você está lendo Perfeitamente brilhante
amor

Foto: August Glory

Você está num caminho escuro, dentro de um carro, numa rua em que todas as luzes estão apagadas ou muito fracas. O que te rodeia é apenas um amarelado que mostra um pouco da calçada e do pavimento na sua frente. Nisso, o carro continua seguindo e você começa a ver as primeiras luzes de uma rua diferente, movimentada e cheia de cores.

Curiosidade. Uma alegria involuntária. Uma sensação de despertar quando você já estava quase caindo no sono. É, acontece.

Quando te vi pela primeira vez foi bem assim.

Eu não estava interessada em conhecer alguém novo. Não queria achar o amor da minha vida ou mais um contato adicionado na agenda do celular. Mas aí te conheci e, como as luzes coloridas no final da rua, você se destacava – e ao mesmo tempo em que acendia tudo ao seu redor, iluminava uma parte muito boa de mim mesma.

Engraçado como às vezes a gente bate de frente num muro. As pessoas parecem ser algo e, no fim, não o são. Eu já me ferrei com essa falsa impressão de alguém que nem valia tanto a minha atenção e, por dentro, rolava sim aquele 1% de medo de você não ser tudo o que eu estava imaginando.

Mas não foi assim. Essa pequena dúvida se dissipou em nossa primeira conversa e eu percebi que você era ainda muito mais. É, ferrou. Foi o que pensei. Dava vontade de ficar ao lado, de puxar todos os assuntos do mundo, de saber qual era a sensação de um abraço seu – e eu logo a descobri.

Era quente, mas não me abafava. Era um abraço apertado, mas também não me privava de mover os braços. Trazia conforto e, ao mesmo tempo, um sorriso de liberdade. Me deixou com os cabelos amassados e eu nunca me senti tão bem com eles emaranhados assim. Trouxe sabor de frescor misturado a um cheiro doce, que não me enjoou nem por um segundo. Foi tudo isso ao mesmo tempo: frio na barriga e a certeza de que este era o primeiro mergulho irreversível num mundo novo. O seu mundo.

E você me recebeu muito bem nele, não foi? E eu, que imaginei que você já era uma pessoa iluminada o suficiente, cheguei acendendo ainda mais luzes dentro de ti e descobrindo algumas vindas de mim – e há muito apagadas. Hoje fazemos um par longe de ser perfeito. Mas perfeitamente brilhante. E a gente leva as coisas assim: tão claras que nos inspiram a ser alguém sempre melhor. Para nós mesmos e um para o outro.