Perceberam que eu não estava bem. Teve gente que disse que com o tempo isso passaria – já outros recomendaram um filme legal, uma comida gostosa e uma conversa entre amigos. Tudo isso seria ótimo, mas eu sabia muito bem qual era a companhia que eu mais desejava ter naquele momento. Eu só queria que você chegasse logo.
Olhei para a porta várias vezes para ver se era você. Não era. Sabe aquele sentimento de quando a gente quer muito algo e, na ansiedade, acaba achando a todo momento que, quando acontecer, fará valer toda a espera? Sim, isso pode ser bem decepcionante.
Parece que nada tem graça e, quanto mais eu tento procurar um significado diferente em meio a tudo aquilo que já conheço, mais me lembro de você. Daqueles filmes que assistimos juntos e de todos os enredos que tinham aquele final fácil de ser adivinhado. Do seu jeito único de pegar na minha mão e ficar olhando para ela minuciosamente, como se examinasse cada linha que corta a palma.
Um dia você disse que queria ler o meu futuro e, brincando, falou que a gente teria uma vida muito feliz e cheia de histórias pra contar. Juntos? No dia eu não dei muita bola, achei graça e disse que leria a sua também: fiz alguma brincadeira boba e logo mudamos de assunto.
Meus olhos só conseguiam ver um amigo – mas os seus já estavam apaixonados. É verdade, demorei pra te olhar assim também.
Agora eu consigo ouvir o som da sua voz na minha cabeça e, de repente, esta entonação parece ser a mais agradável do mundo. Consigo amar cada pequeno detalhe seu, e todos eles me fazem uma falta enorme. Cada vez que te imagino aqui, parado ao meu lado, meu corpo se arrepia e a vontade de te abraçar se torna insuportável.
A verdade é que os ponteiros do relógio podem dar várias voltas, mas o sentimento não diminui, só aumenta. Desde que percebi a verdadeira natureza do que eu sentia, a impressão que tenho é de que a sua falta me faz te amar ainda mais. Isso é tão estranho… A ausência era pra fazer a gente esquecer. Daí valorizo até aquelas coisas banais do nosso dia a dia conturbado. Eu nem ligava para elas antes – fico pensando no tanto que gostaria de reviver todos os dias tão divertidos que passamos juntos.
Eu até já sei o que você vai dizer, um verbo muito simples que simboliza tudo isso: valorizar. Só nove letras e um significado enorme, né? É só nesse momento, em que percebo que não precisaria de mais nada além da sua companhia, que eu me dou conta do tamanho do amor que sinto por você. É grande – e poder sentir isso é muito incrível. Acho que é esse o efeito da falta. É um pouco difícil de admitir, mas é real: é isso que a saudade faz.


6 comentários
Uma conversa de leitora para leitora.
Este espaço continua sendo seu também. Comente com carinho e respeito por quem está lendo.
Leve e deleitoso, como sempre, Au. É uma delícia observar que não PRECISAMOS do outro o tempo inteiro, mas quando guardamos aquela dependência saudável do querer, faz tudo ser válido, não é? Queremos compartilhar vitórias e derrotas, detalhes e pontos ao olho nu. É essa urgência do querer que comprova o sentimento, que faz com que façamos pelo outro como por nós, que faz tudo inflamar como um certo desespero. O resto é morno. E morno, nem é.
http://www.semquases.com
Siim <3 É uma dependência diferente, eu sempre penso que temos que nos sentir completas sozinhas. E então, quando vem alguém especial, o sentimento de querê-lo todo o tempo é outra coisa, proveniente do amor forte entre os dois. Isso é lindo <3
obs: e mais um comentário arrasador seu!
Que lindo, realmente a palavra é valorizar! Aproveitar enquanto tenho meu amor aqui ao invés de sentir saudade quando ele não estiver mais! Parabéns <3
Beijão http://valeumasnao.blogspot.com.br/
Os seus textos são maravilhooosos como sempre. Eu sou MEGA grude, é até um problema pra mim. Não é saudável sentir uma dependência, torna o relacionamento nada saudável. Sinto que melhorei muito, e mesmo o meu namorado me ajuda bastante.
Beijos,http://loveiscolorful.com/
ta ai uma das verdades mais verdadeiras só damos valor quando não temos mais, fazer o que né!
adorei o texto.
beijos
http://entrevereviver.blogspot.com.br/
Saudade é realmente algo inexplicável. Ano passado foi graças a ela que eu consegui admitir que não é vergonha riscar um dia no calendário cada vez que o dia do outro chegar. É um sentimento tão peculiar que dá vontade de guardar só pra mim, sem compartilhar com ninguém, afinal, não há outra pessoa no mundo que sinta igual. Eu costumo dizer que a fórmula da saudade é “distância X amor”, e dessa multiplicação sai um resultado estratosférico que faz um vazio aqui dentro. É só a saudade que mostra que aqui dentro do peito alguém já fez uma marquinha deixando claro a importância dos momentos bobos e a falta que eles fazem.
Seus textos são fascinantes, venho aqui sempre e você sempre me inspira sz
http://www.normaldemais.com