vida

Passado acabado

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Desculpa, parei de falar sobre você. E, automaticamente, parei de lhe dar notícias sobre a minha vida, o meu dia-a-dia e o meu coração. É que as coisas andam tão corridas por aqui que não tive tempo de olhar para trás e caçar em que canto do meu quarto você foi parar. Aliás, essa é a maior verdade que eu ainda posso falar sobre a nossa história: ela ficou ali, parada em nosso passado, como um quadro bonito que, vez em quando, gosto de observar. Mas só, querido. Só.

Escrevi muitos textos sobre você. Uma parte de mim quis que você voltasse, então sofri. Muito, mais do que achei que sofreria. Chorei por horas e me vi assistindo aqueles filmes água-com-açúcar que eu jurava que nunca iria assistir. Pior: chorei com eles. Acredita? Se não acredita, também não me importa. Essa é outra novidade que não te contei: deixei de ligar para as suas opiniões.

Talvez seja difícil para você, aí de fora, aceitar que minha vida seguiu. Afinal, passei tanto tempo remoendo o nosso romance, nos encaixando em canções românticas das minhas bandas preferidas, te vendo em cada rosto de mocinho do cinema. Minhas amigas não acreditaram quando eu contei. Minha família também não. Meu pai ainda tem dúvidas e questiona em cada almoço de domingo. Eles não entendem como fui forte e madura para esquecer você assim, tão rápido.

Mas esqueci você, se é o que está se questionando aí. Arranquei cada pedacinho de nós dois do meu coração e fui viver a minha vida, como você insistiu que eu deveria fazer. Cuidar dos meus problemas, não foi esse o conselho? Segui as instruções e te digo: gostei de onde você me levou. E é por gostar tanto que não volto, perdão. Pode ficar aí com as minhas lágrimas, as suas promessas baratas e o meu jeito inocente e bobo de acreditar em você. Deixo que desfrute o quanto quiser da menininha ingênua que você conheceu, mas aqui, agora, só há uma mulher ocupada demais para seus joguinhos de Don Juan.

Quanto a você, deixou de ser meu problema. Por isso, fique aí, bem longe, fazendo o que bem entender. Deixei de me preocupar, querido. Beije quantas quiser, iluda tantas outras mais, brinque com o coração de quem aceitar seu jogo. Seja feliz, querido. Por Deus, seja feliz sem uma louca como eu aos seus pés. Porque, contrariando a todos, eu te esqueci. Mas difícil e insuportável mesmo não foi te esquecer, foi amar você.

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Querido 2014…

ano-2014

Querido 2014, queria deixar algumas coisas bem claras logo de cara. Acho, mesmo, que é importante a gente já estabelecer algumas regras logo no começo. E, aí, eu cumpro daqui as minhas obrigações e você cumpre daí as suas. Combinado?

Seja intenso, 2014. De um jeito que só vocês, anos pares, sabem ser. Me ensine o que tiver que ensinar – eu quero crescer, abrir a mente, olhar novos horizontes – mas seja cauteloso com as dificuldades. Sei que nem sempre dá para ser bom, mas se tiver que ser ruim, faça-o com cuidado e calma. Espere que eu respire fundo e arranje forças sabe-se-lá-de-onde para encarar a parte ruim que você possa trazer. Mas seja bom também, por favor. Aliás, seja ainda melhor do que todos os outros anos anteriores. Estou apostando tudo em você.

Vou correr atrás dos meus sonhos. Esta parte você pode deixar nas minhas mãos. Não espero que me entregue nada de graça, mas, se puder, mostre-me com mais clareza as oportunidades. E eu trato de agarrá-las. Seja divertido também, porque não há tristeza que não melhore com uma boa dose de bom humor. E acho que isso é o mais importantes que espero de você: risadas.

Traga pessoas novas para a minha vida. E lugares novos. E chances novas. E aprendizados novos. Traga novidades. E eu faço de tudo isso o melhor que eu puder fazer. Aliás, acho que este é o trato que podemos estabelecer: tentar o máximo possível. Eu e você. Fica combinado assim?

Não copie 2013. Foi um ano bom, é verdade. Mas acho que não dá para ficar olhando para trás. Então, providencie um mar de ondas boas, leves e novinhas-em-folha. Porque, para mim pelo menos, você já vai começar todo especial. E, por isso, espero muito de você.

Não espero, porém, que a gente viva uma eterna lua de mel, 2014. Talvez a gente brigue ao longo do caminho. Talvez eu te odeie um pouco. Talvez eu diga, algum dia, que você é um dos piores anos da minha vida. Mas tomara que, lá na frente, o balanço final seja bom. Tomara que tudo dê certo. E, se não der para dar certo, tomara que haja força e fé o suficiente para encarar, também, as derrotas.

Venha com tudo, 2014. Faça o que tiver que fazer. Vamos lá, chegou a hora. Que seja bom, doce, divertido, alegre, acolhedor e tudo mais que tiver que ser. Tomara que me ensine – o que tiver que ensinar. E tomara que seja único. Você e eu, 2014. De mãos dadas até o final. E, se não for pedir muito, tomara que você seja o melhor tempo de nossas vidas. O melhor ano até agora. Ou o que der para ser. Combinado?

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Vídeo: mostrando o álbum de família

album-de-familia

No final do ano todo mundo fica meio nostálgico. Resolvi aproveitar esse clima de retrospectiva que tá rolando na internet pra gravar um vídeo onde mostro várias fotos e conto fatos da minha infância no interior. Parece que foi ontem, mas essas fotos foram tiradas lá nos anos 90. E aí, vamos voltar no tempo comigo?

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Sobre ser legal consigo mesmo

autoestima

Você está prestes a sair para um compromisso que planejou por dias. Escolheu a melhor roupa, fez todos os seus truques de maquiagem, passou batom vermelho para chamar atenção. E então, minutos antes de sair, esbarra os olhos no próprio reflexo. Pronto. Tudo vai por água abaixo. Você pensa: estou feia. E a coisa só piora quando você chega a terrível (e equivocada) conclusão de que não apenas está feia, mas é assim.

Autoestima é uma coisa complicada. Para todo mundo. A primeira coisa que nos vem à cabeça quando esta palavra é citada em uma conversa é a monstruosa imagem do espelho. Se estamos falando da sofrida fase da adolescência, então, o problema se multiplica. A gente encarna uma bruxa da Branca de Neve às avessas e questiona sem parar: espelho, espelho meu, há alguém no mundo mais feio do que eu?

No dicionário, autoestima está assim: a aceitação que o indivíduo tem de si mesmo. Nada de aparência na definição. Nada de “outros” também. É autoexplicativo: trata-se do acordo silencioso que você faz consigo mesmo de que é um cara bacana, uma menina legal, uma pessoa bonita, alguém que merece todo o carinho, cuidado e, principalmente, todo o respeito do mundo (dos outros e de si mesmo).

Na teoria é fácil, é claro. A gente acorda, se olha no espelho e, ainda que de cara lavada, acredita piamente que ali está o reflexo de uma pessoa maravilhosa. Na prática, são outros quinhentos. Há as espinhas, os aparelhos, as gordurinhas, os pneusinhos, as celulites, as estrias, o cabelo que não obedece, o nariz grande demais, a altura exagerada, as paranoias, os defeitos que só a gente vê, as neuras, as neuras, as neuras, as neuras…

Pior de tudo é que, no mundo real, a maioria de nós precisa não só da aceitação interna, mas também a aceitação de todas as pessoas que vivem ao nosso redor. E, de vez em quando, as pessoas são cruéis. E dizem coisas que machucam. E chamam as outras pessoas de gordas, girafas, narigudas. E dizem que você não deveria usar tal saia porque seu quadril é grande demais. Porque está destacando sua barriga. Porque deixa você menor.

No fundo, no fundo, a verdade é que a gente cresce querendo buscar a perfeição. E, como a gente nunca consegue alcançá-la, a gente acaba apontando o dedo para os outros. E, enquanto aponta no outro aquilo que, supostamente, é imperfeito, acabamos apontando, pelo menos, outros três dedos para nós mesmos e nossos próprios “defeitos”.

Até que um dia você repara que perfeição não existe. Todo mundo tem falhas, todo mundo erra, todo mundo acha um cabelo branco uma vez na vida, vai mal em alguma prova, recebe uma medalha de bronze no lugar de uma medalha de ouro. Acontece com todo mundo. Um dia a gente acorda se achando linda, no outro nem tanto assim. Um dia a gente ganha, no outro a gente perde. O que não dá é pra viver se diminuindo perante tudo e todos na vida. O que não dá é pra sobrevalorizar tanto as nossas falhas e esquecer todas as coisas legais que a gente faz, a pessoa legal que a gente é.

Ninguém precisa ser o mais lindo do mundo, o mais sexy, o mais magro, o mais alto, o perfeito. Dá para se cobrar menos, sabe? Há muitas coisas na vida além do espelho. Entender isso é o primeiro passo para começar a respeitar suas próprias “imperfeições” e melhorar a forma como você se vê. E, te garanto, ter alta autoestima é bom para você e para todo mundo, afinal, te ajuda a ficar mais feliz. E, como dizem por aí (não sei quem é o autor), gente feliz não enche o saco, não é?

Não é fácil, mas dá para rolar uma ginástica mental. É tipo cantar Naldo, sabe? “Pra ficar maneiro joga a autoestima lá no alto! Alto, em cima, alto, em cima, alto, em cima, em cima, em cima, em cima…”. Opa, a música não é assim? Ah, é quase isso…

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