Entre aspas: Depois dos Quinze
22/05/2013

Depois dos quinze você aprende que a paleta de cores da sua vida vai além do rosa e dos tons mais inofensivos. Você se vê numa linha de transição que parece um abismo divertido – e pode tanto deixá-la com vontade de se atirar ou com medo de cair pra dentro de um novo mundo. Aos poucos troca o rosa pelo vermelho, pelo vinho e por outras cores que antes você considerava chatas. Depois dos quinze você vai entender tanta coisa que não entendia antes – ou entendia, mas nunca tinha parado pra pensar sobre elas e lançar um olhar diferente.

Depois dos quinze você entende que o seu princípe encantado precisa de mais do que um cavalo branco e de um sorriso bonito pra te conquistar. Ele precisa dar um jeito de fazer você se sentir a menina (e a mulher) mais especial do mundo. Você vai ver que uns princípes eram lobos em pele de cordeiro, outros eram cordeiros mimados e bundões, outros eram bons princípes que não combinavam nada com você e, um dia desses, você esbarra com o seu princípe. E não vai se espantar se ele estiver andando na rua como outra pessoa qualquer que só você notou. Não precisa ficar com medo, menina. Você vai notar que é ele pelo jeito com que se olham. Os olhos nunca traem a gente.

Depois dos quinze você vai perceber que alguns problemas nunca foram problemas e que existe tanta, mas tanta coisa mais importante por aí. Tanta gente boa, tantos sonhos que ainda não saíram do travesseiro e tanta magia nas luzes da cidade. Você vai entender um pouquinho mais sobre as chatices dos seus pais e vai passar a entender o real valor de um “eu te amo, sabia?”. Vai ralar os joelhos de tanto cair, rir das suas burradas e quedas e vai aprender a beber café de tantas noites viradas na internet com alguma paixão que mora longe ou com algum trabalho que não te deixa dormir direito. Vai tirar o salto alto na balada, entender a delicia que é usar uma sapatilha baixa e aquele pijama confortável do lado de quem realmente te faz bem, sem se importar em como isso pode parecer na frente de um espelho.

Depois dos quinze, você ainda vai passar pelos vinte, pelos trinta, pelos quarentas e por todos aqueles cremes anti-idade que você não vai precisar. Nada demais. Só umas precauções e algumas atitudes correspondentes a cada nova idade. Você vai viver tudo isso um dia, se é que já não vive depois dos quinze. Mas calma, menina. Recomendo que você aproveite os quinze e tudo o mais que vem junto dele. Toda a euforia, o brilho nos olhos, os diários escondidos, os amigos virtuais, o sorvete depois do colégio, os jogos de queimada na rua e tudo mais. Porque um dia os quinze acabam. Todo esse mundo mágico e delicioso que um dia passa, fica escondido no porão de casa, guardado na memória e tal. Se você quiser, guarda os quinze num baú pra abrir mais tarde e vive os seus quinze agora. Garanto que você não vai se arrepender de abrir alguns sorrisos quando estiver mais velha.

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Feliz dia das mães!
12/05/2013

Hoje é aquele dia do ano em que todo mundo resolve abrir a caixa de fotografias, esquecida no fundo do armário, para pegar uma foto antiga e postar na internet. Tudo bem, vai. No dia das mães a gente fica assim, mais sensível, mais carinhoso, mais criança. Querendo mostrar para o mundo o quão incrível a pessoa que nos colocou nele é. Pois por aqui não foi diferente. Só que dessa vez eu contei com a ajuda da FIAT para fazer isso.

Feliz dia das mães, mamãe! Agora tô longe, mas logo logo tô aí pertinho de você.

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Entre aspas: Vai passar
03/05/2013

Olhe, não fique assim, não. Vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo, porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta: as dores da vida. Pense assim: agora está insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não, porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e, quando vai ver, o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente tem que ser feliz sempre? Isso é bobagem. É melhor viver do que ser feliz. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque, depois do topo, a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto alto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.

*Na tag “entre aspas” divulgamos textos de autores brasileiros. Escreve? Deixe seu link nos comentários. Quem sabe seu trabalho não aparece aqui no blog Depois Dos Quinze?

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Desejos do coração vs. Opinião dos outros
24/04/2013

Sempre chega um momento na vida em que temos que decidir entre nós e o mundo. Calma, é bem mais simples do que parece. Já notou que sempre tem algum aspecto na nossa vida em que nós gostamos mais de uma coisa, mas os outros nos consideram melhor em outra? Por exemplo, eu adoro desenhar animais. Aí vai aparecer alguém dizendo que eu deveria desenhar pessoas, porque eu as desenho muito bem. Mas eu GOSTO de desenhar animais. Você fica revoltada e quer gritar “Que tal você mudar e começar a gostar dos meus desenhos de animais, caramba?!”, mas então você percebe que aquela opinião tem embasamento e deve ser considerada.

Este é mais um daqueles momentos de crise na nossa vida e, vou te contar, é UM SACO! A gente vive dizendo que não liga pra opinião dos outros, que somos autênticas… Até se encontrar nesse beco. Sempre bate aquela dúvida: “e se eu estiver errada e a maioria certa?”

Lembro que isso rolou quando eu tive que fazer vestibular (normalmente essa é a primeira vez pra todo mundo). Eu adorava português, literatura, biologia, história, geografia, artes… Mas o que fazer com tantos talentos? Foi então que pensei em fazer letras. Mas todos me diziam que eu era muito boa em artes, que deveria fazer design, ou algo do tipo. Eram duas coisas que eu gostava muito, mas uma delas não agradava aos outros. No final das contas, fui fazer vestibular de design. Foi então que o majestoso destino acionou seus peões e foi me tirar do caminho errado: descobri o vestibular de cinema uma semana antes de fecharem as inscrições e mergulhei de cabeça.

Na faculdade, a crise bateu de novo. Eu adorava várias coisas: edição, continuidade, animação, direção de arte… Mas todos diziam que eu tinha dom pra produção. Isso significa que eu seria aquele cara (no caso, mulher) com uma prancheta na mão cobrando horários e resultados de todos, e que liga pra Deus e o mundo pra que nada saia do planejado durante uma gravação. Nenhum problema com isso, mas eu via claramente que eles enxergavam essa qualidade em mim porque eles mesmos não eram assim organizados como eu era. No fim das contas eu me dei bem usando minha organização, só que em outra área: fazendo vlog.

Pensando nessa história toda, acho que o certo não é A nem B: é a opção secreta C. Porque por um lado, a gente se conhece bem, só que não entende direito como as pessoas enxergam nosso talento. Já os outros têm esta percepção aguçada, mas não compreendem plenamente os desejos do nosso coração. Enquanto seguir só o que queremos é imaturo e pode ser um tiro na água, fazer tudo exatamente como os outros querem é dizer não pra nossa própria felicidade. Talvez se a gente conseguisse entender isso, nossas crises seriam bem mais simples. A opinião alheia é sim, muito importante. E nossa autenticidade também! Só está faltando a sabedoria pra misturar esses dois ingredientes.

Olhe para o seu caminho, olhe pro caminho que os outros te apontaram. Aí agora fica vesga, planta bananeira e então você vai ver a resposta certa. Quem me dera tivesse uma receita simples dessa… De qualquer forma, acho que a verdadeira resposta é: pare de enxergar tudo em preto ou branco e comece a ver os tons de cinza (não os da livraria, os da vida mesmo).

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O amor da sua vida
22/04/2013

Vai, menina, escreve. Encontra as palavras certas nesse precipício de emoções. Não pule agora. Segure firme. As lembranças são a ponte que vão te levar para o outro lado.

Estenda a cama. Depois tire as fotos antigas do mural e jogue o lixo fora. Ligue o chuveiro, deixe a água escorrer pelo teu corpo. Lentamente. O vapor deve estar embaçando o vidro. Escreva alguma coisa com os dedos. Saia. Agora seque o cabelo, abra a janela emperrada do quarto e cozinhe alguma coisa que faça seu estômago revirar. Sem queimar o dedo de novo. Mastigue devagar enquanto finge prestar atenção naquele filme sem título. Mude de canal quantas vezes desejar. Dê um tempo do mundo real. Escute o silêncio te contar alguns segredos. Surpresa: no fundo, você sempre soube que isso iria acontecer.

No fim, não importa onde seu corpo vive. Seus pensamentos é que sempre serão sua casa.

Escolha uma roupa bem bonita. Passe aquele batom vermelho. O celular não tocou, mas você pode usá-lo para falar com mais alguém. O dia ainda não acabou. Encontre as chaves. Você não está sozinha. Consegue ver aquele carro preto estacionando ali na frente? É de alguém que realmente se importa. Não com o que vão pensar. Dessa vez, com você. Alguém que ainda não tem um passado em comum, mas que oferece um futuro inteirinho todo em branco.

Ele não vai dizer as mesmas coisas. Também não vai ter o aquele cheiro de roupa limpa. O cara do carro que acabou de estacionar tem cheiro doce. É mais velho, viu mais do mundo e talvez isso pareça um grande problema. Você tem medo, eu sei, mas não é. Ele vai te segurar mais firme pela cintura, ler seus textos quando você não estiver por perto para não te envergonhar e no fim da noite, vai te levar até a porta do apartamento novo depois do cinema.

Às vezes, ele vai te mandar flores só para lembrar o quão forte você tem sido nos últimos meses. Não tenha medo de contar, minha querida. Porque é justamente ele que vai te provar que o amor da sua vida nem sempre é aquele cara que chega e transforma tudo de uma hora para outra. O amor da sua vida é aquele cara que chega e simplesmente fica. Ele.

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