
Feliz 2026, queridos leitores. Levei mais tempo do que imaginei pra voltar aqui porque a vida exigiu de mim de formas que eu não esperava na reta final do ano, mas felizmente agora escrevo mergulhada em uma calmaria que só é verdadeiramente apreciada depois de tempos bem sombrios e assustadores. Os 12 meses do último ano passaram num piscar de olhos, mas ao mesmo tempo pareceram décadas inteiras de revoluções internas. Mudar de endereço, terminar um livro, morar em outros países, fortalecer uma relação amorosa, completar 31 e cuidar de quem cuidou de mim foram processos que eu tive o privilégio de viver enquanto tentava me manter visível e relevante aqui nesse mundo digital que eu chamava de refúgio (lembra?).
Tenho pensado bastante sobre como a internet costumava ser o meu espaço seguro e tranquilo, mas que com a dominação dos algoritmos e dos conteúdos gerados/genéricos sugeridos pra gente a todo instante a sensação é de que estar aqui exige mais do que oferece. Eu não quero que esse seja mais um relato sobre a tentativa de diminuir o tempo de tela enquanto eu me debruço no meu notebook tentando fazer algum sentido através dessas palavras, mas a verdade é que sinto falta de profundidade, conexão e algum nível de controle do que eu estou consumindo. Sinto saudade de conhecer as pessoas mesmo online, de saber a história delas, de fazer isso com uma certa calma, aos poucos. Faz algum sentido pra você ou eu tô sendo apenas velha?
Ah, e eu comecei a fazer terapia. Precisei. Meu namorado insistiu o ano todo e foi só quando ele parou de fazer isso que eu tomei coragem de enviar a mensagem e marcar a ligação de vídeo. Não gosto muito quando ele tenta me ensinar como lidar com os meus problemas, prefiro quando ele se mostra disponível pra me escutar. Mas em um determinado momento eu entendi que ele não podia fazer isso sozinho. A terapia? Foi mais tranquila do que eu imaginava. Ainda estamos ganhando intimidade, mas me abrir não é bem um problema pra mim. Só é diferente tirar todos os filtros que geralmente existem quando eu estou escrevendo. É um tipo de liberdade que eu ainda não conhecia. Gostei.
Bom, eu não viajei no final de 2025 ou começo desse ano como boa parte dos meus amigos próximos, porque sinto que esse é o meu momento de apreciar a tranquilidade que é cada vez mais rara na vida da gente. São Paulo vira outra cidade em dezembro e eu gosto de fingir que ela é sempre assim. Os gastos extras com a cirurgia da minha mãe e o golpe do falso taxista que eu acabei caindo também influenciaram nessa decisão. Aproveitei as ruas vazias sem trânsito pra jantar fora, fazer massagem, malhar tranquilamente sem ter que dividir aparelho, passear com a Berry e simplesmente sentar na grama e tomar um solzinho porque sabia que naquela altura do campeonato todos estavam festejando em algum lugar com praia. Zero FOMO. Eu também estava festejando. Do meu jeitinho.
Tenho cansado de ver ou fazer retrospectivas. De me sentir nostálgica e melancólica. Talvez o último ano tenha servido para perceber meus loopings mentais e fechar alguns ciclos que estavam abertos há anos. Infelizmente nenhum acontecimento externo tem a força de fazer isso por você. Seu mundo pode virar de cabeça pra baixo, mas ainda vai ser a sua capacidade de olhar em volta e reagir diferente que realmente muda alguma coisa. Caso contrário só estaremos escrevendo novos números na agenda, indo ao shopping de última hora pra comprar a roupa brilhosa mais horrorosa que restou e adicionado ao carrinho um novo produto de skincare do momento que apague rugas pois não estamos prontas para envelhecer.
Eu quero estar. Eu tenho me sentindo uma grande mulher de 31 anos, mesmo usando um short de babados, trança de lado e tendo um céu pintado no teto do meu quarto. Isso não é maravilhoso? Eu acho.