A tragédia de Santa Maria me leva a algumas reflexões que considero importantes para o movimento espírita.
Recentemente participei de uma banca de doutorado na Universidade Metodista, em que o pesquisador José Carlos Rodrigues, examinou em ampla investigação de campo quais os principais motivos de “conversão”, eu diria, “migração” para o espiritismo, no Brasil. Ganhou disparado a “resposta racional” que a doutrina oferece para os problemas existenciais.
De fato, essa é grande novidade do espiritismo no domínio da espiritualidade: introduzir um parâmetro de racionalidade e distanciar-se dos mistérios insondáveis, que as religiões sempre mantiveram intactos e impenetráveis, sobretudo o mistério da morte.
Entretanto, essa racionalidade, que era realmente a proposta de Kardec, tem sido barateada em nosso meio, como tudo o mais, para tornar-se uma cartilha de respostinhas simples, fechadas e dogmáticas, que os adeptos retiram das mangas sempre que necessário, de maneira triunfante e apressada, muitas vezes, sem respeito pela dor do próximo e sem respeito pelas convicções do outro. Explico-me.
Por exemplo: existe na Filosofia espírita uma leitura de mundo de “causa e efeito”, que traduziram como “lei do karma”, conceito que vem do hinduísmo. Essa ideia é de que nossas ações presentes geram resultados, que colheremos mais adiante ou que nossas dores presentes podem ser explicadas à luz de nossas ações passadas. Mas há muitas variáveis nesse processo: por exemplo, estamos sempre agindo e portanto, sempre temos o poder de modificar efeitos do passado; as dores nem sempre são efeitos do passado, mas sempre são motivos de aprendizado. O sofrimento no mundo resulta das mais variadas causas: má organização social, egoísmo humano, imprevidência… Estamos num mundo de precário grau evolutivo, onde a dor é nossa mestra, companheira e o que muitas vezes entendemos como “punição” é aprendizado de evolução.
O assunto é complexo e pretendo escrever mais profundamente sobre isso. Aqui, apenas gostaria de afirmar que nós espíritas, temos sim algumas respostas racionais, mas elas são genéricas e não podem servir como camisas de força para toda a realidade. Que respostas baseadas em evidências e pesquisas temos, por exemplo, para essas famílias enlutadas com a tragédia de Santa Maria?
- que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições;
- que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração;
- que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão…
- que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.
Não podemos afirmar por que esses jovens morreram. Não devemos oferecer uma explicação pronta, acabada, porque não temos esses dados. Os espíritas devem se conformar com essa impotência momentânea: não alcançamos todas as variáveis de um fato como esse, para podermos oferecer uma explicação definitiva. Havia processos da lei de causa e efeito? Provavelmente sim. Houve falha humana, na segurança? Certamente sim. Qual o significado que essa tragédia terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.
Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.
Sobre o autor do texto: Dora Incontri é paulistana, nascida em 1962. Jornalista, educadora e escritora. Suas áreas de atuação são Educação, Filosofia, Espiritualidade, Artes, Espiritismo. Tem mestrado, doutorado e pós-doutorado em Filosofia da Educação pela USP. É sócia-diretora da Editora Comenius e coordenadora geral da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita. Docente de pós-graduação pela Universidade Santa Cecília.


166 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Moro em santa maria e estou muito chocada com tudo isso,nunca imaginei ver esse tipo de coisa aqui.
Muito bom Bruna! Sou gaúcha e agradeço pelo apoio. Meus parabéns!
Muito bom! Não sabia que você era espírita ?
Bru, você é espírita?
Sim! :)
Não vi problema algum da Bruna falar à respeito da religião dela,até porque cada um tem seu ponto de vista e ele precisa ser respeitado,ainda mais em um momento extremamemte difícil como este,que comoveu um país inteiro e que prova que independente da cor,religião,etnia,opção sexual ou qualquer outro “rótulo” que a sociedade possa colocar,nós precisamos um dos outros..Agora não é o momento de julgar e sim ser solidários com os que ficaram. Amor ao próximo acima de tudo, isso qualquer religião aprova,então façam sua parte.
Só não entendi esse texto todo sem motivo algum… Foi apenas uma pergunta, uai!
bom dia!
realmente foi uma grande tragédia, na qual vitimou muita gente.
QUE O SENHOR JESUS AUTOR DE TODAS AS COISAS E UNICO SALVADOR, CONFORTE TODAS AS FAMILIAS.
JESUS AMA TODOS VOCES.
BRUU, te admiro mais ainda!!
Realmente o espiritismo pode nos ajudar na compreensão de muitas coisas que tem acontecido nos últimos anos. Tanta tragédia, tanta destruição, tantas vidas tiradas, mas por trás disso há um aprendizado maior e a necessidade de evoluirmos.
Achei muito legal você abordar esse assunto Bruna :)
Bruna, posso falar minha opinião? Acho que textos desse tipo não são apropriados para o blog. Quando você disse no Twitter que ia postar uma reflexão espírita sobre a tragédia pensei que fosse algo mais relacionada à tragédia em si, do que a religião. Como você deve saber, você é um modelo para diversas garotas, e sempre que escreve algo influencia alguém. O texto fala muito mais sobre como é a religião espírita do que sobre tragédia e com certeza esse blog não é o lugar certo para falar coisas desse tipo.
Bom, essa é a minha opinião. Podem falar o que quiser mas acho que a internet, principalmente blogs que falam sobre moda, cultura, música, beleza e etc, não são bons meios de falar sobre esse assunto.
Antes que falem alguma coisa, não sou espírita, mas respeito as religiões. Se você acredita nisso tudo bem, mas pra mim e aposto que pra diversas pessoas é algo pessoal e delicado demais para um blog que tem milhares de acessos de adolescentes por dia.
Concordo com vc Lílian. Também não sou espirita, e respeito todas as crenças, mas acho que como aqui é blog publico, onde o foco dela seria coisas para as leitoras ela deveria ter feito o post, se fosse em um perfil pessoal do face ou twitter ai sim, mas como você disse é só nossa opnião né. E isso não é preconceito nenhum, como vi umas pessoas comentando aqui. Só quero deixar bem claro que assim como todas que comentaram deram sua opinião, e é o que estou fazendo, afinal o comentario esta aqui pra isso né. “Lembrem-se: Se minha opinião é diferente da sua não significa que é preconceito.”
Concordo com a Lylian, sei que você teve a melhor das intenções Bruna, mas acho que não cabe.
Adorei Bru, acho muito interessante ter uma segunda visão sobre o que aconteceu. Estudava Kabbalah e lá também lidavamos com “causa e efeito” e acredito em karma, seja lá como aconteceu, tudo tem um por quê, se a resposta não é mundana é espiritual!
A religião é o único refúgio no momento. Sou espírita e acredito que essa tragédia tenha sido uma prova coletiva. Muita força aos pais e parentes desses meninos e meninas.
Olá, Bruna;
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que gostei muito da sua iniciativa em compartilhar essas reflexões aqui. Também sou espírita e ontem foi um dia terrível para mim, porque cada notícia que chegava era motivo de lágrimas.
Presenciei o egoísmo de muitas pessoas, de fato, que diziam não se importar, já que não se tratava de seus familiares. Mas como pode um ser humano não se comover com uma situação como a desencadeada em Santa Maria ontem?
Tantos jovens desencarnando, tantos sonhos sendo levados com eles, tantas famílias de luto. A dor dos pais que perderam seus filhos ou de pessoas que perderam amigos, cônjuges, namorados(as). É uma dor que certamente eu não saberia descrever, e que, ainda assim, me comove.
É gratificante que você tenha a coragem de compartilhar um texto como esse, independentemente de críticas que possam vir a surgir.
Vamos, agora, direcionar nossas preces a esses espíritos recém-desencarnados e suas famílias, como tentativa de proporcionar a eles um mínimo de conforto.
Um abraço,
Ellen.
Sem palavras Bruna, realmente o que você escreveu consolou muita gente. Sou gaúcha moro em Julio de Castilhos 60km de Santa Maria. Só que é daqui sabe o que todos estamos passando, não é fácil acreditar que tudo isso possa estar acontecendo no coração do nosso Rio Grande véio. Como é a lei, quando o coração chora o resto do corpo não tens motivo para sorrir, morreu conhecidos meus, não intimos, mas o que dói e ver estas famílias chorando a ausência destes que já se foram.
Existem inúmeras questões que não cabe a nós decifrar, mesmo porque (como disse no texto), cada um tem uma lição a aprender, não apenas os que estão sofrendo com o desastre, mas as pessoas que estão de fora e, de alguma forma, foram bruscamente sensibilizadas com a tragédia. Nós estamos em um período de evolução e transição, e acho que precisamos ficar cada vez mais unidos pra que consigamos passar com sucesso por certas provações. Cabe a nós orar pra que as famílias tenham o conforto necessário, e os desencarnados recebam o tratamento e compreendam seu motivo.
Muito bom o texto. Sou espírita e acho bacana espalhar a ideia (não como modo de pregar religião, mas a ideia em si) de que o sofrimento vem como forma de aprendizado, e que devemos incorporar isso para qualquer aspecto de nossas vidas. Como espírita, eu aconselho que resemos pelas almas que se foram, pedindo que elas atinjam a paz e o entendimento, com o mínimo de sofrimento possível. Parabéns pelo post bruna. beijinhos
”Quando o véu da morte fechar os nossos olhos nesta existência, continuaremos vivendo, em outro plano e em condições diversas. Estaremos, no entanto, imbuídos dos mesmos defeitos e das mesmas qualidades que nos movimentavam antes do transe da morte. A adaptação a essa nova realidade dependerá da forma como nos tivermos preparado para ela. Semeamos a partir de hoje a colheita de venturas, ou de desdita, do amanhã. Pense nisso.”
Otília Gonçalves
Médium: Divaldo Pereira Franco
Acho que independente da religião ou da filosofia de vida, o importante é encontrar um equilíbrio e uma razão para viver dentro de cada um de nós. Espero que essas famílias, e não só essas famílias, espero que os jovens que saíram com vida daquela boate e que viram todas aquelas pessoas mortas e aquela tragédia,e que as pessoas que ainda estão lutando por suas vidas nos hospitais, que todas elas consigam encontrar a paz, e algum motivo para seguir em frente, vendo as vítimas como heróis, como oportunidade de repensar a nossa existência.
Oii Bru, muito legal o texto. Eu e meus pais somos espíritas e num bate papo ontem conversamos sobre essas tragédias que morre muita gente e que as vezes isso acontece de fato por uma missão que essas almas tinham. E o mais importante é que nessas horas é que os espiritas se reúnem para ajudar essas almas que chegam confusas com uma morte tão repentina. Oramos por cada uma delas e somos eternos, temos uma eternidade para viver e não apenas uma vida!
bjs!
Muito Bom!
Arrasou, eu também sou espirita e o texto é simplesmente perfeito :D
Muito bom o texto Bruna, no meio de tanta coisa ruim que já publicaram esse foi um dos textos mais inteligentes que li sobre o assunto. É muito bom ver isso num blog que tem público adolescente, parabéns, isso mostra mais uma vez a sua capacidade e seriedade com o blog e com assuntos delicados!
Moro perto de Santa Maria,e as coisas estão horríveis em todo o RS.Acho que toda população daqui está de alguma forma demonstrando luto,afinal foi devastador o que aconteceu.Todas as vidas que deixaram esse mundo,mas acho eu, que estão bem em um mundo longe daqui,porém muito melhor.Bruna,não sabia que você era espirita,(tenho mania de achar que todo mundo é católico,hehe),eu sou católica mas concordo com muitas teorias dos espiritas)as vezes acho que tenho duas religiões,rsr).Obrigada pelo apoio que você presta publicando esse texto,não sabe como ajuda as pessoa que sofrem as perdas e até mesmo quem sente cada vez mais essa tragedia.Eu por exemplo estou muito triste mesmo.Beijos!
Bruna, que texto incrível. Já li algumas coisas sobre espiritismo e gostaria muito de conhecer um local legal para frequentar mesmo. Por enquanto, eu ando meio perdida em relação a religião. Tenho muita fé, mas não me encontro em nenhuma religião, e por isso gostaria de conhecer um local de espiritismo, quem sabe não é lá, né? O texto que você publicou é excelente, e me convence sabe?
Bom, o momento é de oração pelas famílias e pelos jovens que se foram. Que Deus abençoe!
Beijos, e obrigada pelo texto. ;)
“Por enquanto, eu ando meio perdida em relação a religião. Tenho muita fé, mas não me encontro em nenhuma religião, e por isso gostaria de conhecer um local de espiritismo, quem sabe não é lá, né?”
Cara, faço minhas suas palavras Julyana… É mesmo um belo texto, e a doutrina espírita é algo que tenho extrema curiosidade em me aprofundar…
E aliás Bruna, parabéns pelo texto! Espero que se alguem que perdeu algum amigo ou familiar na tragédia ler esse texto, possa se confortar um pouco :)
Também sou espirita, e minha mãe disse q esses tipos de tragédias onde morrem muitas pessoas, é “karma Coletivo” um grupo de pessoas q estavam predestinados a desencarnarem da mesma maneira por dividas de vidas passadas.
Não sabia que você era Bruna, bacana! Eu também sou, minha família toda é pra falar a verdade. O espiritismo realmente é uma doutrina consoladora. E o que nós podemos fazer agora é orar. Deus sabe o que faz. :(
Bruna, tmb sou espírita e achei super válida e instrutiva essa colocação reflexiva sobre o fato ocorrido. Realmente esse resgate em massa deve ter motivos que somos incapazes de entender, por vários motivos.
eu moro em Santa Maria RS… e perdi um colega mto querido do qual não tinha mais contato… mas mesmo assim a dor de ver um conhecido perder a vida tão brutalmente é mto grande… sem comentarios…
bruna, queria te agradecer por voce trazer a tona este assunto, é mto importante as pessoas terem alguma informação religiosa nesses momentos… eu sou espirita desde pequena e entendo que as pessoas devem tentar buscar uma religião, pra entender certos fatos da vida, como este…
vou roubardilhar o texto e colocar no meu blog, ok?
beijos queridaaa!!!!
Patty*
Bruna, falar sobre religião hoje é algo tão complicado… Você fala um “A”, e a pessoa interpreta “B” e vem discutir querendo defender sua forma de pensar. Achei muito legal você abordar sobre sua opinião saudável e sem criticar nenhuma outra ideia, aqui no blog que provavelmente tem leitoras de quase todas as religiões. Sou espírita e achei o texto bem brilhante nas palavras simples. Gostei muito.
Adorei você abordar o assunto por aqui, Bruna. Também sou espírita e li ontem um texto muito explicativo sobre as mortes coletivas e deixo aqui para quem quiser ler:
MORTES COLETIVAS SEGUNDO O ESPIRITISMO
“Essas ocorrências, chamadas catastróficas, que ocorrem em grupos de pessoas, em família inteira, em toda uma cidade ou até em uma nação, não são determinismo de Deus, por ter infringido Suas Leis, o que tornaria assim, em fatalismo. Não. Na realidade são determinismos assumidos na espiritualidade, pelos próprios Espíritos, antes de reencarnar, com o propósito de resgatar velhos débitos e conquistar uma maior ascensão espiritual. O Espírito André Luiz, no livro Ação e Reação, afirma esses fatos: “nós mesmos é que criamos o carma e este gera o determinismo”.
São ações praticadas no pretérito longínquo, muito graves, e por várias encarnações vamos adiando a expiação necessária e imprescindível para retirada dessa carga do Espírito, com o fim de galgar vôos mais altos. Assim, chega o momento para muitos, por não haver mais condições de protelar tal decisão, e terão que colocar a termo a etapa final da redenção pretendida perante as Leis Divinas. Dessa complexidade de fatos é que geram as chamadas “mortes coletivas”.
Os Espíritos Superiores possuem todo conhecimento prévio desses fatos supervenientes, tendo em vista as próprias determinações assumidas pelos Espíritos emaranhados na teia de suas construções infelizes, aí, providenciam equipes de socorros altamente treinadas para a assistência a esses Espíritos que darão entrada no plano espiritual. Mesmo que o desencarne coletivo ocorra identicamente para todos, a situação dos traumas e do despertar dependerá, individualmente, da evolução de cada um. Estes fatos, mais uma vez André Luiz confirma: “se os desastres são os mesmos para todos, a “morte” é diferente para cada um”.”
Texto retirado da página Pensamentos de André Luiz
Beijos,
Pamela
Lixar, Polir, Pintar!
Bruna, também sou espírita e adorei ver você trazendo uma reflexão religiosa para o blog, mesmo que nem todas as leitoras sejam espiritas, não há divisão e sei que todas aprovaram sua ajuda e maneira de encarar a tragédia de outra forma, parabéns pelo post e pelo blog.Sucesso!
Bruna, acho muito legal você trazer um pouco mais de você no blog, digo ter falado sobre suas crenças. Também acho que respostas certas nem sempre é o melhor .
Oi Bruna, moro em uma cidade próxima a Santa Maria e sinto toda a tristeza que está a região nesse momento. Graças a Deus não perdi nenhum parente e nenhum amigo próximo. Mas conheço pessoas que perderam familiares, muitos amigos e colegas. Santa Maria nunca mais será a mesma. Não é uma das maiores cidades do Brasil, mas é uma das raríssimas cidades que com quase 300 mil habitantes muita gente se conhece, aparentando ser quase uma cidade do interior. Quem mora nas cidades pequenas próximas, tem Santa Maria como segunda casa, porque como nossas cidades são minúsculas, Santa Maria é uma porta para o mundo do século XXVI. Milhares de jovens saem de casa para morar em Santa Maria para começar uma nova vida em uma universidade, é um lamento que 236 pessoas com esse sonho tenham partido, será com certeza algo que jamais será esquecido por todos. Uma cidade que forma tantos profissionais infelizmente foi conhecida mundialmente por uma tragédia, talvez provocada pela falta de profissionalismo dos responsáveis pela Boate Kiss e até dos membros da banda. Esse é meu desabafo, sinto muito por todas as famílias das vítimas e pelos feridos que estão internados nos hospitais. E me sinto agradecida pelo seu apoio, apesar de ninguém da minha família ter partido ou estar ferido, me coloco no lugar dos que estão nessa situação e sei como é importante o apoio de todos nesta hora. Obrigada! Beijos!
Bru , eu não sabia que você era espírita , hehe
Também sou , mas ainda não entendo o preconceito que a maioria das pessoas ( não todas ) tem com o espiritismo. Já perdi entes queridos , e acho que ser espírita me ajudou a seguir em frente e evoluir , e não ficar sofrendo por aqueles que já perdi , mas sim pedir que eles estejam em um lugar melhor com muita ajuda , amor e carinho.
Só peço que Deus ampare e console as famílias de cada vítima , e os que estão internados em estado grave , consigam se recuperar o mais rápido possível :)
Por mais que eu não seja, a minha família é e, acho que certas coisas realmente são verdadeiras no espiritimos. Ele conforta muitos corações de famílias desamparadas. Eu já frequentei, mas parei porque não me fazia bem, nem a mim e nem a minha mãe. Eu sinto coisas e minha mãe já vê e precinte . Mas acho maravilhoso você ter postado esse texto, Bruna. Acho que ajudaram a muitos familiares e amigos dos falecidos da tragédia.
Acho que o espiritismo mostra maneiras diferentes de vermos a morte, a dor e o sofrimento. Acaba nos mostrando que mesmo que algum familiar, amigo, conhecido ou até um estranho parta, ele/ela não foi para sempre. É umas das coisas mais legais que o espiritismo tem.
É uma situação muito triste, e sinto muito por todas as famílias e por todo sofrimento. É imensurável e impossível explicar a dor de cada um. Eu também sou espírita, e vejo também como Karma coletivo. Mas é muito triste, toda a situação.
Oii Bru… Esse texto nos leva para um pensamento diferente, que não devemos no momento tentar achar culpados e sim dar uma apoio espiritual para aqueles que tanto precisam nesse momento…
Já li um pouco sobre o espiritismo e foi onde achei maior fundamento até hoje!
Bjs!
Também gostei do post Bruna, espero que conforte muitas pessoas e que fiquem em paz tanto os que foram tanto os que ficaram com saudade. ?
nossa bruna eu sou sou espírita mas n imaginava que vc também fosse.eu sou muito sua fã.e eu achei muito legal da sua parte fazer esse texto e publica-lo aqui no seu blog. eu nao sei ai onde vc mora,mas aqui em porto velho-ro o preconveito com a minha religião é muito grande e eu fico muito trist comigo.quando as pessoas perguntam minha religião e eu respondo elas ficam chocadas e algumas até se afastam. mas eu acho q vc foi bem legal em fazer isso.muito obrigada por nao ter vegonha de quem vc realmente é e mostrar isso pras pessoas.beeeeijooos e abraços. com amor e carinho,fernanda
Bruninha. já fui espirita. E gostei mesmo. Mas apesar de aparecer lindo e sem mal algum, não é a verdadeira realidade.
Eu trabalhei com festas, lidei com perda de familiares, usei muitas drogas e o espiritismo de certa forma me ajudava a me conformar
Mas o que me livrou de tudo de ruim foi Jesus. Dá uma lida na biblia, tenho certeza que ela tem mais respostas do que Kardec. Beijo
Adorei a posição da Dora. Penso que a forma se colocarmos assim o sofrimento de alguma maneira não vai prevalecer diante do inexplicável. Porém também acredito que cada fé ajuda de uma maneira.
Quando estava lendo o texto me perguntei “a Bruna que escreveu esse texto?”, achei muito bacana a sua iniciativa de abordar a tragédia de uma forma diferente. Com uma posição de esperança e significação. Acredito que está na hora de não só nos comover, mas respeitar a dor e as leis em favor da segurança. Eu não quero parecer fria perante a tragédia, mas eu sempre digo que nada é por acaso por mais que seja uma dor imensa que carrega as famílias e demais pessoas. Acho que nada ocorre por acaso.
Não curto muito misturar conteúdo religioso em um blog que comenta coisas sobre o mundo feminino!
Várias pessoas vêem as coisas de pontos de vista diferentes. Mas daí publicar sobre espiritismo em um lugar “publico” acho que não é muito legal.
Você pode estar perdendo várias leitoras: catolicas, evangelicas e de outras religiões.
#ficaadica
Acho que expor a sua opinião perante à um fato tão falado no momento (tragédia de Santa Maria) é muito mais importante do que perder leitores! A Bruno abordou o tema da forma como quis, e é assim que a vida deve ser, afinal, com toda essa história podemos tirar um aprendizado (independente de religião), é que a vida pode simplesmente acabar sem nem mesmo começar.
Carolina, eu não fui a única que quis mostrar com meus olhos um ponto de vista diferente do que ela postou. Na verdade não me expressei muito bem, mas concordo plenamente com o que a Lilian postou ai em cima:
“Bruna, posso falar minha opinião? Acho que textos desse tipo não são apropriados para o blog. Quando você disse no Twitter que ia postar uma reflexão espírita sobre a tragédia pensei que fosse algo mais relacionada à tragédia em si, do que a religião. Como você deve saber, você é um modelo para diversas garotas, e sempre que escreve algo influencia alguém. O texto fala muito mais sobre como é a religião espírita do que sobre tragédia e com certeza esse blog não é o lugar certo para falar coisas desse tipo.
Bom, essa é a minha opinião. Podem falar o que quiser mas acho que a internet, principalmente blogs que falam sobre moda, cultura, música, beleza e etc, não são bons meios de falar sobre esse assunto.
Antes que falem alguma coisa, não sou espírita, mas respeito as religiões. Se você acredita nisso tudo bem, mas pra mim e aposto que pra diversas pessoas é algo pessoal e delicado demais para um blog que tem milhares de acessos de adolescentes por dia.”
Oi bruna, tenho que concordar com algumas meninas sobre o lance do post ter sido meio “inapropriado” ao citar religião, mas em compensação o blog é seu e realmente está no seu direito escrever sobre o que quiser, como leitora confesso que não gostei muito (não tenho religião, minha crença é Jesus), mas, o que temos que fazer é orar pra que Deus conforte o coração das famílias dos jovens, e orar pelo espírito deles! Abraços.
Não entendi o fato de você falar que não é apropriado “falar sobre espiritismo num local público”. O espiritismo é uma religião como todas as outras e o jeito que você falou me soou preconceituoso. Me desculpe caso eu tenha entendido errado, mas assim como você vim expor minha opinião. E acho que a Bruna tem todo o direito de falar sobre o que ela quiser, já que o blog é dela e em nenhum momento ela faltou com respeito a ninguém e muito menos a nenhuma religião.
Infelizmente, em um mundo onde a religião deveria unir as pessoas, ela é a que mais separa.
Esse é um assunto realmente mto delicado de se tratar. Moro pertinho de Sta Maria e minha cidade (Porto Alegre), ficou um caos ontem, com trânsito interrompido para os helicópteros pousarem na rua com as vítimas. Todo RS está de luto. Minha mãe perdeu diversos alunos no incêndio e está inconsolável. Não sei nem o que dizer, nem o que pensar. O mundo inteiro está falando disso. Me surpreendi com uma foto da Lady Gaga rezando por Sta Maria, fiquei chocada com o alcance e a solidariedade das pessoas. O que não faz a internet neh. A única coisa que temos a pedir são as orações das pessoas para tentar apaziguar os corações dos que sofrem por essa tragédia.
Bjs, Mi
http://www.recantodami.com
Eu acredito que o problema de nossa sociedade, é querer que um determinado grupo dê explicações para fatos que levantam questionamentos em massa. A doutrina espírita vem sendo observada por estar em evidência e por completo desconhecimento dos leigos, é tida resumidamente, como a doutrina que explica as causas e efeitos da vida.
O que ocorre é que as pessoas seguem o que é mais cômodo, quando começam a ser kardecistas e ficam “com medo” dos espíritos, apegam – se à crenças de outras denominações, onde não há vida após a morte e quando se veem em meio à dor ou a questionamentos que outras doutrinas simplesmente não tratam, remetem a questão ao kardecismo, buscado além de refúgio, questionamentos montados para respostas prontas.
A doutrina espírita tornou – se desejo de estudo e observação de muitas pessoas que perderam entes queridos e nela encontrou acolhimento (que encontraria em qualquer outra denominação religiosa). Foi a sociedade quem criou esse jogo de perguntas e respostas, fruto de uma cultura extremamente preconceituosa em que desejam saber as coisas que outras doutrinas não discutem mas, no entanto, não sentem – se à vontade em seguir como denominação religiosa, em geral por se associar à umbanda, por não ser bem compreendida.
Pois bem, o espiritismo não busca apenas dar respostas claras, pois isso seria resumi – lo a dicionário espiritual, o que ele prega é o amor incondicional de Jesus e uma forma diferenciada de lidar com certas questões da vida que embora sejam frequentes, sempre terão o poder de nos deixar chocados e sem respostas, como é o caso da morte.
O espiritismo é apenas uma visão religiosa, não prega em momento algum que para a morte ele trata e para outra questão, outra religião trata, o espiritismo é acima de tudo é estudo e resignação e nele (seus adeptos) encontram o refúgio necessário, não somente para o desencarne físico, mas para todas as questões, como é a prática em qualquer religião.
Nesses momentos, não devemos ficar buscando “visões religiosas”, o mundo inteiro chora a dor dessas pessoas e seus familiares e que chorem ao pé da ceita em que se sentirem mais confortáveis, caso seja no kardecismos, ótimo, mas não como válvula de escape para as dores da morte, mas como uma religião, como todas as demais.
Segundo o espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”. Sejamos pois, caridosos em oração, pois todos dependem desse carinho nessa hora, pais, amigos, namorados, colegas de turma, conhecidos, irmãos em Cristo, essas almas choram uma perda imensa, que possamos pensar apenas no amor de Deus, não é a religião que consola e sim o Deus misericordioso que está em todas as igrejas e centros religiosos.
Parabéns pelo post,
concordo totalmente…
Há legal saber que vc tbm segue essa doutrina…somos 2 :)
sou gaúcha ,e também sou espirita achei muito legal o seu post sobre espiritismo, parabéns bruna .A lei de causa e efeito é real tudo que passamos na terra ,é uma missão que temos que passar para nos tornamos espiritos mais evoluidos. :]
Se eu já frenquentava e me identificava com você e com seu blog, agora a admiração ficou ainda mais forte. Texto muito bom, Bruna! o Espiritimos ajuda muuto na hora da dor ou em qualquer outra situação que a gente não consiga compreender ou quando precisamos de um amparo.
Beijão, e sucesso!
Muito legal encontrar um post que fale sobre amor e respeito ao próximo, no meio de tantos outros assuntos.
O espiritismo tem me ajudado cada vez mais, e desejo que também ajude a todos.
Acompanho o blog há muito tempo, e fiquei realmente feliz por vc ter essa abertura de pensamento, e também por dividir com tantas leitoras.
Continue assim,
Beeijo Mari
fico muito feliz de saber que vc é espirita tbm!igual a mim… agr temos que mandar vibraçoes boas e de muita luz pra quem ficou e pra quem começou umma nova jornada no plano espiritual :)
Bom, não sou espirita. Entretanto, concordo que devemos ter respeito e orar pelos familiares das vítimas de Santa Maria. Tragédias assim fazem agente pensar, mas, só depende de nós mesmos – e de toda sociedade – se vamos mudar alguma coisa..
:D
Nasci em berço espírita e digo com convicção que todas as minhas perguntas são respondidas por esta doutrina. :)
Eu sou do sul, e estou muito triste com essa tragédia, vejo muitos querendo “achar um culpado”, mas esse não é nosso dever.
O mais dolorido é saber que nenhum jovem dentro da boate ocasionou a morte, eles estavam se divertindo e eram acostumados a organizar festas para juntar dinheiro para a formatura.
De ontem pra hoje já li vários relatos de mães, namorados e amigos, é triste ler e ver as pessoas chorando.
Sonhos perdidos, famílias desoladas.
Mas eu não entendi a parte do “Karma que em outras vidas essas pessoas compartilharam experiências iguais ou parecidas, sejam boas ou ruins, e nessa elas compensariam desencarnando do mesmo jeito”. O que essa frase da menina ali quis dizer?
Só pra salientar já li muitos livros espiritas e entendo certas coisas.
Também sou espirita Bruninha! Amei o post, e adorei conhecer mais um pouquinho da história da Dora *-*