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E você, dezembro, o que me traz?

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Eu sempre gostei de final de ano. O clima de festas, presentes, bom velhinho, carinho, solidariedade, doações. Aquela coisa que tanta gente reclama, que diz que é hipocrisia, mentira, alegria falsificada. Eu não; ver dezembro se aproximando sempre foi motivo para comemorar (mesmo que, hoje, infelizmente, o mês já não seja sinônimo de férias de verão). É nessa época que, afinal, temos a oportunidade de olhar para trás e fazer a retrospectiva dos outros onze meses em que, muitas vezes, as coisas não foram fáceis.

Sou da teoria que nós precisamos reacender a esperança sempre. Porque a gente abre o jornal no primeiro dia do ano e já vê desabamento. E já vê enchente. E já vê roubo, corrupção, assassinato, tragédia, acidente. A gente passa mais de 300 dias por ano lembrando como o homem pode ser ruim, como ainda há preconceito em pleno ano de 2013, como a mulher ainda encara machismo 24 horas por dia.

De janeiro a novembro, minha esperança vai morrendo pouco a pouco. Vai sendo esmagada pela rotina, esmurrada pelas notícias, espancada por comentários horríveis na internet. O mundo vai fazendo de tudo para eu deixar de acreditar que ainda tem jeito. Que ainda dá para melhorar, que tem sempre um caminho, uma luz minúscula no fim do túnel.

Sim, eu amo dezembro. E as luzinhas de Natal. E as renas do papai Noel. E as festas de família. E as cartinhas das crianças, os pedidos, os presentes, a onda de solidariedade, o discurso de “vamos ajudar ao próximo”. Porque, se esse é mesmo apenas mais um mês de puro consumo, como vivem dizendo por aí, minha maior compra é sempre a esperança. E pode me julgar por continuar sendo uma boba que não deixa de acreditar.

Continua parecendo tudo uma grande mentira a você? Que tal, então, transformar em um pouquinho de verdade? Doar um presente, ser o papai Noel de alguém, aprender a respeitar o jeito daquela tia que você não gosta? Dezembro começou; e se isso não significa nada para você, tudo bem. Desejo um ótimo mês do mesmo jeito: a você e a todo mundo. Porque, nesse mês, saio distribuindo por aí aquele pedido do Caio tão divulgado nas redes sociais: que seja doce.

Um doce dezembro a você, então.

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Como eu aprendi a olhar o lado bom das coisas

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Ao acordar no dia 13 de Agosto de 2011, mais uma vez atrasada, eu não imaginei que minha vida mudaria ali, tão rapidamente. Coloquei meu tênis verde de cano alto, uma blusa de frio colorida, a jaqueta e uma legging preta, saí correndo na chuva, fui atravessar a rua correndo e um ônibus me atropelou, parecia uma filme, parecia que ia acabar rápido e logo eu estaria na cama, acordando atrasada de novo.

Mas não foi bem assim.

Ao perceber que não era um sonho, que eu não fazia noção de que horas, dia ou ano aquilo acabaria e a única coisa que conseguia fazer era pedir para Deus que continuasse viva, soube que minha vida acabara de mudar.

Muitas fraturas e muito, muito sangue perdido. Depois de alguns dias na UTI, fui para o quarto, veio um médico me contar o que me esperava pela frente e me falou algo que nunca esquecerei: para sobreviver, usei 10 bolsas de sangue do banco do hospital. Ele me pediu ajuda para repor, me contou a atual situação dos bancos de sangue espalhados pelo Brasil e eu senti algo forte, uma mistura de gratidão com obrigação. Eu precisava contar aquilo para as pessoas, eu precisava ajudar outras Carolinas, Marias, Pedros, Brunos e outros tantos que chegassem no mesmo estado que eu cheguei, precisando de sangue para sobreviver.

Com a ajuda de amigos, gravei um vídeo chamando para a doação de sangue e recebi o maior presente da minha vida, o Projeto Vai, Doa! Não fiz nada sozinha, muitos amigos estavam comigo, me apoiando, visitando, me ajudando a espalhar o pedido, os amigos de internet, esses que a gente nunca abraçou de verdade mas consegue sentir tão próximo como aqueles que estão no nosso convívio, começaram a mandar fotos doando, divulgando e falando sobre doação.

Hoje, depois de 2 anos e alguns meses, estou completamente recuperada e o Vai, Doa! não morreu, ele se tornou nosso projeto pessoal (sim, todos vocês são #vaidoa) e com a ajuda de mais amigos, nos juntamos para contar para mais pessoas a importância de doar sangue.

O projeto Indiretas do Bem (que acredito que vocês já conheçam e amem, assim como eu) está fazendo uma missão – #instadobem11 ~ o que é VIDA para você? – e também divulgando no blog informações sobre doação, nada mais do bem do que salvar vidas, não é mesmo?

A Tastemade, que é uma network de vlogs de culinária, criou a playlist “Receitas do Bem” com vídeos de seus canais de culinária ensinando comidinhas e falando sobre doação, afinal, quem doa sangue precisa se alimentar direitinho!

E a Bruna Vieira, que além de querida é uma das pessoas que mais nos inspira hoje, cedeu esse espaço no blog para que a gente possa falar sobre doação.

Um dos objetivos do Vai, Doa! é desmistificar alguns tabus sobre doação, como por exemplo: você sabia que menor de idade pode doar sangue? A partir dos 16 anos, você pode ir até o banco de sangue com seus pais e eles autorizarem sua doação, não precisa esperar a maioridade para salvar vidas!

No Tumblr do Vai, Doa! além de informações como essa, vocês podem saber onde doar, quem pode doar e ainda mandar sua foto doando, isso ajuda a incentivar quem tem medo ou nunca pensou em doar. Caso você ainda seja menor de 16 ou por algum motivo não possa doar, saiba que falar sobre isso com os amigos, parentes, compartilhar pedidos de doação já ajuda muito, todas as pessoas que conseguimos levar para doar a partir do Vai, Doa! ficaram sabendo por amigos, pela internet, portanto, todos podem ajudar a salvar vidas!

Hoje estou totalmente recuperada, mãe de 5 gatinhos e essa foi a minha forma de olhar o lado bom de um acontecimento ruim e reconhecer o valor de amizades sinceras, sejam elas digitais ou não. Portanto, atravesse na faixa, doe sangue e olhe sempre o lado bom das situações negativas, saiba que por mais difícil que seja, sempre fica algum aprendizado positivo e nos tornamos pessoas melhores, pessoas capazes até mesmo de salvar outras pessoas.

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Quebra de contrato

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Uma das regras pra isto dar certo era eu não te amar. Não ter essa necessidade louca – quase doentia – de te ligar às 16h45 de uma segunda-feira só para te contar uma besteira do meu dia. Para a coisa engrenar, eu tinha que abominar essa saudade que sinto da sua voz. Tinha que achar ridículo esse seu jeito bobo de me fazer sorrir por qualquer coisa, independente do meu humor. Tinha que rir dessa minha mania de te olhar e ficar assim: toda boba.

Para ir pra frente, tinha que ser só corpo no corpo, olho no olho, boca na boca, louca paixão. Tinha que ser fácil, simples, rápido, leve. Tinha que ser tudo aquilo que as pessoas esperam quando saem por aí procurando qualquer coisa – qualquer coisa! – menos amor. Porque, afinal, quem é que quer estragar tudo colocando sentimento onde até então nem existe nada? Quem é babaca de querer estragar o que, até ontem, a gente tinha?

Para você sair ileso, já te aviso, a gente tinha que ter aquele ar eterno de facilidade dos rolos de finais de semana. Das ligações só de vez em quando. Das mensagens a cada quinze dias. A gente tinha que ser uma daquelas pessoas que conseguem carregar a leveza de amizades coloridas, casos sem importância, pegar-só-por-pegar. Para não ter erro, a gente não deveria nunca ter virado um casal.

Tava no contrato, simples, claro, óbvio: “nem inventa de colocar sentimento”. “Não repete o mesmo script de todos os seus outros relacionamentos inacabados”. “Foge desse problema enquanto é tempo”. Mas eu não li as letras miúdas, não acreditei nas cláusulas, não entendi o peso da minha assinatura na página final. Descumpri as regras e agora pago os erros de ser uma dessas coitadas que não conseguem separar razão de emoção.

Uma das regras pra isto dar certo era eu não te amar. Era não ter enfiado amor, carinho, preocupação, cuidado, saudade, atenção. Era eu ter deixado bem longe os ciúmes, as neuras, os problemas, o sofrimento, o desespero. Era eu ter fugido da vontade de te ligar, te ouvir, te ter na minha rotina, no meu dia, na minha vida. Mas quem foi a babaca que resolveu colocar amor na equação? Coitada! Agora só me resta pagar a multa por ter confiado no doido do meu coração.

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Mudando o rumo da própria história

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Para superar de verdade nossos problemas precisamos nos reinventar. Mergulhar dentro dos próprios pensamentos e encontrar uma pontinha de esperança que nos faça querer seguir em frente e parar de chamar tanta atenção para algo que no final das contas é só nosso. Algo que, sendo totalmente sincera, estamos é tentando nos livrar faz um certo tempo. É mais fácil quando temos alguém por perto, pra ouvir umas boas verdades e ter companhia no final de semana, ocupar o tempo ocioso e dar gargalhadas despretensiosas, mas também, se for o caso, garanto pra vocês, não é impossível de se fazer sozinho.

Pode parecer meio mórbido, mas em dias assim, gosto de lembrar de alguns dos meus piores momentos. Escuto músicas, vejo fotos, converso com velhos amigos ou simplesmente escrevo. Tipo agora.

Não é sobre se esconder atrás de antigas mágoas. É sobre usá-las como referencial. Às vezes a gente simplesmente se esquece que houveram outros dias ruins, sabe? Amadurecer tem um pouco a ver com usar experiências passadas para não cometer novos erros, por isso, tudo bem desenterrar o passado só pra ter certeza de que a raiz é forte e que esse vento uma hora ou outra vai passar. As estações mudam, independente do lugar do mundo que você está.

Hoje, quando olho pra trás, percebo que ninguém nesse mundo me conhece mais do que eu mesma. Ou seja, posso ter saído com diversos caras ou feito e desfeito ótimas amizades, mas continuo sendo quem mais lidou com esses malditos medos, inseguranças e manias.

Eles são meus. Eles são eu.

Na primeira vez que eu achei que fosse morrer de tristeza meu corpo todo doía muito. Foi pior do que qualquer resfriado. Pior do que ficar de castigo sem internet ou tirar a casquinha do machucado no joelho sem querer. Na primeira vez que me disseram adeus eu quase fui junto, mas aí eu fui ficando. E o quase membro do meu corpo virou um desconhecido e de vez em quando a gente até se cruza na rua. Eu não sinto nada e isso me deixa feliz pois significa que se não der certo, depois de um tempo, será sempre assim.

Quanto tempo mesmo?

A verdade é que a vida da gente é curta demais para deixarmos que a transformem num tribunal e fiquem julgando o que é ou não apropriado. Agir de acordo com as expectativas alheias o tempo todo é mais ou menos como não fazer nada. E se for para não fazer nada, convenhamos, é melhor ficar no sofá o final de semana inteiro assistindo sua série preferida e comendo besteiras, concorda?

Terminei a terceira temporada de “Lie To Me” ontem.

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