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Do seu lado do mundo

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Do seu lado do mundo, dá pra ter noção de saudade? Ou já passou tempo demais pra você lembrar de mais uma daquelas histórias curtas que você quase nunca dá muita atenção? É que eu, apesar de toda a fachada de pode-vir-que-eu-aguento, desabo um pouco toda vez em que me lembro de você. Sabia?

Do seu lado do mundo, você sente medo de não me esquecer? É que eu, olha só, tenho medo de, toda vez em que alguém falar de amor, acabar me lembrando de você. E dá um frio na espinha só em pensar na possibilidade de você ser sempre o cara que eu vou imaginar quando me sentir sozinha, ou cansada, ou precisando de um abraço. E se eu arranjar quem me ame mais e melhor, quem me abrace mais e melhor, e, ainda assim, continuar querendo você?

Do seu lado do mundo, você conseguiu recolher os pedaços de nós dois? Aqui, reconstruir o que você quebrou tem sido uma tarefa árdua. Eu parei de chorar. Mas bebi horrores. Talvez meu fígado mostre o estrago que você causou lá na frente. Já no coração, o seu efeito foi imediato. De vez em quando, ele bate meio devagar, quase falhando, cansado de ser maltratado pelas suas lembranças.

Aliás, do seu lado do mundo, as nossas memórias também te infernizam? Você lembra de mim no meio de algum filme qualquer durante a semana? Escuta o som da minha risada no meio da rua e me procura em rostos diferentes do meu? Ou lembra de tudo no meio da noite, naquele momento em que você sempre passava a mão pela cama procurando por mim?

Do seu lado do mundo, você também queria voltar um pouco no tempo? Ou passou, acabou, finito, só mais uma história com um fim triste? É que, aqui, do meu lado do mundo, cê ainda faz falta. Eu ainda escuto sua risada. Ainda lembro de ti no meio de um filme qualquer durante a semana. E procuro por você pela minha cama.

E aí, me diz, mas seja sincero: do seu lado do mundo, também dói?

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O amor, a paz e você

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É infinitamente mais fácil descrever um amor que machuca. É até libertador colocar pra fora em forma de texto um sentimento que não faz bem. Quase como um falso decreto de que ainda temos o controle da situação ou ao menos a consciência de que aquilo é algo extremamente tóxico pra gente. Bem lá no fundo quem escreve sobre o que sente tem um pouco de medo da felicidade. A calmaria leva embora a inspiração, porque escrever sobre a paz quase sempre é deixar a folha ou tela em branco. É não precisar definir absolutamente nada. Sair de casa e esquecer a janela aberta pra poeira dançar ao ritmo do vento.

Mas agora é diferente. Eu não tenho mais mais medo.

Sem pistas e jogos, prometi. Não quero ter razão ou alimentar meu orgulho com a certeza de que eu sou a pessoa da relação que menos se envolveu até agora. Todas as minhas teorias deixaram de fazer sentido quando te conheci, então nada mais justo que deixar as cartas na mesa e admitir de uma vez que você me ganhou. Derrubou o muro que construí em volta de mim. A saída no final das contas não era destruir tijolo por tijolo, curar trauma por trauma, mas sim me fazer lembrar de como é bom admitir cada fraqueza ao lado de alguém que continua me amando por dentro e por fora. Como eu era, como me tornei e como eu desejo ser amanhã.

O que eu mais gosto na gente é a tranquilidade. Seu amor me deu de presente bons pensamentos e agora é como seu eu tivesse um refúgio dentro da minha própria mente. O mundo lá fora pode estar desmoronando, mas quando eu fecho os olhos continuo vendo seu sorriso em câmera lenta ou lembrando do tom da sua voz. Eu adoro o jeito que você fala. Most of the time, olhando nos meus olhos e me fazendo sentir a garota mais sortuda do mundo.

As pessoas dizem que nós combinamos porque somos exatamente iguais, mas a verdade é que você faz o melhor de mim vir à tona. Como quando estou perto da minha família ou viajando para algum lugar novo. Simplesmente não há espaço ou tempo para coisas ruins.

Apesar de eu ter a sensação de que nos conhecemos há muito tempo, sei que esse é só o começo e eu não faço ideia do que o destino separou pra gente. Gosto de imaginar que os nossos sonhos jamais vão conseguir nos distanciar porque de alguma forma nos cruzamos aqui nessa cidade graças a eles. Você só de passagem e eu de mudança. Precisávamos de um bom motivo pra ficar, então, nos encontramos.

Não quero que o tempo passe rápido demais, mas isso acontece com frequência quando você está por perto. É como se a distância entre o “estou chegando” e o “adorei ficar com você” coubesse num abraço, mas a verdade é que cada momento tem feito toda diferença pra mim. Sendo assim, obrigada por me mostrar um novo caminho e topar seguir em frente. Minha vida e minha sala são igualmente bagunçadas, como você já deve ter reparado, mas fiz questão de reservar um espaço especial pra você. Nesse texto, ao meu lado e onde estivermos amanhã.

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O primeiro dia

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Na virada de ano eu fechei meus olhos e enquanto os fogos barulhentos iluminavam o céu, fiz um único desejo. Não pedi dinheiro, não pedi viagem e também não pedi sucesso. Pedi uma boa companhia pra estar ao meu lado enquanto batalho e conquisto aos pouquinhos cada uma dessas coisas. Não pedi um amor pra exibir e provar pra todo mundo que eu ainda tenho um coração. Pedi alguém que fizesse minhas músicas preferidas terem um pouquinho mais de sentido quando as escuto antes de dormir.

Não pedi um amor pesado que me fizesse entrar num labirinto como da última vez. Não queria matéria prima para o meu trabalho, muito pelo contrário, queria alguém que me fizesse esquecer dele durante alguns dias da semana. Pedi um novo personagem pra minha história, sabe? Um novo capítulo com novos aromas, risadas e erros. Alguém realmente interessado no que sou, não no que posso vir a proporcionar. Nem tão superficial, nem tão profundo assim. Nem tão experiente, nem tão imaturo. Um cara com boas histórias, mas sem um passado que me deixe meio invisível na maior parte do tempo.

Desejei alguém pra mandar aqueles vídeos fofos de cachorro que encontro na internet ou sei lá, mostrar o quanto minha filhote cresce a cada dia. Alguém que enxergasse a vida de um jeito meio parecido que o meu ou alguém que me fizesse mudar completamente de ideia. Alguém pra odiar o verão comigo e fazer a tradicional contagem regressiva pro inverno chegar.

Todos ainda estavam gritando e se abraçando quando abri os olhos pela primeira vez em 2015. Era ótimo estar perto dos meus amigos, mas confesso que senti uma pontadinha de angústia quase sufocante. Olhei pra fora para tentar disfarçar e pensar em outras coisas. A vista da sacada continuava tão linda quanto no ano anterior. Prédios bem espremidinhos para caber todas as pessoas que assim como eu decidiram em algum momento da vida que viver aqui era a melhor opção. Provavelmente a maioria delas vive se questionando se foi ou não uma boa ideia.

Seria legal se elas se encontrassem.

Foi o que pensei quando entrei no táxi e olhei as ruas desertas que iam sumindo a cada esquina. São Paulo sem as pessoas não parece São Paulo. São os momentos compartilhados por ali é que vão dando cor, textura e beleza aos bairros. Mesmo depois de tanto tempo, cada um deles é especial por motivos diferentes. Até o que escolhi viver. O caminho de sempre, o museu e as árvores, me fez perceber o quanto apesar de tudo, aquele lugar havia se tornado familiar pra mim. No final das contas era bom estar ali. Eu precisava mesmo entender e viver um bocado de coisa antes de estar realmente pronta de novo.

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Você não precisa ser popular pra ser feliz

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Num dos primeiros episódios da série “Lie To Me” o personagem Dr. Lightman disse uma frase que eu nunca mais esqueci:

– Quanto mais popular, melhor o mentiroso.

Se você ainda não assistiu a série, corra para o Netflix e faça isso o quanto antes. Se você já assistiu, vou refrescar sua memória sobre o caso em questão. Ele estava investigando a morte de uma adolescente e suspeitava da amiga de classe popular. No velório essa tal garota parece super emotiva enquanto fazia seu discurso de despedida, mas ele tem certeza de que ela está escondendo algo sobre a morte da amiga porque demonstra emoções assimétricas no rosto. Isso é quase imperceptível porque ela é boa em disfarçar emoções. Tem experiência tentando o tempo todo ser a abelha rainha do colégio.

É óbvio que essa á uma teoria louca que faz sentido dentro do roteiro da série, mas lembro que quando assisti o episódio fiquei pensando a respeito. Cheguei a conclusão de que faz sentido sim e eu teria me ferrado menos se tivesse percebido o quão superficial é a vida de quem tem essa necessidade louca de estar sempre em destaque.

Pra agradar todo mundo você precisa deixar de ser honesto com alguém. Se o disfarce for bom essa pessoa será você. Isso é bom? Não, isso é péssimo. Viver pra tentar fazer com que as pessoas gostem de você a todo custo pode até trazer benefícios imediatos, tipo ficar com o garoto mais popular da sala, ter sempre o que fazer nos finais de semana ou fazer parte de um time incrível na educação física, mas a longo prazo a única coisa que resta é você e um monte de mentiras.

Estar cercado de muitas pessoas o tempo todo não garante que você nunca se sentirá sozinho. Muito pelo contrário. Você acaba se esquecendo das pessoas que realmente se importam com você. Amigo de verdade te dá bronca, diz coisas que te faz ficar com raiva e não manda mensagem só quando está prestes a pedir um favorzinho. Quem se preocupa com você, se preocupa até quando isso não vai mudar absolutamente na vida dele.

É tão gostoso se sentir completamente à vontade perto de alguém. Pode falar besteira, sem neura com o corpo ou com o trabalho, confiar mesmo. Essa sensação não se amplifica com a quantidade de pessoas, mas sim com a qualidade delas. Quero dizer, não é um número que te faz dormir bem à noite. É o vazio preenchido, muitas vezes por uma simples pergunta quem nem todo mundo te faz:

– E aí, como foi seu dia hoje?

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