
No começo de tudo, eu queria estar mais perto – bem junto, você sabe.
Mas me peguei indo no sentido contrário, para uma via totalmente oposta, em que não houvesse sinal da sua sombra. Sem sua presença, suas lembranças ou qualquer coisa que tenha a ver com as letras de seu nome. Se por um acaso ele voltar por aqui, pertencerá a outro alguém. Um homônimo.
Como se a vida fosse uma imensa agenda de contatos, fui lá e apaguei teu número. Não pense que não doeu: até chegar ao ponto de tomar essa iniciativa, pensei muito em outras formas para evitar fazê-lo. Quando vi que não tinha como, abri os olhos e fiz.
Na realidade, as coisas foram bem parecidas no meu celular também: teu rosto, com sorriso cheio, não aparece mais nas minhas conversas recentes… e não voltará a aparecer.
Se por acaso acontecer de você me chamar, não haverá resposta. Acho que, quando a gente corta pela raiz, não dá para deixar crescer de novo.
É para valer. Apenas decidi que iria para longe de você. E o tanto que pudesse: por mais que morássemos na mesma cidade, não importava. Eu não tentaria que fazer com que nossos caminhos se encontrassem. Se o destino não juntou antes, não haveria de nos unir agora.
Não sei se isso importa pra você, pelo menos não da forma como os efeitos de tudo o que nos liga reverberam em mim. Mas uma hora, quem sabe, você vai perceber que não estou mais ao teu lado como sempre estive.
Cadê ela? – Você poderá se perguntar.
Só que então terá se passado muito tempo desde a minha decisão. Já não me machuca mais. No início do texto, lá em cima, talvez até pesasse um pouquinho, mas, a cada instante, me sinto mais segura. Me concentro em encher o peito carente da mudança e seguir em frente.
Eu tomei distância de você e, quando fiz isso, já estava automaticamente limpando de mim os sonhos de tê-lo para sempre comigo.
É real o que dizem: após uma grande faxina, é sempre bom se livrar do que não serve mais, daquilo que há muito ficou estacionado na garagem. Pode envolver sentimento, mas a verdade é que só emperram o nosso caminho e acumulam poeira. É necessário o adeus para, quem sabe um dia, dar lugar ao novo.

7 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
adorei o texto!
http://entrevereviver.blogspot.com.br/
Brigada, Carol!
woww … tipo WOWWW, esse texto parece ter sido feito especialmente para mim!!!você acabou de descrever minha recente experiência,o rompimento de um grande laço emocional,uma grande amizade,talvez até um possível amor.Mas que só fazia ambos se afundarem e apesar de ser difícil se afastar essa era a melhor opção a se tomar.
Esse texto, assim como muitos dos seus, reflete exatamente como me sinto agora. Engraçado que há alguns meses atrás, comentei em um outro onde você falava sobre precisarmos seguir em frente e foi exatamente o que eu estava tentando fazer. Mas naquela época, as lembranças do que vivi ainda eram recentes e eu não conseguia imaginar como poderia superar toda aquela situação. Já hoje, enquanto leio esse, lembro daquele e concluo que é verdade aquilo que dizem que o tempo – e assim como o tema do seu texto, a distância – é um santo remédio. Beijos e obrigada por essas palavras sempre tão pontuais! ?
Vitória, obrigada você por este comentário! Saber disso tudo me inspira a escrever ainda mais. Um beijão!
Seu texto é a exata decisão que eu tomei de ontem pra hoje, derrubei as primeiras lágrimas ao lembrar que não verei mais aquele sorriso, que pra mim era o mais lindo do mundo. Ainda nao sou tao forte pra simplismente não responder mais, Mas esse momento vai chegar.
Obrigada por escrever pra mim o que eu sentia e não conseguia por em palavras, Obrigada pelo espelho que acabei de me ver.
Eu nem sei começar a dizer, mas irei falar do mesmo jeito, esse texto de cima em baixo, a cada palavra, mostra como eu me sinto, e como você me ajudou com certas decisões, sou grata eternamente, temos que aprender, que nunca ninguém vê o valor realmente até que perde,
Que texto lindoo, chorei ???