
Tanta gente no mundo.
Você as encontra. Se cruzam, esbarram-se, trocam olhares e até algumas conversas. É verdade: por algumas, você cria simpatia – enquanto outras você prefere até evitar.
E por dentro de cada uma delas, o que terá?
Todos os medos, sonhos, anseios, angústias e histórias que todos nós carregamos e que, juntos, nos fazem ser exatamente como somos. Por trás de cada sorriso ou cara amarrada, há uma trajetória que nem sempre todos conhecem.
Um caminho que apenas a própria pessoa percorreu e sabe dizer como é que foi.
E então, de repente, nos deparamos com o relato de apenas uma delas. Só uma. Aquela que resolveu se sentar ao seu lado no banco do ônibus e começou a falar sobre a vida.
Antes de ela sentar, não minta, você deixou seus preconceitos serem jogados por cima daquilo que via. Imaginou uma idade, uma vocação, o motivo da viagem… Mas, quando ela abriu a boca e começou a falar, talvez para desatar um pouco o nó apertado que estava em seu peito, você percebeu que não era nada daquilo.
Você ouve, atenta, as histórias sobre as dificuldades diárias e como ela dá seus pulos para contornar isso tudo. Suas paixões e gostos, todo aquele amontoado de coisas que a faz continuar resistindo às pressões do mundo e procurar sempre fazer o que é certo e a lista infinita de seus afazeres diários. E aí vem o seu espanto: como o dia de alguém pode render tanto, ter muito mais do que 24 horas?
E então a comparação com a sua própria vida se torna inevitável. É bem diferente e olhar as coisas a partir da perspectiva com a qual esta outra pessoa as enxerga, para você, é algo completamente novo. Mas é isso o que a tal da empatia faz: agora, você já deu tchau e foi para o seu destino com um pouquinho dela em você. Olhando as coisas com o seu jeito de sempre, mas dando margem a uma segunda investigação, a um segundo olhar.
Aí você lembra que, iguais ou diferentes a esta pessoa que cruzou a sua vida, somam-se mais de cinco bilhões de pessoas. Quanta gente, quanta coisa!
Que bonito pensar que, na simplicidade de cada um, cabe um infinito de possibilidades.

6 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
No meu caso, geralmente quem acaba puxando papo comigo são idosos e eu sou toda ouvidos!
Mas claro que eu já julguei algumas pessoas só no momento em que elas se sentaram ao meu lado, mas com o tempo eu aprendi que cada um tem uma história, cada pessoa dentro daquele ônibus tem um propósito.
Ótima reflexão, Au!
Beso, Cá entre nós, miga! ?
Lindo texto! As vezes,nos faz um bem danado ouvir a história de vida de pessoas nas quais recebem de nós uma imaginação que (quase sempre) contradiz com a realidade. Nos faz bem,pois nos valorizamos ao perceber que ganhamos com “facilidade” aquilo que aquela pessoa batalha para ter,o nosso olhar muda a partir daquela experiência,e passamos a reduzir nossas reclamações! Cada um tem dentro de si,coisas que só ele mesmo sabe,e que é quase impossível ser decifrado pelos outros!
Que texto lindo! Geralmente isso acontece quando chegam alguns pacientes aqui na clínica onde trabalho, principalmente idosos. Dá pra ver como são carentes e o quão tem a nos ensinar!
http://www.desencana.com
Texto muito bom, faz um bem danado ouvir um pouquinho a história das pessoas, aprendemos tanto.
http://souadultaagora.blogspot.com.br/
Há tantas histórias inspiradoras por ai <3
https://www.colab55.com/@anabanana
adorei o texto, muito legal!
http://entrevereviver.blogspot.com.br/