essa responsabilidade de lado.
texto ótimo bru!
beijos
http://entrevereviver.blogspot.com.br/
Texto simplesmente incrível! É como eu me sinto…
http://www.flordejupiter.com/
até hoje custo a entender que cresci e que tenho responsabilidades, sofro com as consequências das minhas escolhas mas sempre que posso faço uma visita ao outro lado da rua, no qual um dia eu pertenci rs. seus textos são sempre incríveis bruna ;)
http://www.novecoelhos.com
É tão bom ler textos como esses e saber que não estamos sozinhos… Assim como a Tainara disse abaixo, é exatamente como eu me sinto :~
http://www.tudoporumrockstar.com.br
Resume muito do que venho pensando… arrasou na reflexão Bru! :*
http://www.mademoiselleparis.com.br/
<3
Nossa Bru, descreveu como me sinto esse ano. Faz pouco tempo que comecei a atravessar a rua sozinho mas já sinto a diferença. Assim que li o título do texto soube que foi tu escreveu pq tu ta falando muito sobre isso no twitter e snap, só desejo que tu tenha força e fique bem Bru! <3
http://www.escritosdeumagarota.com/
“Quer saber? O mundo dos adultos é meio solitário”, nossa Bru é a pura verdade, também me sinto assim… Adorei sua crônica, primeira vez que li uma sua e caiu como uma luva. Amei seu jeito de escrever! Sucesso!! Beijos, Jay.
http://www.nofundodabolsa.com
Complicado esse negócio de ser adulto! Ainda não sei o que taconteseno! Quando era criança, achava que adultos sempre sabiam como lidar com as coisas. Mas estando do lado de cá da rua, da pra ver que não é tão simples assim.
Bruna do céu, você descreveu exatamente como me sentia e sinto, tenho 20 anos e moro longe dos meus pais por conta da faculdade e quando fui morar sozinha enfrentei justamente isso, obrigada pelo texto super reconfortante e maravilhoso, te adoro, você é uma incrível! beijoss
Amei o texto Bruna <3
Estou começando a conhecer essas novas responsabilidades. O medo e os sonhos estão sempre meio ligados para mim.
Imperfeito Universo