Vai, menina, escreve. Encontra as palavras certas nesse precipício de emoções. Não pule agora. Segure firme. As lembranças são a ponte que vão te levar para o outro lado.
Estenda a cama. Depois tire as fotos antigas do mural e jogue o lixo fora. Ligue o chuveiro, deixe a água escorrer pelo teu corpo. Lentamente. O vapor deve estar embaçando o vidro. Escreva alguma coisa com os dedos. Saia. Agora seque o cabelo, abra a janela emperrada do quarto e cozinhe alguma coisa que faça seu estômago revirar. Sem queimar o dedo de novo. Mastigue devagar enquanto finge prestar atenção naquele filme sem título. Mude de canal quantas vezes desejar. Dê um tempo do mundo real. Escute o silêncio te contar alguns segredos. Surpresa: no fundo, você sempre soube que isso iria acontecer.
No fim, não importa onde seu corpo vive. Seus pensamentos é que sempre serão sua casa.
Escolha uma roupa bem bonita. Passe aquele batom vermelho. O celular não tocou, mas você pode usá-lo para falar com mais alguém. O dia ainda não acabou. Encontre as chaves. Você não está sozinha. Consegue ver aquele carro preto estacionando ali na frente? É de alguém que realmente se importa. Não com o que vão pensar. Dessa vez, com você. Alguém que ainda não tem um passado em comum, mas que oferece um futuro inteirinho todo em branco.
Ele não vai dizer as mesmas coisas. Também não vai ter o aquele cheiro de roupa limpa. O cara do carro que acabou de estacionar tem cheiro doce. É mais velho, viu mais do mundo e talvez isso pareça um grande problema. Você tem medo, eu sei, mas não é. Ele vai te segurar mais firme pela cintura, ler seus textos quando você não estiver por perto para não te envergonhar e no fim da noite, vai te levar até a porta do apartamento novo depois do cinema.
Às vezes, ele vai te mandar flores só para lembrar o quão forte você tem sido nos últimos meses. Não tenha medo de contar, minha querida. Porque é justamente ele que vai te provar que o amor da sua vida nem sempre é aquele cara que chega e transforma tudo de uma hora para outra. O amor da sua vida é aquele cara que chega e simplesmente fica. Ele.
Alyne , 16 anos , Brasília – Oi. Primeiramente quero dizer que sempre leio o blog e principalmente essa coluna. Vocês já me ajudaram muitas vezes com vários assuntos! Começando: Eu não tenho disposição pra cumprir nada. Sou daquelas que começa o ano novo, com muita força de vontade, mas em fevereiro já desistiu de tudo. Ano passado mesmo, me matriculei no Boxe, mas desisti na segunda aula.
Olá Alyne, tudo bem? Certas coisas nessa vida incluem muito mais força de vontade do que a gente pode imaginar. Às vezes coisas realmente simples, como ir a uma aula de boxe, realmente exigem um esforço e esse esforço só pode vir de você. Pense, primeiramente, o que faz você desistir dessas coisas. Você cansa? Se entedia? Será que você não adia muitos os seus planos e acaba desistindo depois? Ou você sempre pensa na dificuldade e acaba desistindo por isso? É importante que tenha esses conceitos em mente. Só assim saberá realmente o que acontece com você.
O problema é que isso acaba atingindo também as coisas mais simples como arrumar meu quarto ou organizar uma festa do pijama. E eu sinto medo, porque já estou quase indo pra faculdade e tenho medo de não conseguir terminar. E isso também acontece freqüentemente em relação aos meninos: Começo a ficar com um menino, mas quando ele mostra que quer algo sério, eu pulo fora. Queria saber o que eu posso fazer para que eu tenha mais disposição e garra para agarrar os meus objetivos.
Quantos aos meninos, analise seus sentimentos e não se assuste com a idéia de se arrepender ou algo dar errado depois. Essas coisas acontecem sempre.
Quanto as outras coisas, você terá que ir tentando. Se já sabe que esse é um problema, então comece agindo. Uma das minhas dicas, talvez a principal e que eu, inclusive trouxe para a minha vida porque tinha o mesmo problema, foi a mania de listas. Faça listas para tudo. Se organize. Sabe o que isso quer dizer? Escreva em um papel, caderno, diário ou mural (de preferência em um lugar de fácil acesso) tudo que você espera para 2013. Ou melhor: tudo que você quer fazer em 2013. Depois que escrever tudo, pense em cada desejo e planeje um jeito de chegar até ele. Não se assuste com as dificuldades e nem pense em desistir porque pode levar tempo.
Por exemplo: se quer passar no vestibular no ano que vem ainda, mas quer começar a estudar desde já, então coloque essa meta em sua lista e depois crie um plano de estudo. Se quer voltar para o boxe ou fazer qualquer outra coisa, então crie uma rotina e inclua essas vontades no seu dia.
Às vezes, tudo que a gente precisa é de um pouco de disciplina. E isso não quer dizer que você deve esperar a vontade de fazer chegar e só aí pensar se quer mesmo. Se quer, comece agora mesmo e descubra um jeito de se manter afim de tudo aquilo. Um pouco de força de vontade aliada a organização e disciplina e você finalmente chegará lá. Tente, Alyne. Boa sorte, viu? Beijos.
E você? Tem alguma dúvida? Está enfrentando algum problema? Mande um e-mail para [email protected] e conte-nos a sua história. Lembre-se sempre do nome, idade e a cidade/estado que vive. Afinal, estamos sempre entre amigas!
Você aparece no sorriso do Ian Somerhalder, no meio do último episódio de The Vampire Diaries. E se esconde no meio da letra da música “Sei” do Nando Reis. Você circula pelos rostos de desconhecidos nas esquinas em que eu viro. E tem mania de se disfarçar nas gargalhadas alheias. Você finge que vai embora, que se mandou de vez, e aí aparece na minha memória no meio de um encontro com o carinha da minha faculdade, só para me lembrar que nenhum outro consegue provocar o mesmo efeito que você.
Você se agarra em meus textos, só para impedir que qualquer outro vire protagonista de minhas histórias. Você abraça todas as músicas do meu iPod, só para eu me lembrar de você em cada suspiro dos meus cantores preferidos. Você está por perto quando eu vou a farmácia, quando corro na esteira da academia e quando coloco a cabeça no travesseiro e faço um esforço tremendo para não me lembrar mais de você.
Aliás, fazer um esforço tremendo para te esquecer é tudo o que eu tenho feito nesses últimos dias. Mas você nem precisa se esforçar para me fazer lembrar. Eu te enxergo na nuca do meu vizinho carioca. A parte de trás do cabelo dele tem o mesmo corte que o seu. Eu te escuto na ligação que minha melhor amiga recebe do namorado, porque eu só consigo pensar que eu queria que você me ligasse também. Eu vejo seu olhar de decepção no meio da mensagem que escrevo para o carinha com quem eu ando saindo, só para me provar que meu coração não tem dono. Mas ele tem.
Eu escuto suas broncas quando faço algo errado. E ouço seu riso enquanto assisto ao seu episódio favorito de Friends. Eu sinto seu cheiro quando alguém parecido com você passa por mim. Eu vou atrás de um estranho no ônibus pensando que é você. Eu tremo inteira quando um número desconhecido começa a me ligar. E quando o Facebook avisa sobre alguma notificação, eu sempre acho que pode ser você tentando me ganhar outra vez.
Mas é no momento em que eu penso em você enquanto cantarolo “Estranho seria se eu não me apaixonasse por você” que eu canso de fugir. Derrubo as minhas próprias barreiras, deixo as paredes que construí em volta do meu coração desmoronarem e, sem defesas, me rendo. É, eu me rendo. Porque te esquecer eu não posso. Então, só me restar te amar sem medo. E eu te amo.
Ontem eu não imaginava que hoje eu sentiria vontade de escrever este texto. Quero dizer, que eu estaria pronta para compartilhar essa verdade secreta com o mundo. Você sabe. No fundo, todos nós sabemos. Algumas coisas, às vezes pequenas, às vezes maiores do que conseguimos imaginar, precisam de tempo para serem compreendidas. Um perdão. Um trauma. Uma morte. Um erro cometido no passado. Coisas que incomodam em silêncio e que com o tempo, todo mundo esquece. Menos nosso próprio coração.
Coisas teoricamente bestas, que perto do que mostram os jornais sensacionalistas, nos tornam seres superficiais e ingratos. Ainda assim, estou aqui para bater no peito e dizer que essa dor não é nem um pouco superficial. É profunda e às vezes, nem com muita terapia conseguimos descobrir onde realmente dói ou como faz para parar.
É uma questão de tempo. Do clichê e incontrolável tempo. Não tem jeito, mais cedo ou mais tarde você vai olhar no espelho, ou para a bagunça do seu novo quarto, e se perguntar, quando é que as coisas mudaram tanto assim? Qual foi o exato momento em que fulano se tornou um completo desconhecido? Seria depois daquela atitude? Ou depois daquela expectativa diariamente cultivada? Quando foi que, você, deixou de colocar aquilo em primeiro plano? Vai saber.
Passei uns bons meses tentando descobrir se eu realmente já tinha feito isso. Foi olhando através da janela do meu quarto, para vista cheia de prédios e luzes de Natal, que a ficha caiu. Nós não fazemos isso com uma atitude, fazemos isso continuando nosso caminho e lutando a favor daquilo que acreditamos.
Um cliclo termina quando paramos de chamar o começo de começo. Quando aceitamos o presente e aprendemos a respeitar o final. Ao contrário do que já li muitas vezes por aí, respeitar não tem nada a ver com esquecer ou deixar pra lá. É simplesmente aprender a conviver e lidar com o fato de uma maneira madura. Conversando, ligando, escrevendo, pedindo desculpas, visitando o túmulo pela primeira vez ou sei lá, ligando o foda-se e deixando escapar uma lágrima bem na frente da pessoa.
Às vezes, involuntariamente, nos tornamos o ponto final da história de alguém. Às vezes a vírgula, às vezes a exclamação e infelizmente, às vezes, o ponto de interrogação. Também corremos o risco de ser a reticências, fadados a um final meio que sem continuação. Mas isso não é tão importante porque independente do que aconteça, aqui, ali ou aí, teremos sempre a nossa própria história para escrever. Nela, as páginas não são escritas com canetas, palavras e promessas. Para conseguir virar nossa página, precisamos de escolhas e atitudes.
A boa notícia é que um novo dia nasce toda manhã. O mesmo sol de alguns anos atrás. O mesmo frio ou calor. O mesmo horizonte, talvez até a mesma vista da janela. Mas ainda sim, um arriscado e surpreendente dia. Espero que saiba ou descubra logo o que fazer com ele.
Ps: Tenho certeza absoluta que já usei cada palavra deste texto pelo menos mil vezes. A questão é que em uma ordem diferente, elas podem querer dizer outras coisas. É mais ou menos por aí.
Caroline, 17 anos, Porto Alegre/RS – Eu venho aqui pedir sossego. Sinto falta da paz interior, na verdade, sinto falta de sentir algo no interior de mim. Anda tudo meio vazio, meio chato, meio sem graça, meio sem sentido. E eu já não faço mais esforço nenhum para entender as coisas, as pessoas, os lugares e principalmente os por quês. Sabe quando a gente se sente meio perdida? Sem saber cadê o seu verdadeiro eu?
Olá Carol. Penso que todo mundo ao menos uma vez na vida enfrenta uma fase ruim assim. Nada faz sentido, não existe vontade, não existe nada. É exatamente quando a gente liga o botão “tanto faz” e deixa as coisas acontecerem como bem entendem, não é?! Pois bem, penso também que é nesse momento que a gente costuma se encontrar. É exatamente nesse momento que devemos buscar o “nosso eu” e se conhecer verdadeiramente. Isso é só uma fase e é óbvio. E quando tudo isso passar, você verá que a sensação que fica é que você fez uma longa viagem para dentro de você simplesmente porque não estava com vontade de se resolver com o mundo, mas perceberá também que se resolveu com você mesma.
Ou para onde foi a graça que você achava nos seus amigos e em todas as outras coisas que estão ao redor? É uma espécie de ir para algum lugar, mas você não se identificar em parte alguma, é como estar perdida e não saber para qual direção ir. É como uma bússola quebrada que não serve mais. Ah! Serve sim: te confundir mais ainda. Talvez seja o final de ano, o cansaço escolar, o pré-vestibular, o cursinho preparatório. Talvez a rotina virou parte de mim. “Talvez”, “quem sabe”, “pode ser”, “tanto faz”, “não sei”.
É natural que todos estejamos fartos nesse fim de ano. A rotina já começa incomodar, você se sente cansada de tudo, não tem paciência para mais nada. É natural, Carolina. O que não pode é você deixar isso acontecer por muito tempo, porque aí você pode acabar se acomodando e esse “tanto faz” persistirá por muito tempo na sua vida. Como disse antes, tire esse tempo para você e não se preocupe com os outros. Os amigos vão entender que esse é o momento que você se recolhe para você mesma.
Queria poder dizer “sim” é realmente isso e mais um monte de outras coisas velhas que você pôs no seu coração e nunca tirou de lá deixando criar raízes mais profundas ainda, ou então, “não é a vida mesmo, essas coisas acontecem com todos”. Mas que espécie de psicóloga quero ser se nem me entender eu sei? Como uma pessoa vai deixar outra pessoa mais confusa ainda ajudar a achar o caminho? Não. Nem os loucos deixariam.
Carol, isso é só uma fase na sua vida. Acredite. Acho que é muito importante passar por momentos assim, porque afinal ninguém vive só de felicidade, de certezas, etc. Quando você passar por isso, estará mais certa ainda do que procura, do que quer e tudo poderá ser ainda mais fácil. E esse seu medo de “confundir ainda mais as pessoas” vai passar logo e não afetará sua profissão.
Quero a luz no túnel, quero poder sorrir só porque acordei viva, quero poder respirar fundo em uma tarde ensolarada de domingo só de lembrar que no dia seguinte não vai ter compromisso. Quero essas coisas bem clichês, entende? Quero ficar feliz de saber que no final vai valer a pena, que vou rir de tudo isso. Que vou rir desta coisa que está dentro de mim. Maldita coisa.
Não quero me tornar uma metade ambulante que se perdeu por aí, quero ser eu novamente, não eles. Não o que tudo isso me tornou. Me socorre?
E você será. Ainda mais você. Esses clichês voltaram a fazer parte da rotina e você com certeza irá rir de tudo isso que está acontecendo. É importante que passe por isso. Que queria reconhecer você mesma, que queria se descobrir novamente. Isso trás maturidade. Maturidade que muitas vezes demora muito tempo para acontecer nas pessoas. É um momento necessário e como o próprio nome diz, é só um momento. Acredite nisso. Você não se perdeu. Apenas está se encontrando ainda melhor.
Te desejo tudo de bom e que isso passe muito rápido, mas que você possa também tirar uma boa lição de tudo isso. Boa sorte, Carol. Beijos.
E você? Quer contar a sua história? Tem alguma dúvida? Envie um e-mail para [email protected] contendo sempre nome, idade, cidade/estado. Sinta-se à vontade, porque, afinal, estamos sempre entre amigas!
Oi, tudo bem com você? Meu nome é Bruna Vieira, tenho dezenove anos, sou mineira, mas moro em São Paulo desde 2012. Sempre fui meio tímida e para realizar os meus maiores sonhos, tive que mudar de cidade e deixar para trás meus melhores amigos, cadelinha (essa da ilustração) e família. Parece coisa de filme, né? Pois o final feliz vem agora. Depois de um ano vivendo por aqui, ganhei uma coluna na Revista Capricho (assine aqui) e publiquei um livro chamado Depois Dos Quinze (compre aqui). Comecei a escrever porque levei um fora de um cara que eu jurava ser o meu primeiro e único amor, agora que superei tudo isso, o blog se transformou num lugar onde compartilho as coisas mais legais que vejo por aí! Mais »
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