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A gente cresce quebrando a cara

amadurecer

Se para crescer a gente não precisasse errar, talvez eu nunca tivesse acreditado naquela amiga que jurou que não ia me magoar e magoou. Talvez eu não tivesse magoado gente que amava muito, mesmo quando essa não era a intenção. Mas provavelmente, também, eu não teria aprendido a valorizar quem fica, não teria entendido a importância de perdoar as falhas das pessoas e de pensar mil vezes antes de falar algo que pode atingir o outro.

Se para crescer não precisasse doer, talvez eu nunca tivesse conhecido aquele carinha que me tratou como uma qualquer. Talvez nunca tivesse virado noites inteiras chorando amores não correspondidos. Nem feridas que fizeram sem o menor cuidado no meu peito. Mas eu também não teria, finalmente, parado de dar atenção para os mesmos tipinhos de caras errados e começado a prestar atenção naqueles que sempre estiveram aqui para me dar a mão.

Se para amadurecer a gente não precisasse quebrar a cara, talvez eu ainda fosse a menina escandalosa que adorava uma boa briga e que gostava de bater de frente apenas pelo prazer de ganhar – sabe-se lá o quê. Se eu não tivesse caído, se não tivesse levado rasteiras, se não tivesse dado de cara no chão, talvez eu ainda vivesse na minha bolha da adolescência, quando achava que os meus problemas eram os maiores do mundo. E que o mundo, esse malvado, era injusto só comigo.

Se eu tivesse acertado sempre, talvez eu não soubesse da alegria que é a oportunidade de poder se reinventar. Aprender mais. Mudar de opinião, entender os valores das outras pessoas, conhecer outras realidades, perceber que se dói em mim, dói no outro também. Talvez eu nunca tivesse ido, voltado, começado e recomeçado. Talvez eu não tivesse baixado a bola, diminuído o tom, começado a silenciar. Talvez eu nunca tivesse aprendido. Talvez, até, sequer tivesse crescido.

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Continue não me levando tão a sério assim

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Você me perguntou porque eu havia parado de escrever sobre as coisas que sinto. Arregalei os olhos como se estivesse surpresa. Aquela era uma questão recorrente, de fato, mas eu não achei que estivesse tão óbvio assim. Dei de ombros e disse em outras palavras que a culpa era da sua falta de interesse. Quero dizer, textos como esse continuaram nascendo na minha mente durante todas as noites de insônia. Estou absolutamente familiarizada com as incógnitas que preenchem esses parágrafos, mas cansei do drama. Não quero mais impressionar ninguém. Nem o espelho.

Te culpo um pouco por ter roubado minha intensidade corriqueira. Mas são tantas fases e depois de você foram tantos chefões quase invencíveis. A tal da inocência a gente perde com a vida e as lições do cotidiano nos ensinam a preservar o tempo que sobra. Foi assim que me dei conta de que às vezes é mais fácil simplesmente deixar a dor na forma mais bruta. Sem críticos ou curiosos que opinam sobre as escolhas que fiz e a profundidade das cicatrizes que ficam.

Algumas coisas ainda me assustam e não sei se vai fazer sentido dizendo assim, mas elas é que me fazem lembrar de você. Será que ainda compartilhamos da mesma estranheza do mundo ou nos transformamos em velocidades tão diferentes ao ponto de nos estranharmos? Talvez eu nunca descubra.

Das vontades que tive, a única que sobreviveu ao tempo é a de dizer um monte de besteira sem ter certeza e não me importar com as consequências, como costumava ser nos intervalos das aulas de sociologia no caminho até a cantina. Você parecia me conhecer tão bem ao ponto de não me levar tão a sério o tempo todo. Ouvia minhas teorias e pedia bis. Nunca mais encontrei alguém que fizesse isso tão bem.

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Aniversário, gravação e novo livro

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Vocês devem ter reparado que as coisas estão mudando aos pouquinhos por aqui, né? E, adianto, esse é só o começo. Preparei muitas surpresas para o segundo semestre de 2014. Enquanto não me deixam contar tudo, vim compartilhar um pouquinho do que tem acontecido na minha vida. 

Passei meu aniversário em Brotas com a Taci e um grupo de amigos. Foi um final de semana inesquecível, de todas as maneiras possíveis. Pratiquei arvorismo, tirolesa, slackline, rafting e pra fechar a aventura com chave de ouro andei a cavalo. Por mais que eu goste de viver na capital, dos shoppings e das festas, em ocasiões como essa volta a certeza de que sou mesmo uma garota do interior.

A sessão de autógrafos em Belo Horizonte foi incrível. A editora preparou uma mesa cheia de guloseimas e eu ganhei até um bolinho de kit kat. Queria ter ficado mais tempo na cidade, pra ver a parte da minha família que mora lá, sair com os amigos e experimentar mais da melhor culinária do Brasil (risos), mas foi bate e volta. Deixei por lá a promessa de que da próxima vez será pra passear e não só trabalhar.

Gravei novos vídeos de customização pro canal no youtube da Capricho. Eles devem ir ao ar nos próximos meses, mas já adianto que vocês vão adorar nossas sugestões. Pra assistir é só ficar de olho no canal da revista ou lá no meu instagram. As outras meninas do grupo também gravam vídeos sobre temas variados, sabia?

Encontrei alguns colegas no Curitiba Social Media. A galera que trabalha com internet, em blogs ou vlogs, se fala via redes sociais o tempo todo, mas são em eventos assim que todo mundo se conhece de verdade ou mata a saudade. Foi uma honra participar de um painel sobre literatura com Affonso SolanoEduardo Spohr.

Ainda falta um tempinho pra Bienal do livro em São Paulo, mas já me enviaram as datas e os horários em que participarei do evento. Como tem muita gente que vai de excursão e  precisa se programar antes, resolvi divulgar aqui no blog de uma vez: 24 de agosto – 17h e 31 de agosto – 11h. Também vai rolar um bate papo com outras autoras brasileiras. Assim que tiver mais detalhes faço um post pra compartilhar e convidar todo mundo oficialmente.

É isso! Pra acompanhar tudo em tempo real é só me seguir lá no instagram @depoisdosquinze.

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Então vem

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Respira fundo e vem. Eu te dou a mão e a gente se aventura por essas ruas meio tortas e esburacadas do caminho pela frente. Não tem problema, eu também não sei. E quem é que sabe? Quem é que tá aqui sabendo tudo? Quem é que faz escolhas sem medo? Quem é que sabe aonde vai parar? Só sei que quero parar em qualquer lugar, mas com você. A gente respira fundo e vai. Com o medo, com a insegurança, com os ciúmes, com os problemas, as contas não pagas. A vida não é esta aventura toda? Vem que eu quero me aventurar com você. E ver seu sorriso, ouvir seu riso, sentir seu abraço na hora daquela vitória.

De todas as pessoas do mundo que já encontrei por aí, cê foi aquela. Sabe? Aquela pessoa que a gente sabe que vai chegar, abrir a porta e fazer toda a diferença. Pra que te deixar sair, então? Eu quero mais é que você fique. Que conquiste um espaço cada vez maior na minha casa, na minha vida e no meu coração.

Não tem problema, a gente aprende junto. A gente respira fundo, conta até 10, fica afastado, depois volta como se nada tivesse acontecido. A gente briga, grita, faz o que tiver que fazer. Mas fica. E insiste. E não desiste. Que desistir de você é daquelas coisas que eu não faço.

Vem. Mas vem com tudo. Vem inteiro. Com as memórias, as cicatrizes, as qualidades e os defeitos. E a gente vai – sabe-se lá pra onde, mas vai. Que o importante, o importante mesmo, é ter amor pra ir. Em frente.

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