Certa vez me disseram que eu sou muito fechada. Era alguém importante e que me conhecia bastante, como pouquíssimas pessoas no mundo, eu diria, então considerei o comentário e coloquei na cabeça que eu precisava dar mais espaço para as pessoas na minha vida. Não estou falando profissionalmente, porque existe essa diferença pra mim. Dar mais espaço significava confiar. Contar meus medos e segredos. Ser um pouco menos durona. Baixar a guarda, mesmo que só nos finais de semana e dias de sol. Me tornar assim, um pouquinho vulnerável. Correr o risco de quebrar a cara depois. Oh, céus, quem me fez usar esse escudo?
A independência, talvez.
Demorei um tempinho pra admitir que eu era uma dessas pessoas que vivem dentro da bolha. Porque eu dedico tanto do meu tempo ao trabalho, que graças a Deus é algo que me dá muito orgulho e prazer, que nem consegui notar que estava me afastando das outras pessoas. Fisicamente isso já havia acontecido, pois eu estava em São Paulo há algum tempo. Convenhamos, quando não existe convivência é tão mais difícil manter o contato e ter assunto diariamente. Minha vida se resumia ao trabalho e eu nunca gostei de ficar falando sobre isso com os meus amigos mais próximos que me conheceram antes disso começar. Tinha medo de parecer estar me gabando, sabe? Contentava-me em contar as boas novas para minha família e pronto. Pro resto, quando perguntavam, dizia o básico e pulava logo para a próxima pauta.
Por ironia do destino, justamente a pessoa que me cobrou mais humanidade, agiu pelas costas de forma covarde e quando achei que estava perto da cura, me peguei trancando todas as portas mais uma vez e colocando o fone de ouvido no último volume só pra fugir da realidade e das mentiras desse mundo que definitivamente não é o meu. Eu não queria mais tentar me misturar. Ora bolas, meu coração não é de plástico. Ele não desmonta como me convém.
Em silêncio, do outro lado da cidade, segui meu caminho. Não foi tão difícil assim. Fiz como das últimas vezes. Escrevi durante madrugadas inteiras e canalizei boa parte dos piores sentimentos. Ocupei minha cabeça e logo o meu coração deixou de besteira e também entrou no ritmo. Decepções em geral nos fazem pensar sobre a maneira que levamos a vida. Principalmente quando estamos sozinhos. As músicas ganham outro significado. O pôr-do-sol e a chuva também. Penso que quando não temos alguém pra agradar, nos resta agradar a nós mesmos. E pra mim, amiguinhos, essa foi uma das tarefas mais complicada.
Como eu poderia saber quem sou eu nesse mundo sem ao menos vivenciá-lo um pouquinho? Sou uma ótima observadora, mas nesse ponto da história, precisei tirar os dedos do teclado e vestir o meu melhor vestido. Foi exatamente assim que me libertei, aos pouquinhos. Comecei aceitando convites e dizendo besteiras sobre o que eu achava que sabia sobre sentimentos. Sem nem me importar com o que iriam pensar depois. As pessoas já falavam sem saber de qualquer maneira. Que tivessem então um motivo pra me achar idiota.
O que uma garota de 19 anos pode saber sobre a vida? M* nenhuma, eu diria.
O universo fez questão de me dar os sinais, de um jeito até gentil, pois perdi a conta dos sorrisos e posso contar no dedo as lágrimas que deixei escapar nesse meio tempo. Não é fácil admitir certas coisas pra nós mesmos, mas ao contrário do que pensei, fica um pouco menos complicado quando mais alguém se importa. Não é tão simples achar alguém que realmente faça isso hoje em dia, mas também não é impossível. Talvez nem todos os amigos só estejam interessados em favores. Existem pessoas que pensam como eu. E melhor, existem pessoas que agem como dizem. E elas andaram me ensinando um bocado de coisa.
Você estava errado. Todos nós vivemos dentro de uma bolha e nem sempre podemos controlar a direção do vento, mas a maneira que enxergamos o trajeto e quem escolhemos para estar ao nosso lado, isso sim, é uma tarefa completamente nossa. São atitudes, palavras, valores e um monte de coisas que a gente só descobre o verdadeiro valor quando aprende a ser leve.
E assim, acredito eu, vamos longe.


33 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
A verdade é que vc parece bem madura pra sua idade. Ótimo texto. :wink:
Oi Bruna! Parece até que te conheço, faz tempo que vejo seu blog mas só comecei a acompanhar realmente a pouco tempo, desde que entrei na blogosfera. Acho incrivel como seus posts parecem que foram feitos para mim, é sério sei exatamente do que você está falando, como é dificil confiar em alguém e
conseguir sair desta bolha.
estou na mesma situação, a diferença é que não achei ainda motivos pra destrancar as portas…
Aff, mais um texto o qual me identifico. <33 Também sou assim e sempre fui fechada por ser muito fácil me atingirem. Sempre senti demais, muita gente chegou, foi embora, mas ficou em mim. A barreira foi inevitável. Às vezes acho que por ser tanto assim acabo criando contatos superficiais. É algo que reflito constantemente e tento mudar aos poucos. Você é sim muito madura. Os tropeços da vida ensinam mais que qualquer outra coisa. Parabéns mais uma vez pela sinceridade nos textos, você merece tudo isso. :)
Uma garota de 19 anos que já é independente e não tem medo de escrever sobre seus sentimentos com certeza sabe mais da vida do que um monte de quarentão que sempre viveu a mesma vidinha de sempre :)
Nossa como eu tenho me identificado com os seus textos ultimamente, quando leio e como se eu tivesse escrito.
Mais um texto lindo, Bruna. Mesmo as pessoas mais especiais ou mais próximas não enxergam o nosso mundo exatamente como tem que ser.
Bruna, vem cá, me abraça.
Sabe quando tudo o que você quer dizer se passa através do texto de uma outra pessoa? Então, me sinto exatamente assim.
Um dia vamos encontrar paz e felicidade plena nessa cidade louca e cinza, onde cada vez menos as pessoas se importam com os outros.
Mas podemos dizer que a exceção existe e que vale a pena continuar firme e forte por ela.
:*
nossa.
eu me surpreendo com o que leio nese blog.
Parabéns pelo texto, que eu diria que foi muito bem escrito!
acho que alguem de 19, que teve a coragem de se jogar no ‘mundo adulto’ sabe da vida exatamente o que precisa saber agora ;) e nunca deixa de aprender e crescer
Na verdade ser fechado não é que você não queira se abrir, mas talvez que você já se machucou tantas e tantas vezes por fazer isso, que fica dificil voltar a fazer.
Beijos :*
http://pequenosviciosdiarios.blogspot.com.br/
Nossa, parece até um pouco assustador como eu estou vivendo exatamente a mesma coisa que você. Ontem mesmo me disseram algo que se não idêntico, muito parecido. Obrigada por sempre ajudar! Gostei muito do texto, bj
Mais um texto maravilhoso Bruna, é incrível como você consegue me emocionar, e parece que toda vez que eu estou mal, precisando de alguém, de uma palavra, você sempre esta comigo, rs mesmo não me conhecendo, e quando eu termino de ler é como se você estivesse na minha frente me falando que eu não estou sozinha, quero agradecer um milhão de vezes ao cara idiota que te deu um fora ~não que você merecesse~ mais se isso não tivesse acontecido sua vida talvez não tivesse mudado tanto, e você não estaria ajudando tantas pessoas, e se ajudando, nós estamos juntas Bruna, nesse imenso mundo, criando forças para uma nova fase apos uma fase ruim. Um grande beijo.
Olá, Bruna! Acompanho o blog em dias intercalados, pra trazer mais leveza aos dias! E as partes que mais gosto, são as crônicas… Acaba em todas elas deixando um pouco de si, e eu acho bonito essa doação nos projetos. Não só fazer, mas deixar de fato algo de si, em alguns casos você deixa os sentimentos que não quer mais. E isso todo dia é ainda mais libertador.
Gosto dessa sensação de leitor que se sente perto do autor. Tão bonito ler o seu sucesso!
Que você continue assim! beijos e uma semana abençoada!
:)
[…]Penso que quando não temos alguém pra agradar, nos resta agradar a nós mesmos. E pra mim, amiguinhos, essa foi uma das tarefas mais complicada[…]
Definitivamente, esse texto e principalmente este trecho tem TUDO a ver com o que estou vivendo ultimamente. Além de me identificar muito com você Bruna, tanto na idade, quanto na maneira de pensar e pro incrível que pareça, a de agir também! Rs
Parabéns por conseguir se expressar em poucas palavras que dizem tudo (ta aí uma coisa em que somos hiper diferentes).
Obrigada por conseguir fazer isso, de certa forma, sempre acaba me ajudando! :*
Meu Deus, que texto maravilhoso. Essas palavras se encaixaram perfeitamente na minha vida, no momento em que estou vivendo.
E esse último parágrafo? Uma das melhores coisas que li nos últimos tempos…
Bruna no mundo todas as pessoas sofrem com decepções,seu coração não é de plástico,mas deu pra perceber que por tudo o que você passou,(deixar sua casa,o garoto que te magoou,e outras coisas)você é forte.Não se feche!Uma pessoa fechada não é plenamente feliz,nem uma totalmente aberta.Faça novos amigos,converse com as pessoas e veja quem merece sua confiança.Felicidades linda.Você merece :))
Mais um texto que parece esta falando comigo, eu só assim fecha em um mundo só meu .Agora que eu estou me soltando mais já saiu com os meus amigos que é uma coisa que eu não fazia , você cada dia me salva mais deste mundo solitário que eu vivia . Muito Obrigada por esta me ajudando com suas palavras
“Tempo, tempo, tempo, tempo é um dos deuses mais lindo…” :wink:
Obrigada por sempre me ajudar, Bruna! Você é muito especial.
Vivo essa mesma situação, talvez eu ainda não saiba como agir, bom seu teto me ajudou muito a refletir, e obrigado por me inspirar e inspirar milhares de garotas por aí.
beijos
https://www.facebook.com/crescendoaospoucos?fref=ts
http://crescendoaospoucos.wordpress.com/
Falar o que pra descrever seus textos? Talento você tem de sobra.. amei!
http://www.aforademoda.com 8-O
Me vi no texto, totalmente. Parece um pedaço da minha vida!
O início do texto parece que está me descrevendo! Tento mudar em relação a isso, não acho que seja bom viver trancada e confiar em poucos. Ás vezes as pessoas até merecem confiança, mas eu travo com medo de ficar vulnerável.
Concordo totalmente você, também me sinto assim as vezes. Adorei o texto!
http://www.espacegirl.com
Exatamente o que estou vivendo agora! Sempre vivi e vivo numa bolha e no dia em que eu tomei a decisão de que realmente tentaria sair, meus dois amigos mais fieis magoaram-me profundamente. Agora não vejo mais motivos de sair da minha bolha, de viver sabe? Porque tudo leva ao sofrimento, e não quero confiar mais em pessoas erradas, eu sei que tenho que viver e tal, mas o fim sempre é triste e isso não é nem um pouco estimulante.
Esse texto me descreveu totalmente! às vezes tento me “abrir” mas é difícil…
Mas eu quero mudar esse meu lado introspectivo, msm que seja só um pouco. Pq é complicado ficar sempre distante dos outros…
”Você estava errado. Todos nós vivemos dentro de uma bolha e nem sempre podemos controlar a direção do vento, mas a maneira que enxergamos o trajeto e quem escolhemos para estar ao nosso lado, isso sim, é uma tarefa completamente nossa.
PERFEITO!!!
http://trancadoasetechaves.blogspot.com.br/
Amei o texto,mas passei pra dizer que notei as pequenas mudanças do blog,fiquei meio perdida mas achei tri, depois que me liguei que passei correndo do titulo ao texto,e só depois vi que tinha uma fotinho lá e talz.Hehe
Bjusss.
Muitas vezes achamos que o mundo continua e que nós estamos paradas, sozinhas. Acho que na verdade, no fundo, todos passam por isso. E sempre vamos achar que com nós é maior. Só sei que me sinto assim… Parecem que as pessoas com quem eu me daria bem estão longe de alguma maneira, mas que um dia eu vou encontrar. Você é uma dessas pessoas. Adorei o texto, como sempre.
Me identifiquei bastante com esse post! Mt legal, Bruna, as vezes a gnt tem que deixar de se importar tanto para o que os outros dizem e “vestir o nosso melhor vestido” mais vezes e ser feliz que e o mais importante! :*
Belo texto!
“Estar errado” confesso que muitas vezes mim peguei pensando nesta simples frase e que tanto nos intimida, e sinceramente nunca consegui descobrir o seu verdadeiro sentido, afinal o que é estar certo ou errado? As vezes nem tudo o que dizem ser errado de fato o é. Muitas vezes disse que a opinião alheia pouco me importava, na verdade eu só repetia automaticamente para que os outros não notassem minhas fraquezas, para que vissem que eu era imune a elas…
Bom! Parabéns pelo blog e tudo mais xero >^^<
Bom fiquei bastante reflexiva nesse texto, apesar de acharmos que a intensidade dos fatos está ligado com a idade, isso não é obrigatoriamente certo em todos os casos. Eu me sentia muito mais preparada antes aos meus 18, do que agora nos meus quase 21. Eu sinto que falta muita coisa… Eu sinto que eu preciso reclamar de está sozinha, e cansada do trabalho e com muitos trabalhos da faculdade para serem resolvidos. Porque eu hoje me encontro presa num livro adolescente.
Eu queria dizer que as pessoas que me apontam e me decepcionam estão erradas. No meu caso não só um.
Até chorei, porque me sinto sufocada morando com meus pais, preciso morar sozinha, ter as coisas a partir do meu suor, ter as minhas coisinhas, meu cantinho. Realizar meus sonhos, de escrever e compreender pessoas… Eu queria ser eu, pois sei que eu sendo eu, decepcionaria meus pais e eu não quero isso. :cry:
http://blogpsike.blogspot.com.br/