
– É tolice.
– Eu sei que é, mas está me matando por dentro. Cada dia sinto uma dor diferente. Como se estivesse se espalhando. – Disse, respirando forte, só para garantir que ainda doía. Naquele momento, na boca do estômago.
– Não diga bobagens. O que você tem não é uma daquelas doenças em que as pessoas se recusam a dizer o nome. Também não é amor. É drama. É pena de si mesmo. Vai passar.
– Dizem isso o tempo todo.
– É porque as pessoas, huuuum, digamos, elas vivem. Saem de suas casas todo dia, enfrentam horas no trânsito e ainda se arriscam em relacionamentos que obviamente não vão dar certo. E claro, depois de alguns meses, se ferram.
– E porque elas continuam tentando? – Retruquei.
– A ressaca do amor nunca dura para sempre. Não é como nos filmes, sabe? Vivemos no planeta terra. Temos um elenco que conta com bilhões de pessoas.
– Como eu descubro qual é a certa?
– Posso te contar uma coisa? A pessoa certa não existe. Todas as pessoas são um pouco erradas. Só depende do seu ponto de vista. Eu mesma já conheci dezenas de caras que me fizeram chorar feito um bebê dentro do banheiro. Com a porta trancada e o chuveiro aberto que é para ninguém mais escutar. Deles, além da pelúcia inútil escondida em algum canto do guarda-roupa, levo os sorrisos e as dores. Ok. Também algumas músicas e bandas que conheci enquanto estava com cada um deles.
– E onde é que você guarda as dores?
– Junto com os momentos bons. Deixo em equilíbrio. Não vale a pena apagar nossos próprios sentimentos, sabe? Acho que é tudo meio ligado. A dor, saudade, insegurança, felicidade… Vão fazendo uma trança. Como essa que estou fazendo em seu cabelo. – Disse, ao pegar o elástico da minha mão e dar três voltinhas no final da trança.
– Ah, é? Eu queria ter coragem para cortar ele curtinho. Como o seu.
– Foi uma metáfora, mas se você está encarando dessa forma, vamos lá: quando você tira uma parte da trança, ela se torna mais feia, mais frágil, mais boba. É importante que os fios estejam bem organizados e divididos. Assim como os nossos próprios sentimentos. Precisamos entender muito bem quem somos, antes de cobrar isso dos outros. É um exercício complicado, mas funciona.
– Eu sei muito bem quem sou. Sempre soube.
– Todo mundo pensa assim. Até o momento em que erra. Às vezes, erra feio. De um jeito que as coisas nunca mais voltam a ser como antes. Então, mudam para se adaptar. E acabam não se conhecendo mais por um bom tempo.
– Isso é bom?
– Não é bom, nem ruim. É a vida de um ser humano na fase adulta. Seja bem-vinda.

66 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Texto lindo, não sei nem oq dizer. Você é uma inspiração Bruna, pra mim e milhares de outras garotas por aí, tenho certeza!
Heey Bruna,
Adorei o texto. Agora você está entrando numa fase mais adulta da sua vida, te desejo muito sucesso :)
Beijos,
http://www.segredosentreamigas.com
Adorei esse texto lindo ! :wink:
Nossa lindo. Vou confessar que não sou muito de ler textos, mas esse me chamou atenção e eu fui ler, amei ^^
sorriso-espontaneo.blogspot.com.br
Que texto lindo, adorei!
http://www.espacegirl.com
Que texto lindoooooooooooooooo!
CHOREI!
Esse texto se encaixou exatamente com o que eu estou vivendo, sério. Cometemos erros que parecem tão horríveis, e coisas que nunca nos imaginávamos fazendo, aí agente se perde, se desconhece e não sabe mais o que fazer, ou para onde ir :cry:
pra mim
Nossa, que texto lindo!
Eu adoro ler seus textos, porque sempre fui meio travada para demonstrar meus sentimentos, e encontro muito de mim nas suas palavras.
Parabéns Bruna, ficou excelente.
Lindo texto!
http://penetranoparaiso.blogspot.com/
Sabe, esse texto me definiu por completo. Às vezes acredito que sei tudo sobre mim, apenas para descobrir que não sei absolutamente nada. Conheço uma pequena arte do meu presente, conhecimento insignificante perante o todo que sou.
“- Eu sei muito bem quem sou. Sempre soube.
– Todo mundo pensa assim. Até o momento em que erra. Às vezes, erra feio. De um jeito que as coisas nunca mais voltam a ser como antes. Então, mudam para se adaptar. E acabam não se conhecendo mais por um bom tempo.
– Isso é bom?
– Não é bom, nem ruim. É a vida de um ser humano na fase adulta. Seja bem-vinda.”
Adorei o texto,a vida é assim, pura realidade né? Passei por isso a um tempo atrás, essa mudança, essa transição. Mas no meu caso foi bom, excelente, e no meu caso, eu me encontrei, percebi que eu não fazia ideia de quem eu era antes, mas agora eu sei. Execelente Texto Brunis, Parabéns!
Que texto lindo. Será que ele fará parte do próximo livro??? Ansiosa para saber. http://semfiltroesem.blogspot.com.br/
Perfeito Bruna, muito msm. Amei o texto!