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Os tempos são difíceis para os sonhadores

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No filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, a personagem Eva, interpretada por Claude Perron, solta a frase “os tempos são difíceis para os sonhadores”. Talvez essa seja uma das cenas mais impactantes no filme todo para mim. E nem preciso perguntar para vocês se já perceberam isso. Todos nós fazemos parte de um grande grupo de sonhadores.

A realidade pode ser cruel. O mundo requer de nós um amadurecimento rápido e rasteiro, não dando tempo para aqueles que possuem um ritmo um pouco mais lento. Muitos sonhos são destroçados no meio desse caminho e a vida não está nem aí. Por isso, até entendo aqueles que desistiram de buscar seus sonhos e colocaram seu mundo no automático. Dói menos.

Olhamos à nossa volta e vemos um cotidiano que não para, que não tem tempo para os sonhadores. Multidões que andam de passo acelerado sem sequer perceber como o céu hoje está bonito, como o dia de hoje é bom para se viver. É casa, trabalho, casa. Não é à toa que tanta gente só consegue sentir um toque de felicidade quando chega sexta-feira – nos outros dias, se esforçam muito apenas para ter forças e levantar da cama.

Nós, sonhadores, somos soldados. Fazemos um curativo novo a cada “não vai dar certo” que escutamos. Tomamos decepções no café da manhã. Pessoas que subestimam os nossos sonhos só são mais algumas nesse grande campo de batalha que se tornou a vida. E, sim, teremos paciência, porque elas são apenas antigos soldados que desistiram da guerra.

Não temos sonhos caros. Não precisamos de um castelo no interior da França (ou precisamos, vai saber). Queremos todos apenas ter a liberdade de seguir o caminho que desejamos seguir e, se precisar, arcar com as consequências dessa escolha. É, os tempos são mesmo difíceis para os sonhadores. Principalmente para aqueles que decidiram encarar a cruel realidade. Assim como Amélie Poulain, sabemos que não é fácil, mas é pior ainda ter que conviver com uma vida sem sonhos.

 

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5 maneiras de superar a solidão

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Mais difícil do que manter um namoro ou uma amizade é estar em paz consigo mesmo. Muitas vezes, conhecemos bem nossos amigos e pouco saberíamos a nossa reação em uma determinada situação. A solidão não é de todo ruim. Ninguém aqui está falando para você morrer sozinho, com 15 gatos a tiracolo.

O fato é: ter conhecimento sobre si mesmo te ajuda até na relação com outras pessoas. Amar a si mesmo é o primeiro passo para amar outro alguém. Claro que não é fórmula mágica, é uma construção. Algumas dicas podem ser úteis para você começar a trabalhá-las no dia a dia.

1. Não baseie o seu valor pela opinião dos outros

Claro que em alguns momentos gostamos de ouvir o que as outras pessoas têm a dizer, principalmente se vem de quem amamos. Começamos a basear nosso valor na atenção e nas opiniões que essas pessoas nos dão – e isso não é saudável. Não deixe que os outros definam quem você é.

2. Não espere que outras pessoas te façam feliz

Ninguém irá te amar tanto quanto você pode amar a si mesmo. Muitos de nós crescemos com filmes que nos prometem a pessoa certa, que irá nos completar. Pode parecer radical, mas… e se essa pessoa for você mesmo? E se você começasse a se tratar como seu verdadeiro amor? O amor-próprio precisa estar acima do medo de estar sozinho.

3. Saiba que namoros não vão resolver seus problemas

Não caia de cabeça em uma relação porque está sozinho. Namorar com a pessoa errada ainda fará você se sentir só, mesmo que esteja com alguém (literalmente) do seu lado. Ao invés de agarrar alguém para sumir com a sua solidão, aprenda a viver com isso. Apaixone-se quando estiver preparado – e não se sentindo sozinho.

4. Aprenda a se amar e se valorizar

Acredite: você merece ser feliz e merece coisas maiores na vida. Aproveite o tempo para conhecer a si mesmo. Você não precisa ser igual aos outros. Seja corajoso o suficiente para ser diferente. A única pessoa que pode te fazer feliz de verdade é você mesmo.

5. Não gaste muito tempo pensando nos seus erros

O perdão não é algo que fazemos para os outros. Fazemos para nós mesmos, para nos sentirmos bem e seguirmos em frente. Todo mundo erra. Perdoe-se pelas escolhas precipitadas que você fez no passado. Elas não definem quem você é agora, elas definem quem você foi e, ainda bem, as pessoas evoluem.

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Playlist: uma trilha sonora para os dias tranquilos

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Tem dias que só uma boa playlist consegue me acalmar. Pensar nos problemas ou esquecê-los por alguns minutos que seja é muito melhor quando temos a trilha sonora certa. Por isso, com a ajuda dos leitores que curtem a fanpage do blog lá no Facebook, fui no Rdio e escolhi os títulos que conseguem transformar qualquer clima e de quebra nos inspirar. Será que você precisa desse sonzinho hoje, hein? Escuta aí!

Qual música sempre consegue te acalmar?

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O que um dia de Lollapalooza me ensinou sobre solidão

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Ao sair o line up do Lollapalooza no ano passado, estava certa de que queria ir. Só de poder ver Imagine Dragons, Phoenix, Lorde e Muse tão perto, ficava bastante animada. Escolhi apenas um dia para não me cansar demais, já que minha experiência em 2012 frequentando os dois dias do festival tinha sido totalmente exaustiva. Assim que liberaram quais bandas iriam tocar em quais datas, conversei com uma amiga e combinamos de ir no primeiro dia, 5 de abril.

Comprei meu ingresso feliz da vida. Estava contando os dias para o festival até que percebi que iria sozinha. Minha amiga não tinha comprado o ingresso e ninguém que eu conhecia estava com vontade de viajar de Belo Horizonte até São Paulo para se cansar de andar num festival de música indie. Ok, tudo bem, eu pensei. Sou filha única, já passei por muita coisa sozinha na vida. Um dia de festival não vai ser tão doloroso, afinal, estarão algumas das bandas que mais gosto de escutar ultimamente.

Fui com uma excursão, que saía na sexta-feira de noite de BH para o Lolla e depois voltava no sábado à noite mesmo. Típico bate-e-volta. Estava sem muita grana pra ficar em Sampa, então, essa foi a melhor ideia na época. Viajamos muitas horas de ônibus e chegamos no lugar. Tentei me enturmar com dois caras para não ficar sozinha na fila e pronto. Entrei no Autódromo.

O sol estava desumano. De rachar a cuca mesmo. Queria ver o show de Capital Cities, por isso acabei me separando dos dois amigos. Fiquei na grama, sozinha, com uma blusa preta, calça jeans e tênis, sem chapéu – a pior combinação possível num calor de matar, devo admitir. O show foi incrível, mas comecei a sentir uma coisa que iria se agravar com o passar do dia.

Depois de Capital, fui encontrar com uma conhecida de SP para assistirmos Imagine Dragons. Foi arrepiante, mas eu ainda sentia que faltava alguma coisa. Saímos mais cedo para evitar confusão e fiquei, mais uma vez, sozinha, na grama, esperando o show do Phoenix. Assim que começaram a tocar, percebi o que estava sentindo. Um show incrível, de uma banda igualmente incrível – o que poderia faltar nesse momento? Amigos, essa é a resposta.

Não sei com vocês, mas comigo, as músicas me remetem a momentos e pessoas. Ouvir aquelas bandas que adoro tanto não fazem sentido algum se não estou com a companhia das pessoas que amo. Do que adianta assistir ao show de Imagine Dragons se não estou com as minhas amigas, que me mostraram a música deles pela primeira vez? Entendem o que eu digo? É só uma experiência vazia.

E aí, eu estava lá, sozinha ouvindo e dançando Phoenix, até que me deu uma vontadezinha de chorar. Estava curtindo, mas não estava feliz, porque só valeria a pena de verdade se estivesse com as pessoas certas. No final, a experiência em si só valeu por essa ficha que caiu. E os shows de Phoenix e Imagine Dragons também, claro, porque eles são incríveis.

No outro dia, no domingo, fui encontrar duas amigas e fomos para a casa de uma delas. Colocamos o papo em dia, desabafamos e nos divertimos. Uma hora, deitada no sofá, assistindo o Lollapalooza pela TV, ouvindo as duas rindo de alguma besteira, percebi que aquele momento parecia ser mais importante do que qualquer festival. A frase “a felicidade só é real quando compartilhada” nunca fez tanto sentido para mim.

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