você está lendo Agora a minha praia tem você

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Juntei todas as conchinhas que encontrei pelo caminho. Foram tantas que algumas até chegaram a cair novamente na areia, lugar de onde vieram. Não tinha o tanto necessário de mãos para carregá-las, mas aí você me ofereceu as suas e resolveu o problema. Caminhamos juntos por toda a orla e me dei conta do quanto é bom passar por um momento assim, num lugar tão especial, com você.

Já vivi momentos de amor e ódio com a praia. Às vezes achava bom, às vezes detestava. Tive fases em que tudo o que queria era um lugarzinho frio e aconchegante (como aqueles que apareciam nos filmes americanos), até perceber que o calor também tem lá as suas vantagens. Foi um pouco antes de te conhecer que me dei conta de como praias poderiam, sim, ser bastante divertidas – por muito tempo imaginei histórias que eu ainda viveria nelas.

Aquele luau ao qual ainda não fui, fogueiras em volta do violão (e um monte de músicas tranquilas), pessoas incríveis que eu ainda encontraria e dias inteirinhos de diversão. Tudo isso habitava os meus pensamentos e planos, até que… bom, até que pude aproveitar o mar na sua companhia e percebi que os detalhes e momentos, por mais simples que sejam, ficam ainda melhores quando estou de mãos dadas contigo.

Com você, cavo buracos imensos na areia tentando encontrar o outro lado do mundo, construo todos aqueles castelos que tinham perdido a graça há tempos e corro para a água do mar sabendo que não estou sozinha. Você vem logo atrás, pronto para rir da onda que quase nos derruba. Volto a ser criança em apenas alguns instantes e sei que, por dentro, você se sente exatamente da mesma forma, porque toda vez que o seu coração sorri, é a sua boca que me mostra isso.

Nem ligo quando não encontro o palito de picolé premiado, quando percebo que a água de coco não está tão doce assim ou quando o milho verde cai em mim e me faz ter que procurar uma ducha. Mesmo toda suja, acabo achando graça e você se diverte ainda mais. Pode rir que não tem problema, não. Sei que é mais um daqueles momentos dos quais lembraremos um dia. Você vai, como sempre, ficar falando sobre o meu sorriso bobo, e é em horas como essas que percebo: até as pequenas desventuras que, antes, eram vistas como azar, viram sorte.

Continuamos na água até o sol começar a se despedir e a vontade é de ficar eternamente assim: o mar, você e eu. O tempo está quente, tudo vêm ficando mais calmo e a noite começa a cair devagar, até o breu tomar conta por completo, escondendo aos pouquinhos este lugar tão lindo.

Basta uma troca de olhares e já sei: eternizamos uma nova lembrança. E eu amo o verão ainda mais.