
O feriado era pra gente se divertir… e foi bem isso que eu e ele fizemos.
Improvisei uma maquiagem que copiei de um tutorial do YouTube e vesti minhas roupas mais confortáveis. Tive que dar um jeitinho de última hora, né? Era o último dia dos bloquinhos da cidade e, neste dia, eu iria.
Nos últimos anos, eu optei por ficar em casa. Para mim, não tinha melhor companhia do que minhas séries e a pipoca e, por isso, dispensei qualquer tipo de festa e folia. Mas nesse ano foi diferente. O coração sambou com o anúncio daquele último convite (minhas amigas já haviam tentado antes) e eu senti que tinha que ir.
A verdade? Não me arrependi em nada! Os momentos que passei junto a elas foram impagáveis e renderam várias histórias. As conversas puxadas com tantas pessoas diferentes, a cantoria das músicas do momento, as coreografias ensaiadas, os truques para fugir um pouquinho do sol e as inúmeras reclamações de pés doendo. Certo, o ritmo era intenso e eles doíam de verdade. Mas era uma dor quase boa, sabe? Estávamos aproveitando ao máximo e bom, foi justamente nessa hora que os meus olhos encontraram os dele.
Tá certo, talvez eu tenha exagerado na romantização. Na verdade, o encontro aconteceu entre nossos ombros – tudo por causa de um empurrãozinho que levei de uma amiga. Sabe quando dois corpos se encontram e acontecem aqueles pequenos choques? Foi assim! A partir disso, as coisas simplesmente se desenrolaram. Penso que, se nos sentimos confortáveis, temos que nos permitir. Tive cautela, é claro, mas foi isso que eu fiz.
Ele me perguntou se eu queria sentar um pouquinho no banco da praça para descansarmos e eu, exausta, simplesmente fui. Certo. Era um completo estranho, mas o banco estava a poucos metros das minhas amigas e não teria problema. O que aconteceu de verdade foi que eu senti uma vontade muito grande de ficar perto dele. Talvez o fato de ele ser um pouquinho parecido com aquele ator que eu adoro tenha contado bastante, com certeza, além de ele não ter nada a ver com aqueles caras truculentos – argh – que geralmente a gente encontra em algumas festas.
Não conversamos sobre coisas muito profundas. Falamos um pouquinho sobre nós – ele era de outra cidade e estava ali a convite de um primo – e ficamos juntos praticamente a tarde inteira, aproveitando os momentos. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma boa companhia. Daquelas que fazem com que a gente se sinta bem com nós mesmas e consiga enxergar beleza nas coisas pequenas.
Ele era esse cara. Que realça os momentos que já são bons. Sem conversas demoradas, explicações e debates sobre opiniões divergentes, ele preferia gastar o tempo apontando para as pessoas que estavam vestindo as fantasias mais divertidas dali, brincava com as crianças que passavam, me tirava para dançar a todo momento, jogava um mundo de confetes para o alto e fazia tudo aquilo parecer ainda mais leve.
Eu olhava para ele ao meu lado e percebia que a vontade de estar junto era recíproca. Eu não estava ali para “casar” e me esquecer do mundo, mas simplesmente não conseguimos nos desgrudar! Foi por isso que aproveitamos para valer aquela tarde, que acabou sendo ainda melhor do que eu esperava.
Quando a noite caiu, já estávamos esgotados do dia intenso. As meninas me esperavam e o nosso último beijo foi dado como quem se despede sem precisar dizer que está indo embora. Não nos preocupamos em trocar milhões de contatos. Sabíamos que o que havia acontecido entre a gente tinha sido especial, mas, bom, com o perdão da rima, era apenas Carnaval.

9 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Ai, deu uma dorzinha no coração esse texto, Au. Não costumo ter muita tranquilidade assim com fatores momentâneos, mas já tive as minhas fases e são nelas que vamos descobrindo mais de como queremos conduzir os nossos valores, limites, princípios. Então, é super válido ter vários momentos de “carnaval” até chegar em casa.
http://www.semquases.com
Isso aí, Van! E ah, eu também já fui muito de ficar apegada a essas coisas mais passageiras e não saber como lidar depois, confesso!
Gente esse texto é maravilhoso! amei <3
Obrigada Karol!
Au, vou assumir, rolou uma invejinha… Pq depois de ler esse texto eu só consigo pensar “Pelo menos ter uma experiência dessas é melhor do que levar fora do Carnaval”. Pq mulher, eu devo ter algum problema, levei cinco foras nesses Carnaval, me senti mal viu. Sou que nem tu, esse ano que eu fui de mente aberta pular Carnaval querendo só ter uma experiência como essa tua, porém, eu só ganhei foras. Hueheueheu
Mas é a vida, e mesmo assim eu super me diverti e valeu a experiência! <3
http://www.escritosdeumagarota.com/
Adorei Bru!! http://brendamatoso.blogspot.com.br/
lindo texto, carnaval e seus amores!
http://entrevereviver.blogspot.com.br/
Carnaval.. <3
Eu ameii o texto dá uma olhada nos meus textos ^^
https://cafesporai.wordpress.com