Procura-se vivo ou sentindo minha falta, alguém que muito amei. Alguém que se foi e eu nunca aceitei. Procura-se o fim. Procura-se e recompensa-se porque é dele – do fim – a culpa de cada letra de música, roteiro de filme, texto de teatro, script de novela, tema literário e do peso da saudade que eu carrego. O fim. O fim de semana para suportar a semana inteira no trabalho. O fim do semestre para suportar cada dia de aula. O fim da refeição para vir a sobremesa, para tolerar cada coisa que a gente não gosta, mas engole para ser saudável. O fim do ano para a garantida ilusão do fim do que não está bom e de mais uma dose do que está bem. E com o amor? O fim do amor para vir a saudade? O fim da saudade para vir o amor? Ou o fim da dor para ir a saudade e chegar outro amor? Enquanto tento responder eu penso que não é o fim que dói é a impossibilidade de voltar ao começo, de revisitar o meio, de poder reviver só por um dia aquilo que era vida e hoje se reduziu a lembrança. Lembrança é bom quando traz esperança, não saudade, pode anotar isso aí. Aproveita e anota também como era quem amei, desenha cada traço dele, faz um retrato falado e escreve que há recompensa. Eu recompenso fazendo feliz, sendo feliz, será que basta? Pode ser que não. Não, não venha me dizer que já é hora de esquecer, não tem relógio para o que a gente sente e eu nunca fui pontual. Desenhe aí o rosto da pessoa mais linda do mundo e escreva “te procura alguém que te amou sem motivo”. Sem motivo, e quando é sem motivo a gente fica sem razão para deixar de gostar. O melhor motivo para amar alguém é simplesmente não saber o motivo ou não ter motivos para não amar. Poderia te explicar cada pedaço dele, cada detalhe do rosto, cada traço da boca, dos olhos, mas a verdade é que eu não sei mais como ele está. Pode ser que a pessoa que eu conheci e procuro seja completamente diferente da pessoa que hoje existe. Não vai dar certo pendurar um retrato falhado, procurando alguém que amei e não sei como achar, dando ilusão à saudade ao invés de pôr nela um fim. Faça, então, o seguinte, desenhe a mim, me reproduza nesta folha com exatidão. Vou colocar junto uma foto minha antiga para ele se lembrar de mim e, se ainda me amar, ter como me procurar e me encontrar. Vai ver é isso, ele já me procurou, já me encontrou, mas não sabia que era eu, faz tanto tempo… Faça esse desenho e disfarce em seu rabisco qualquer tristeza que eu carregue, senão quando ele me ver não vai me reconhecer, eu vou ficar tão feliz quando ele voltar que se me pôr como estou agora na figura, vai pensar que não sou eu. Promete que procura por mim e entrega a ele o meu retrato para se ele, um dia, resolver me procurar. Melhor assim, sem forçar, deixando livre. É que talvez, no fundo, eu nunca deixe de esperar, mas aceite ele não vir. E se não me procurar que venha logo o fim, o fim, sem fingir. Pois nem sempre que termina acaba, compreende? Mas venha o fim se quem amei não vier. A vida ensina que quando o amor termina é só para vir algo maior . Tudo tem fim, até o fim, por isso, assim, com o fim do fim a gente pode recomeçar e dar um jeito de tratar de ser feliz. Procura-se.
Texto escrito por Ruleandson do Carmo, Jornalista, 26 anos, BH/MG, mestre em Ciência da Informação, especialista em Criação e Produção para Mídia Eletrônica, professor do curso de Jornalismo da Ufop, é o personagem sem roteiro de uma comédia romântica sem fim e o vazio que une amores de cinema aos amores reais. Para saber mais, acesse Eu só queria um Café.


22 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Que texto incrível! :’)
Lindo e super bem escrito o texto!!
Mil beijinhos
Kammy
http://Www.ComerBlogarAmar.com.br
Que texto Legal
Nossa, tava precisando ler isso.
—
@zumblorg
A – M – E – I !!!
E super me identifiquei em várias partes…
;-|
bj
da Li
Nossa, adorei esse texto *-*
Faz o post com as compras, por favor!
Que texto incrível! :)
Nossos Pais descobrem que um ser está para nascer e trazer as suas vidas um brilho de luz. A cada sorriso, palavra, olhar ou suspiro, uma cachoeira de lágrimas parece inundar seus olhos de alegria e paz. Nos tornamos adolescentes e a busca pela independência é cada vez mais clara. A nossa vontade de conquistar espaço nos distância de quem sempre nos amará, esquecemos a família. Esquecemos de dizer o quanto os amamos. Mas um dia nossos entes queridos se vão. Quando menos esperamos e sem nenhum aviso, Deus tira de nós o que mais amamos. Em nosso peito apenas a dor de um punhal que a cada “meus pêsames” parece pesar. Nossos pensamentos divulgam para cada gota de sangue em nosso corpo a culpa de nunca ter dito: “te amo”; “preciso de você”, “estou sempre aqui”, “me preocupo”, e como se não bastasse vem à frase mais forte “a culpa foi minha”. Nossos sonhos caem por terra, nossa independência parece perder a importância. E a resposta para essa dor? O tempo e uma certeza: Quando amamos transmitimos em pequenos atos e gestos, e as palavras não importam mais; quando precisamos de alguém, sentimos sua presença, e as palavras não têm mais sentido; quando nos sentimos sós e abandonados, surge uma palavra ou um gesto e descobrimos que nunca estaremos sós. E a culpa? A culpa é da vida que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto perder alguém. Mas o tempo é remédio e nele conquistamos o consolo, com ele pensamos nos bons momentos. E com um pouco mais de tempo, transformamos nossos entes queridos em eternos companheiros. Nossos sonhos ganham aliados, nossa independência ganha acompanhantes, nossa vida conquista anjos. E no fim apenas a saudade e uma certeza: Não importa onde estejam, estarão sempre conosco.
Simplesmente amei *-*
http://www.blog-justnow.com/
que texto incrível! ameeeeeeeeei ><
convido você e suas leitoras a conhecerem o meu cantinho, serão sempre bem-vindas! http://eighteensoon.blogspot.com.br/
beijos ;*
O texto é muito bonito, faz refletir.
“Desenhe aí o rosto da pessoa mais linda do mundo e escreva “te procura alguém que te amou sem motivo”. Sem motivo, e quando é sem motivo a gente fica sem razão para deixar de gostar” amei essa parte
Perfeito. Tão eu…
Amei o texto, toca lá no fundo.
Amei o texto…tão lindo e profundo quanto nossos proprios sentimento *–* tbm quero participar dessa Tag, afinal, aqui se revelam muitos escritores comuns que conseguem captar sentimentos inimagináveis *–*
Meu texto se chama: E se ele for “O Cara?”
http://teentacao.blogspot.com.br/2012/04/texto-meloso-do-dia-e-se-ele-for-o-cara.html
espero que goste *–*
Caramba, adorei esse texto. Sem palavras…^^
Bruna
Queira muito recomendar os textos da Vitória, porque ela tem um jeito de escrever sobre amor que é quase como uma melodia do que a gente volta e meia sente, volta e meia tenta explicar, são muito lindos. http://www.vitoriabispo.com/ (:
http://garotadaamazonia.blogspot.com.br/
Achei o texto incrível! Tive a impressão ao ler que era uma mulher falando, mas ao fim ver que era um homem, me surpreendi! Aliás, essa tag é uma das minhas preferidas do blog! Acompanho todos os posts, mas é nessa tag que fico com vontade de comentar =D Beijos!