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Entre amigas: “Sinto que preciso sair da casa dos meus pais!”

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Ev, 18 anos – Oi, queria pedir um conselho pra você. Sei que nossas vidas são mega diferentes, mas acho talvez alguma leitora esteja na mesma. Vou tentar ir direto ao ponto porque não quero escrever muito: não aguento mais depender e morar com meus pais. Me sinto ingrata confessando isso, mas é a pura verdade. Eles cuidaram de mim a vida inteira e eu os amo sim, mas a questão é que eu sinto que preciso viver minha vida. Não quero ter que ficar pedindo permissão pra fazer qualquer coisa o tempo todo. No fundo me sinto um peso na casa deles. As coisas estão ficando cada vez mais complicadas porque nós discutimos muito. Principalmente porque eles não aceitam meu namoro e eu preciso ficar mentindo o tempo todo.

Ei, Ev, te entendo tanto que lembrei muito de algumas coisas que eu pensava e escrevia quando ainda morava na casa dos meus pais lá no interior de Minas. É complicado pra caramba seguir as regras de outras pessoas quando estamos tentando criar as nossas. Acho que todo mundo mundo passa por esse conflito. Só que por diferentes circunstâncias às vezes é mais complicado sair. Por exemplo, sempre tive uma relação boa com meus pais, mas às vezes eles não entendiam que eu estava na internet trabalhando e não brincando. O blog me ajudou muito financeiramente. Eu não teria saído de casa se não tivesse juntado a grana que ele me deu durante o ensino médio. Também trabalhei no colégio num projeto/estudo que era remunerado. No geral eu consegui provar para os meus pais que estava realmente decidida a batalhar pelo que queria. Isso fez com que eles confiassem em mim e me dessem mais espaço. 

Queria ter meu próprio dinheiro pra conseguir ser independente e tal, mas passo a tarde toda no cursinho estudando. Não tem como trabalhar assim cara. Já pensei em fugir, mas tenho medo do que pode acontecer comigo. Sei que você conseguiu se virar sozinha desde cedo, então queria um conselho. Uma dica pra pelo menos fazer meus pais confiarem em mim e pararem de tentar controlar cada passo que dou. Eles não são perfeitos, vivem brigando, não sei porque esperam que eu seja. Só queria que essa fase de merda acabasse logo.

Nos filmes fugir de casa parece bem simples: abrir a mochila e colocar um fone de ouvido, um caderno, aquele casaco quentinho, um livro, os biscoitos da despensa e outros itens de sobrevivência. Essa nunca é a melhor solução. Pode até ser que as coisas corram bem no final, mas tenho certeza que você iria sofrer pra caramba e perder boa parte de uma época em que muitas coisas legais acontecem. Fugir dos nossos problemas é comprometer a vontade de viver o futuro. Isso sim é uma droga!

Se eu pudesse te dar um conselho seria o seguinte: faça um plano de vida. Pense em algo que você goste de fazer e crie maneiras de tornar isso remunerável agora. Desenha? Faça freelas na internet. Tira foto? Fotografe books das meninas da sua cidade no final de semana. É boa com contas? Tente estágio em alguma loja. Gosta de criança? Tente achar uma vaga como ajudante na parte da manhã naquelas escolas pra bebês. Sabe inglês? Tenta dar aula particular pra alguém. Enfim, foram só exemplos, mas acho que um bom jeito de começar a mudar as coisas é tentar encontrar algo pequeno e que realmente você consiga colocar em prática agora. Isso não só vai te deixar mais confiante como vai fazer seus pais perceberem que você tá tentando. Não tô dizendo que amanhã você vai já vai ter grana pra alugar um apê sozinha, mas quem sabe dividir com amigas na república? E ó, se não for o que você sempre sonhou, é importante manter uma boa relação com os seus pais pra ter sempre alguém pra contar e um lugar cheio de amor pra ficar se nada der certo. Espero que isso te ajude de alguma forma. Boa sorte aí!

Pra participar dessa tag envie um e-mail para: entreamigas@depoisdosquinze.com

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O pote de balas e doces

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Quando eu era mais nova lembro que adorava ir até a casa da minha madrinha simplesmente porque lá havia um pote cheio de balas e chocolates. Lá em casa doce sempre foi algo controlado, por questões financeiras e de gordurinhas, então a ideia de existir um lugar onde isso era ilimitado me deixava realmente empolgada. Veja bem, não tô dizendo que visitar meus padrinhos era totalmente por interesse. Eles sempre foram muito carinhosos comigo e nunca deixaram de me dar um abraço no dia do meu aniversário. Lembro que 18 de maio só era completo se minha madrinha fosse lá na porta de casa me dar um beijinho e entregar o pijama que eu usaria até o ano seguinte. Tenho e uso alguns deles até hoje.

Tô contando tudo isso porque só agora me dei conta de que uma das primeiras coisas que fiz quando fui morar sozinha foi separar um pote pra colocar todas os doces e balas da minha casa. Infelizmente hoje em dia não tem mais tanta graça como antigamente e eu não posso abusar exatamente pelos mesmos motivos que a minha mãe usava, mas é legal saber que eu consegui ter o meu próprio pote de doces. É tipo uma realização que prova que eu me tornei oficialmente uma adulta. É um detalhe, uma besteirinha, mas que fez a ficha cair pra mim. Tipo quando minha prima engravidou ou eu fui assinar a papelada do apartamento.

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Agora eu quero saber: só eu sou louca assim ou vocês também acabaram levando uma vontade de infância pra vida adulta? Contem detalhes nos comentários.

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A mudança das coisas que nunca mudam

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Quando alguma coisa importante está prestes a acontecer meu sono vira fumaça. O problema é que essa ansiedade vem sempre acompanhada com pensamentos inconvenientes. É como seu meu subconsciente me punisse por não conseguir dormir e descansar o quanto eu realmente deveria. Vai ficar acordada, querida? Então tome essa meia dúzia de lembranças e questionamentos. Use o silêncio raro da cidade grande pra decifrá-los.

Minha cabeça dói de um jeito que só dormir resolve, mas já que eu não consigo, mesmo virando pra lá e pra cá na cama que divido diariamente com a bagunça, resolvi escrever. Como nos velhos tempos. Falar sobre mim, pra mim e pra um monte de gente que eu não conheço. Mergulhar por dentro sabendo que vai espirrar lá fora. Coisa que eu nem sei mais como fazer. Será que nós deixamos de nos conhecer com o passar dos dias? Por falta de tempo será que esquecemos de nos lembrar quem somos e o que queremos? Acho que não. Espero que não.

Antes de tudo, quero explicar o sumiço.

Não entendo nada de astrologia e as famosas previsões da Susan Miller que todas as minhas amigas comentam no começo do mês, mas eu diria que 2014 tem sido o ano oficial do trabalho e das boas oportunidades. Talvez eu devesse ter prestado mais atenção naquelas páginas da revista que falam sobre isso, né? Já era. Tenho feito o possível pra conseguir superar as expectativas das pessoas que amo. É difícil porque às vezes tenho a sensação de que eu não vou dar conta, que o mundo vai cair na minha cabeça a qualquer momento e eu tô sozinha, mas no dia seguinte as coisas parecem menos complicadas. Antes mesmo do café da manhã surge outro desafio e o meu estômago vira do avesso mais uma vez.

Qual é a melhor tradução pra overthinking?

Num episódio de Gossip Girl que assisti outro dia o personagem Chuck Bass ensinou que às vezes tudo que precisamos é parar de adiar e simplesmente dizer “sim”. Aproveitar as oportunidades e lidar com as consequências, não como se elas fossem um problema, mas sim um prêmio por termos saído da zona de conforto. A consequência da realização dos meus sonhos é ter os meus pais perto de mim.

Misturar os dois mundos.

Tô tão animada com a mudança. Tão ansiosa. Sempre que imagino meus dias com eles por perto sinto um frio na barriga. É quase como quando tenho uma viagem marcada pra algum lugar novo e tô no táxi indo pro aeroporto. Acho que é quase a mesma coisa, né? Um lugar novo. Um novo começo pra todo mundo. Um pouquinho de paz pro meu pai que sempre foi tão estressado no serviço. Pra minha mãe que além de lidar com ele tinha que organizar a papelada toda. Pra Zooey que terá um quintal enorme, um irmãozinho e a mãe 24 horas por dia e 7 dias por semana.

Dá medo porque nós nunca moramos em outro lugar juntos. Dá medo porque eu não quero ser a culpada por bagunçar a família se não der certo. Dá medo porque, mais que nunca, tudo vai depender de mim. Dá medo porque mudar é assim, deixar coisas pra lá. Não sei se queria deixar minha casa antiga pra lá e o meu refúgio que é passar alguns dias longe de tudo. Bem, mas olhando pelo lado bom, pelo menos dessa vez, com a mudança e a coisa nova pra enfrentar, eu não tô sozinha.

Se a minha vida fosse uma série, caros leitores, eu diria que a terceira temporada está prestes a começar. Desejem-me sorte!

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Não é mais você

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Ela vai embalar suas coisas e deixar na sua portaria, com um bilhete singelo escrito “A gente se vê”. E enquanto você engole a indiferença, tentando tirar da sua garganta o nó do fim, ela vai ao cabeleireiro cortar o cabelo, mudar a cor e encantar todo mundo com seu novo visual. Ela vai usar vestidos mais curtos e te deixar morrendo de ciúmes daquelas pernas que até então eram só suas. E vai rebolar por aí em festas e jantares a dois com outros caras. E você vai continuar nas mil baladas da vida, tentando encontrar qualquer sorriso que se assemelhe a risada escandalosa e apaixonante dela.

Ela vai fazer cada coisa milimetricamente diferente de todas as suas ex-namoradas. E vai te deixar com uma certeza desesperadora de que, ainda que tenha sido você que tenha ido embora, foi ela que pingou o ponto final. Porque agora é ela que desfila com uma leveza bonita, dessas pessoas que não precisam de ninguém, nem de histórias mal resolvidas, para ser feliz. Aliás, ela olha para os outros de uma maneira tão enigmática que dá a entender que todas as suas histórias são muito bem acabadas e que ela está pronta para se jogar de cabeça em qualquer outra relação que não te tenha no meio.

Você vai sentir uma reação estranha, algo parecido com uma facada no peito, quando resolver ligar para ela e ela atender como se você não fosse mais ninguém. É que para ela você realmente deixou de ser alguém quando desistiu do “nós dois”. Ela quer tanto ser feliz que não se permite sofrer por você, logo você, que pisou no amor o tanto que pôde.

Mas ela continua acreditando em amores lindos, ainda que com você tenha sido apenas uma paixão fugaz com fim sem graça. Ela continua acreditando em entregas, declarações, histórias, romances e tudo mais. Continua acreditando em tudo, mas já deixou de acreditar em você. E seu estômago vai doer porque ela não liga mais se você aparece com seus mil casos sem importância.

É verdade que ela queria tudo. Queria uma história bonita, um amor para contar para os netos, um final feliz. Mas se não foi com você, ainda sobrou a humildade de recolher os cacos e procurar ser feliz com outra pessoa. E é isso o que vai te doer. Saber que ela não desistiu dos outros, só de você. E enquanto você passa de carro em frente ao apartamento dela, o rádio toca aquela música que você nunca prestou atenção: “eu sei que ela só vai achar alguém pra vida inteira, como você não quis…”.  E aí você vai entender que, caraca, era ela.

O triste é que agora não é mais você.

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