Entre confetes

09 de fevereiro de 2016
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Foto: Flickr/Raised By The Wolves

O feriado era pra gente se divertir… e foi bem isso que eu e ele fizemos.

Improvisei uma maquiagem que copiei de um tutorial do YouTube e vesti minhas roupas mais confortáveis. Tive que dar um jeitinho de última hora, né? Era o último dia dos bloquinhos da cidade e, neste dia, eu iria.

Nos últimos anos, eu optei por ficar em casa. Para mim, não tinha melhor companhia do que minhas séries e a pipoca e, por isso, dispensei qualquer tipo de festa e folia. Mas nesse ano foi diferente. O coração sambou com o anúncio daquele último convite (minhas amigas já haviam tentado antes) e eu senti que tinha que ir.

A verdade? Não me arrependi em nada! Os momentos que passei junto a elas foram impagáveis e renderam várias histórias. As conversas puxadas com tantas pessoas diferentes, a cantoria das músicas do momento, as coreografias ensaiadas, os truques para fugir um pouquinho do sol e as inúmeras reclamações de pés doendo. Certo, o ritmo era intenso e eles doíam de verdade. Mas era uma dor quase boa, sabe? Estávamos aproveitando ao máximo e bom, foi justamente nessa hora que os meus olhos encontraram os dele.

Tá certo, talvez eu tenha exagerado na romantização. Na verdade, o encontro aconteceu entre nossos ombros – tudo por causa de um empurrãozinho que levei de uma amiga. Sabe quando dois corpos se encontram e acontecem aqueles pequenos choques? Foi assim! A partir disso, as coisas simplesmente se desenrolaram. Penso que, se nos sentimos confortáveis, temos que nos permitir. Tive cautela, é claro, mas foi isso que eu fiz.

Ele me perguntou se eu queria sentar um pouquinho no banco da praça para descansarmos e eu, exausta, simplesmente fui. Certo. Era um completo estranho, mas o banco estava a poucos metros das minhas amigas e não teria problema. O que aconteceu de verdade foi que eu senti uma vontade muito grande de ficar perto dele. Talvez o fato de ele ser um pouquinho parecido com aquele ator que eu adoro tenha contado bastante, com certeza, além de ele não ter nada a ver com aqueles caras truculentos – argh – que geralmente a gente encontra em algumas festas.

Não conversamos sobre coisas muito profundas. Falamos um pouquinho sobre nós – ele era de outra cidade e estava ali a convite de um primo – e ficamos juntos praticamente a tarde inteira, aproveitando os momentos. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma boa companhia. Daquelas que fazem com que a gente se sinta bem com nós mesmas e consiga enxergar beleza nas coisas pequenas.

Ele era esse cara. Que realça os momentos que já são bons. Sem conversas demoradas, explicações e debates sobre opiniões divergentes, ele preferia gastar o tempo apontando para as pessoas que estavam vestindo as fantasias mais divertidas dali, brincava com as crianças que passavam, me tirava para dançar a todo momento, jogava um mundo de confetes para o alto e fazia tudo aquilo parecer ainda mais leve.

Eu olhava para ele ao meu lado e percebia que a vontade de estar junto era recíproca. Eu não estava ali para “casar” e me esquecer do mundo, mas simplesmente não conseguimos nos desgrudar! Foi por isso que aproveitamos para valer aquela tarde, que acabou sendo ainda melhor do que eu esperava.

Quando a noite caiu, já estávamos esgotados do dia intenso. As meninas me esperavam e o nosso último beijo foi dado como quem se despede sem precisar dizer que está indo embora. Não nos preocupamos em trocar milhões de contatos. Sabíamos que o que havia acontecido entre a gente tinha sido especial, mas, bom, com o perdão da rima, era apenas Carnaval.