Os planos que a gente faz (e desfaz)
14/04/2013

Amar dói. Cada parezinha do corpo. Como se existisse mais de um coração batendo ali dentro. É uma febre. Uma febre que queima de dentro para fora. Um jeito que o organismo encontrou para avisar sobre a existência de um invasor desconhecido. ”Ei, tem alguém querendo ocupar o espaço da sua felicidade. Não, espera, parece que ele só quer protegê-la. Multiplicá-la. Acaricia-la quando tudo aí fora estiver desmoronando.” Isso, meus caros, é amor.

É um milagre, mas só isso não basta. Nunca bastou. Até onde eu sei, dizer palavras bonitas e ganhar cafuné antes de dormir não é nenhum tipo de desafio. E amar é o maior desafio que nós enfrentamos enquanto humanos, nesse mundo. É complexo. Porque trabalhar oito horas por dia é cansativo. Estudar cinco dias por semana é um saco. Já para suportar um sentimento nobre e real dentro do peito, não existe hora. Muito menos férias ou feriado. Ele está dentro de você. Do momento em que abre os olhos ao momento em que finalmente consegue vencer a insônia. Alguns dias, também dá as caras nos sonhos. E nos pesadelos.

O amor vem dentro de uma pequena caixa.  Vem acompanhado. Com ciúmes, a insegurança e a intimidade. Cada pessoa abre de um jeitinho diferente. Alguns gritam e compartilham com o mundo. Outros jogam o pacote longe e correm o mais rápido que pudem. Os corajosos que se arriscam e vão em frente, precisam de uma espécie de manual para usá-lo da maneira correta. Não é um papel que vem junto ou pode ser encontrado no google. São leis que nascem com a gente. Admiração, respeito e honestidade. Sem ele a caixa não vale para nada. Talvez para alcançar alguma coisa. Para ocupar um espaço vazio. Mas no final das contas, é só uma caixa maciça e sem valor.

O amor não gosta de contratos. Alianças de ouro não servem como moeda de troca. Ele não dá a mínima para cor, idade ou classe social. Se tentar, vai ver que é impossível obrigar alguém a entender e aceitar um sentimento. Também, se despedaçado, não volta jamais a ser como antes. As feridas não cicatrizam, elas param de doer. Mas as marcas ficam lá. Como queimaduras que jamais deixaram de despertar lembranças ruins. Ou se você olhar de um outro jeito, necessárias.

Promessas não garantem um final feliz, pleno e definitivo. Cada pessoa tem seu tempo e o amor não dá a mínima para o ponteiro do relógio. Passam dias, passam meses e os planos? Fazem e se desfazem o tempo todo. Por bem, ou para o bem. Já você, minha querida, continua inteira. Portanto, trate já de fechar essa caixa vazia e guardar pertinho das outras.  A felicidade logo se acostuma com o espaço que sempre teve.

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Você está fazendo o que ama agora?
15/02/2013

  • Vídeo sugestão da leitora Danielle Cristina.
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Como Não Ser Uma Vilã de Novela
12/02/2013

Há muito tempo, antes de eu conhecer a Bruna pessoalmente, vi aqui no blog um post sobre música que recomendava a Cher Lloyd. Fui atrás das músicas dela e uma em especial cutucou aquele meu bicho contestador. Chama I Want You Back, e eu vou resumir basicamente a ideia:

Garota tem um namorado. Não gostava mais dele. Terminou. Ele arranjou outra namorada. A primeira ficou com ciúmes. Quer voltar.

Isso sempre é um clichê em filmes e seriados e sempre me deixou muito perplexa. Em primeiro lugar, cuidar do próprio relacionamento ninguém quer, né? As pessoas (principalmente as mulheres) só sabem falar dos relacionamentos alheios, em vez de se focar justamente na pessoa ao lado. Fazem fofoca, invejam e até se comparam a outros casais. O que você tem (ou deixa de ter) com seu namorado é único e não adianta se comparar a outras pessoas. Mesmo que você estivesse com o namorado da sua amiga, ele não te trataria exatamente do mesmo jeito como a trata.

Mas enfim, tendo isso em mente, sigo pro ponto seguinte e mais importante: querer o ex de volta.

Depois que você já fez besteira, não valorizou o garoto e deu um pé na bunda dele, aí você começa a ver como ele era um príncipe, né? E ainda por cima, se o garoto já superou e tá com outra, quem te disse que seria uma boa ideia tentar reconquistá-lo? Tem vezes que a gente tem que assumir a derrota mesmo, engolir esse sapo e continuar com a vida.

Pode parecer muito difícil ver alguém que nós fizemos feliz, ser feliz com outra pessoa. Mas acontece, use isso pra aprender e crescer, não pra ser vilã de novela. É muito melhor ser lembrada como a ex legal, que ensinou muita coisa e deixou boas lembranças, do que a ex insuportável, que jogou fora tudo de bom que aconteceu pra fazer a vida do novo casal um inferno. Saiba sair de cena elegantemente.

O interessante é ver como o tempo realmente é o melhor remédio. Nessas horas de arrependimento das besteiras que levaram ao término, a gente tem que se distrair, ver filmes, ouvir música e escrever. De repente, quando a gente menos perceber, aquilo não vai mais doer. Outros homens bonitos vão surgir e o ex vai ser só mais uma cicatriz, em vez de um machucado aberto.

E por fim, o maior desafio de todos: usar tudo o que você carrega nessa grande mala chamada “passado” para que seus futuros relacionamentos sejam cada vez melhores. Cometer os mesmos erros, não valorizar com quem se está e fazer as brigas ficarem mais comuns do que os sorrisos são características de pessoas que sofrem a vida toda e não sabem transformar esse sofrimento em aprendizado. Choram por algo que perderam, sem perceber que a chave pra não perder novamente está nas mãos delas.

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O ciclo vicioso do “meu cabelo tá horrível”
07/02/2013

A mulher que nunca se viu insatisfeita com seu corpo que atire a primeira pedra. Parece impossível encontrar uma mulher que se goste 100%, e a prova disso são os banheiros femininos. É sempre “Meu cabelo tá horrível” “Seu cabelo? Olha essas minhas olheiras, amiga!” e por aí vai…

Em alguns momentos, parece que essas autocríticas coletivas são simplesmente pra fazer a amiga se sentir menos mal, pois se ela está vendo seus próprios defeitos, é uma questão de cortesia e educação mostrar que você não se acha perfeita, certo?

Qual é o problema em se gostar? Será que nós não conseguimos nos ver perfeitas por que nos comparamos a mulheres irreais ou por que é quase criminoso se sentir linda? Acho que as duas opções acontecem simultaneamente. Primeiro, crescemos com mil revistas e filmes nos mostrando como as mulheres ~gostosas~ devem ser. A regra é: cinturinha, peitão, bundão (sem celulite, claro!), cabelo longo, liso e loiro, olhos claros e lábios carnudos. Unhas bem-feitas, pele de pêssego e depilação sempre em dia. Cara, alguém no mundo é assim de verdade? Tira o photoshop e bota a criatura numa luz comum (sem ser com aquela perfeição de estúdio) e vamos ver se ela é tão linda assim.

É claro que nossas musas cinematográficas podem ser admiradas por seus atributos físicos, mas nunca esqueça do tanto de produção por trás de cada foto, cada cena. Maquiadores, figurinistas, cirurgiões plásticos, fotógrafos, editores de imagem e uma equipe gigante trabalhando pra transformar aquela mulher numa deusa (uma louca uma feiticeira).

Agora, em relação a se amar na frente das amigas. Já imaginou se algum dia a gente responde ao tradicional “meu cabelo tá horrível” com um “o meu tá ótimo, bem do jeito que eu queria”. É até engraçado imaginar essa cena. (Na minha cabeça, a outra garota solta fagulhas pelos olhos assim que ouve a resposta.) Tá, não estou dizendo que isso é legal de se fazer, afinal poderia magoar a amiga. Mas precisa fazer um combo de autocrítica? “Meu cabelo tá horrível” — “Minha pele tá oleosa” — “Estou gorda” — “Preciso de uma plástica!!!” SOCORRO, NINGUÉM MERECE TANTO DRAMA.

Todo mundo tem suas próprias inseguranças com o corpo e o quanto antes lidarmos com isso, melhor. Eu ouvi minha vida inteira que eu era gorda. Hoje, quando alguém comenta isso em um vídeo meu, quase rio. Aquela pessoa insignificante (que raramente assina com nome e avatar) acha que vai me fazer sofrer mais do que eu mesma já sofri quando era adolescente? A gente se culpa, se sente mal e acha que ninguém nunca vai gostar de nós, só por causa desse mísero defeito.

E quando você menos esperar, esse defeito pode tomar dois rumos: ou vai sumir (no caso, você fica magra), ou vai virar apenas mais uma característica, que você não liga que faça parte de você. Estou acima do peso? Pode até ser, mas isso não tem nem um pouco de impacto na minha autoestima.

E é por isso que eu acho essas sessões de apontar defeitos no banheiro feminino algo tão negativo. Elas são basicamente um ritual de glorificação aos defeitos. Apenas os defeitos são dignos de menção, seja na esperança de receber um elogio de volta ou de mais defeitos ao redor, pra que você não se sinta tão mal. Deu pra entender?

O mimimi sempre é melhor recebido, porque quando a gente se sente bem e comenta algo positivo a respeito de si mesma, é arrogante, metida, se acha demais. Dane-se, eu me sinto bem e me acho linda! E você que leve esse seu cabelo asqueroso pra longe do meu, filha.

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O amor que eu inventei
04/02/2013

O amor não bate à nossa porta. Ele entra, bem devagarzinho, pela fresta esquecida da janela de madeira. Percorre lentamente seu caminho, desviando da estante e do sofá, chegando até a fechadura enferrujada do seu quarto. Acelera o coração. A gata se assusta. Então ele desce, rastejando pelo chão sem qualquer dignidade, e te encara, frente a frente, como se fosse pela primeira vez. Não adianta se esconder debaixo da coberta do passado ou praticar qualquer teoria de desapego. Conselhos nunca serão um motivo forte o suficiente. O final da história não existe até que ela efetivamente comece. Antes de dormir, agora, você faz planos. Todos eles se parecem por um único motivo. Pequenas pistas são deixadas no caminho.

Você está descalça. Seu cabelo está molhado e pingando. Algum tipo de descarga elétrica acontece a cada cindo minutos dentro do seu peito. Isso é raro. O tempo parou e a mesma música se repete desde o começo da manhã. As horas na frente do espelho se prolongam e o atraso é quase inevitável. Mais um pouco de perfume. Depois daquela esquina, na sala ao lado ou na próxima estação do metrô. É só mais uma possibilidade. Os fios se embolam dentro da gaveta. O nó na garganta não deixa a voz sair bem naquele exato momento. Antes das atitudes, as palavras, antes das palavras, os pensamentos proibidos.

Ao contrário do que dizem, o amor não tira o chão dos nossos pés. Ele nos ensina a voar mais alto. Não é muro. É pezinho. Se platônico, dói. Se recíproco, enlouquece. Até que se torne realidade, até que vire rotina e ocupe a maior parte do seu dia. As horas de solidão olhando para o teto se transformam em minutos de alegria e expectativa que serão sempre lembrados por fotografias encontradas em caixas no armário, anos ou meses depois. Não consegue enxergar? É sempre a mesma história. O final feliz, existe. Mas a cada página que você vira. Os livros preenchem a estante. Que por sua vez, ocupa a sala. Seu lugar preferido na casa. Desde que começou a ler sozinha.

Não existe certo ou errado. O melhor caminho é sempre aquele que te faz olhar ao redor e perceber os pequenos detalhes. As pegadas vão se apagando com a chuva. Por fim, você ainda consegue enxergar todas àquelas estrelas brilhantes no céu? Pois o sol vai nascer todo santo dia para te confundir um pouco mais. Um delas representa o que você sente, mas na verdade, agora, qualquer uma pode ser. No final das contas, a maioria delas só existe ainda dessa perspectiva. Tudo bem ter medo de estar perdida. Quando abrir os olhos amanhã, será um pouco menos complicado. O lobo mau não se importa com o tamanho do seu pé. Na verdade, ele só precisa de um pouco de atenção. Dê companhia a quem se importa e descubra o saída do labirinto.

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