vida

Minha sorte de ter um amor tranquilo

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Uma vez, quando eu ainda era criança, vi em um filme que amar era assim: fácil. Depois, nas histórias da vida real, percebi que podia não ser tão simples assim. Em um dos episódios de Grey’s Anatomy, uma das minhas séries favoritas, um personagem disse para a mulher que a amava tanto que doía. E por isso eles acabaram. Era isso o que eu tinha encarado até aqui na minha vida: amores que doeram. Todos belos, guardados a sete chaves no porão das minhas lembranças, com cadeiras reservadas no meu coração. Mas amores de pratos quebrados, promessas não cumpridas e gritos que incomodavam os vizinhos. Amores loucos, possessivos, avassaladores. Eu nunca tinha vivido a tal sorte de um amor tranquilo que Cazuza falava. Até ele aparecer.

Ele, que gosta mais de margarina do que manteiga. Que toma café sem açúcar porque diz que temos que encarar as coisas da vida assim: na marra. Ele, que me convidou para ver o pôr do sol no nosso primeiro encontro ao invés de me chamar para jantar. E me presenteou com cds de todas as suas bandas favoritas. Ele, que me abraça no meio de uma briga para eu me acalmar. Que me dá presentes inesperados, beijos não aguardados e declarações a dois melhores do que em público. Ele, que segura minha mão no avião, no shopping e na rua. Que segura minha mão na vida.

E você tinha razão, Cazuza. Tem sabor de fruta mordida, balanço na rede, todo amor que houver nessa vida. Tem barulho das ondas do mar. Tem cheiro de casa. Gosto de chocolate quente. Aquela sensação de ficar na cama em um domingo de manhã sem pressa de acordar pra vida. Um amor cheio de imperfeições, diferenças e opiniões contrárias, mas com uma paciência sem tamanho. E um tédio que, na verdade, nunca chega. Tão lindo quanto todos os outros amores do mundo, mas com a sorte tranquila de ser só meu.

E com ele, apesar dos filmes, das histórias da vida real e dos meus antigos amores, eu descobri que amar não tem fórmula. Pode ser silencioso, calmo, tranquilo, feliz, barulhento, difícil, penoso, árduo, bipolar. Amor pode ser tudo, só não pode ser exato. Porque nas contas do coração, amigo, 2+2 pode dar 5. E 1+1 pode acabar virando 1 milhão. De beijos…

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Lista: 101 coisas em 1001 dias

Vocês gostaram tanto do vídeo “50 coisas sobre mim” que eu resolvi responder mais uma tag/lista aqui no blog. Como são muitos itens, ao invés de gravar um vídeo, fiz em forma de texto e dividi em algumas categorias. A ideia é que eu atualize esse post sempre que conseguir realizar alguma coisa, tá? Vamos acompanhar.

Mundo

1. Conhecer Amsterdã e Dublin
2. Conhecer Tokyo com a Paula
3. Encontrar com a Martina na Itália (amiga que fiz durante o intercâmbio)
4. Viajar a dois <3
5. Lançar o próximo livro nos estados brasileiros que nunca fui 
6. Viajar com meus amigos do colégio
7. Conhecer um novo país com meus pais
8. Fazer um mochilão sozinha

Cursos

9. Fazer aula de street dance
10. Entrar na faculdade de publicidade
11. Voltar pro curso de inglês
12. Entrar na aula de piano
13. Entrar no curso de francês

Pessoais

14. Compor e ter uma música gravada
15. Ler todos os livros da minha estante
16. Pular de asa delta
17. Fazer amigos que meus amigos ainda não conhecem
18. Dar uma festa no meu apartamento
19. Colher morango do pé
20. Pegar o buque de flores em algum casamento
21. Ir num show da Maria Gadú
22. Conhecer a Katy Perry e tirar uma foto fazendo careta
23. Organizar minhas roupas e doar as que não servem
24. Malhar pelo menos 3 vezes por semana
25. Tirar fotos dentro da piscina
26. Trazer meus amigos de Minas para um fds em SP
27. Fazer mais duas tatuagens
28. Mudar a cor do meu cabelo
29. Aprender a dirigir
30. Andar de skate e patins sem cair
31. Ir em mais shows (e ficar na grade)
32. Ser mais organizada

Comidinhas

33. Cozinhar para os meus pais
34. Ir ao nutricionista
35. Almoçar no horário certo
36. Aprender a fazer cookies
37. Preparar uma torta de morango
38. Comer mais salada
39. Aprender a fazer feijão

Amorzinho

40. Viver uma paixão de filme (e sobreviver)
41. Dar um beijo em uma roda-gigante
42. Visitar pacientes de um hospital
43. Adotar um animal de estimação na Cobasi
44. Ser cúpido de algum casal

Trabalho

45. Mudar o layout do blog anualmente
46. Responder todos os meus emails
47. Escrever uma HQ
48. Consertar minha máquina de escrever
49. Fazer encontro com as leitoras no parque Ibirapuera
50. Escrever mais dois livros
51. Levar o “tempo livre” a sério
52. Conhecer blogueiras de outros países

Compras

53. Comprar um espelho com lâmpadas pro banheiro
54. Comprar o novo The Sims
55. Comprar mais pratos pra cozinha
56. Comprar um Super Nintendo
57. Comprar um Kindle
58. Comprar o box de The Oc
59. Comprar o Band Hero Super Bundle – X360
60. Ter uma boina de cada cor
61. Comprar uma Canon EOS 6D

Sonhos

63. Juntar grana e comprar um carro
64. Sonhar algo com alguém
65. Realizar o sonho de alguém
66. Ajudar meu pai a terminar de construir a casa
67. Ter grana para manter um abrigo de animais em Leopoldina
68. Ter um romance na lista dos mais vendidos
69. Fazer algum curso de escrita nos Estados Unidos
70. Que minha mãe pare de fumar
71. Trazer a Zooey pra SP
72. Trazer meus pais pra morar cmg em SP

Sentimentos

73. Me julgar menos
74. Seguir os conselhos que dou
75. Amar mais minhas curvas
76. Paz
77. Ser mais independente
78. Pensar menos e fazer mais

Variados

79. Confiar 100% em alguém que não seja da família
80. Fazer um mergulho no mar
81. Ganhar uma festa surpresa
82. Ficar menos tempo online
83. Mergulhar sem tampar o nariz
84. Assistir pessoalmente as gravações do ’X Factor’
85. Deixar de depender emocionalmente de comida
86. Ter uma agenda e escrever nela todos os dias
87. Assistir todas as temporadas de Friends
88. Fazer depilação definitiva
89. Aprender a editar no Final Cut
90. Fazer uma sessão de fotos em algum estúdio
91. Ter uma sobrinha
92. Ir ao Hopi Hari
93. Voar de balão
94. Doar sangue
95. Andar de banana boat no litoral
96. Visitar a Iza e a Gabi
97. Ir a um luau
98. Conhecer alguém que me faça querer casar
99. Completar minha coleção de pelúcias dos meus filmes prediletos
100. Ter um sítio no interior de São Paulo pra passar o final de semana
101. Cumprir todos os itens dessa lista em 1001 dias

Alguém aí tem blog? Que tal participar da brincadeira e fazer a listinha também?

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Segredos e pessoas falsas: o que isso diz sobre você

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A quantas chaves você guarda seu segredo? Tem segredos que a gente joga lá no fundinho do baú, fecha com cadeado, corrente e joga no fundo do mar. Esses segredos estão à salvo — pelo menos é o que achamos. O problema de verdade são aqueles segredos que a gente não acha que sejam assim tão secretos logo de cara e acaba mencionando de vez em quando. Depois que você falou uma vez, parece que a língua meio que aceita falar aquilo e se torna mais natural.

Isso acontece muito quando você conhece alguém com quem se identifica logo de cara. Com essa confiança, a gente se pega falando algumas coisas que não são necessariamente segredos, mas são coisas nossas que só queremos que algumas pessoas especiais saibam. O problema é que mesmo que essa confidência venha acompanhada de um “não conta pra ninguém, tá?”, quem ouve fica dividido na proteção desse segredo. Ora, se não é pra contar pra ninguém, por que ela me contou na nossa primeira conversa? Não deve ser tão importante assim, se ela contou pra mim.

Eu imagino que boa parte dos mal-entendidos de “fofoca” se origina aí. A gente tá pronta pra se abrir pra alguém, quando o outro não notou isso. Por isso, talvez a pessoa não ache que é algo tão particular assim, e acaba comentando por alto com outrem. Esta terceira pessoa, nem conhecendo as circunstâncias iniciais, passa a história adiante sem pensar e pronto, seu segredo caiu na roda. E depois não adianta falar que a pessoa é falsa, porque você confiou nela e ela espalhou a história pra todo mundo. Foi você quem confiou a ela uma informação que ela não estava pronta pra receber: seja porque não sabia, porque não era confiável mesmo, etc.

O que eu sempre digo é que se você não consegue guardar seu próprio segredo, não pode esperar que os outros também guardem. Afinal, não é deles, eles não têm nada a perder. É claro que tem gente ruim nesse mundo, que se aproxima da gente pra derrubar, pra ser o primeiro a ver o nosso rosto tocar a lona. Mas cuidado pra não misturar os desavisados nessa leva de malfeitores.

A vida nos ensina com o tempo que é melhor falar pouco sobre o nosso sucesso e menos ainda sobre o nosso fracasso. Quanto mais misteriosa, mais interessante você se torna pras pessoas que te conhecem. Quase como um livro: que graça teria se toda a história estivesse na orelha? Mas se você acha que assim não vai ter assunto com o outro, então há algum problema. Se a conversa só pode ser sobre as suas coisas, os seus problemas, a sua vida, reveja seus conceitos. Vamos conversar mais sobre o mundo em vez de tentar fazê-lo girar ao nosso redor?

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A gente se ama do jeito que acha que merece

salada

Não, a frase não é exatamente assim (We accept the love we think we deserve – de “As vantagens de ser invisível), mas acho que tudo começa por aí. Com sinceridade, quanto amor você sente por si mesmo? Acho que essa é a primeira coisa que deveríamos nos questionar quando reclamamos que só amor meia-boca nos aparece. Só cara errado, que pisa em nossos sentimentos e não valoriza nossos esforços. Mas e a gente? O quanto a gente se valoriza?

Quanto mais eu olho ao redor, mais eu vejo a gente se amando de menos. Mais eu vejo a gente se encaixando em modelos perfeitinhos para ser admirado pelo o outro. Mais eu vejo a gente calando nosso jeito para encontrar a tal pessoa ideal. Mais eu vejo a gente aceitando qualquer coisa que apareça por aí, até desamor. Acontece que quando a gente não se destina a devida quantidade de amor, a gente recebe dos outros qualquer migalhazinha de carinho e acha que está bom. A gente recebe qualquer sentimentozinho xoxo e fica contente. A gente é destratado e acha que está ok. Acho válido começarmos a espalhar por aí: mais amor, por favor. Só que amor próprio.

Mais amor próprio para a gente parar de aceitar tiquinhos de atenção. Para parar de se machucar tentando ultrapassar nossos próprios limites. Para saber bem a hora de parar e desistir de alguém que sequer tenta nos fazer feliz. Porque é preciso um bocado de amor para a gente entender que não precisa aceitar qualquer sinalzinho de sentimento, em um desespero angustiante de ser amado por alguém. Aliás, que desespero é esse que anda invadindo peitos por aí de ser amado por alguém?

A gente se ama do jeito que acha que merece. E andamos achando que merecemos bem pouco, para sermos sinceros. Temos dado pouco carinho a nós mesmos e distribuído amores intensos a qualquer pessoa que aparece. Mais amor próprio, por favor. Porque quando a gente começar a respeitar, de verdade, o próprio reflexo do espelho, talvez, aí sim, a gente mereça do outro um amor bem maior do que anda nos aparecendo. Então: mais amor, amigo. Por si mesmo.

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