Os detalhes que guardei de você
24/04/2013

Seu olho esquerdo continua ficando menor do que o direito quando você acorda? Seu sorriso continua um pouco torto, daquele jeito fofo que só você tinha? E sua voz? Ainda fica rouca sempre que você vai admitir para alguém que está amando? Aliás, me diga isso, sem meias palavras, sem medo de me machucar: houve amor depois de mim? Não me entenda mal. É só que eu continuo perdida entre o que eu conseguia antes e depois de nós dois. E amar é uma dessas coisas que eu começo a achar que nunca mais vou conseguir fazer. Acho que a última pessoa que amei foi e vai ser sempre você.

Eu continuo digitando seu número toda vez que quero contar uma boa notícia a alguém. Permaneço querendo ouvir sua voz sussurrando no meu ouvido que tudo vai ficar bem depois de um dia exaustivo. Eu ainda sonho com o som da sua risada toda vez que conto uma piada sem graça. E sinto falta das vezes que você esquecia meu aniversário e comprava mil presentes para se desculpar. Eu sinto saudades do jeito que você ficava emburrado e não respondia as minhas perguntas. E da sua mania irritante de deixar a tampa da privada levantada.

Eu morro um pouco por não ouvir mais suas reclamações no trânsito. Ou seus pedidos de perdão quando você finalmente admitia que estava errado. Dói não te escutar mais cantando aquelas músicas chatas, não ter ver mais assistindo aos seus filmes-cabeça ou lendo seus livros de sucesso empresarial. Eu sinto falta do que você diria quando soubesse que eu briguei com a minha mãe pela milésima vez. E da lição de moral que me daria quando eu contasse que larguei meu sonho por medo.

Eu sofro pelo cheiro de bolo queimado que nunca mais pude sentir. Pelos jantares que você não arruinou tentando uma receita nova. Pelos pratos que você não quebrou enquanto lavava a louça. Eu sofro por todas as vezes que você não tentou – nem vai mais tentar – ser chefe de cozinha e me usar como cobaia. Para ser mais clara, eu sofro por tudo o que foi e não é mais e por tudo o que ainda poderia ter sido. Tanta coisa. Eu ainda sofro por você.

Mas e aí? Você já descobriu aonde foi que a gente errou? Eu ainda me questiono, todas as manhãs, em que lugar a gente não deu certo. Ainda quebro a cabeça tentando encontrar nossas falhas. Fico aqui, como uma doida, querendo saber: se eu te amava e você me amava, por que nosso final não foi feliz como todos os outros? No fundo, o que eu queria saber era apenas por que a gente teve que ter um final. Uma merda de final.

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As voltas que eu dei pra nunca mais
22/01/2013

Eu voltei. Eu voltei porque era muito amor, porque era muito carinho e muita preocupação. Eu voltei porque o seu olhar sempre me implorou, de um jeito extremamente carinhoso, para não te deixar sozinho, para não desistir de você. E eu tentei, fiz das tripas coração, engoli meu orgulho, extrapolei, insisti até mais do que deveria, tudo para não desistir, tudo para não largar sua mão. Eu voltei porque, mesmo sem ninguém nunca entender, eu continuava amando você.

Eu perdoei suas cagadas. Desculpei até quando não soube me amar, porque no fundo eu me apegava a cada vez que você me amou sem defeitos, ainda que essas vezes tenham sido tão poucas. Eu engoli sapos, calei meu coração e deixei que você errasse o quanto quisesse, na esperança que um dia você finalmente aprendesse com os seus próprios erros. Eu voltei mesmo quando você não aprendia.

Eu chorei, me arrependi, quis te bater, quis muito te odiar. Tive muita vontade de olhar nos seus olhos e perguntar por que você fazia aquilo comigo, por que você não aproveitava todo o meu amor e vinha me amar de volta, ao invés de fazer tudo para me perder. Olha só que coisa mais estúpida e autodestrutiva: eu insisti em você mesmo quando você desistia de mim.

Eu voltei mesmo quando eu deveria ter te tirado da minha vida. Eu voltei mesmo quando todos me criticavam. Eu voltei mesmo quando eu sabia bem que devia deixar você no meu passado. Eu te agarrei no meu presente crente que você me queria no seu futuro. Eu voltei por falta de coragem de ir sem te levar.

Eu voltei tantas vezes que achei que esse seria o nosso fim: minhas eternas voltas. Mas hoje eu vim só pra dizer que eu não volto mais. Só pra contar que daqui não passo. Que todas as minhas voltas foram só uma maneira de fugir do que eu mais temia: o dia que eu teria que ir e te deixar pra trás. Hoje, eu voltei apenas pra dizer que nós dois merecemos mais do que isso. Mais do que uma relação cheia de voltas e sem nenhum recomeço. Você vai encontrar alguém que não precise voltar, alguém que finalmente fique. E, se Deus quiser, eu vou encontrar alguém assim pra mim também.

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Entre aspas: Gente demais na cama!
19/12/2011

Você está deitada na cama com seu amor, uma cama que você gostaria de chamar de sua, mas não é possível: tem gente demais ali. É seu homem que, sem cerimônia, as convida a entrar. Primeiro vem uma, depois outra e mais outra. Elas atravessam as paredes, as portas, as vidraças e vão se deitando, todas, na cama que deveria ser sua.

Cada uma toma um bom espaço com sua presença acachapante de espectro: elas vieram do passado e no passado não há chatice, não há chulé, não há tédio, não há burrice, não há constrangimentos, não há falta de desejo. Elas, as mulheres que seu homem teve, são perfeitas.

Ele varre constantemente o salão de baile das próprias lembranças e deixa ali apenas o que foi melhor. Elas pertencem à festa e fizeram por merecer tal lugar: tudo bem. O problema é que não há tranca, barra, cadeira, armário que faça a porta desse salão de baile ficar fechada. Ali é ele quem manda e se ele diz “abre-te, sésamo”, elas todas entram, todas se aboletam na cama que deveria ser sua.

Você sente o espaço ficar cada vez mais exíguo e, veja, lá vem mais uma. Você se vira de um lado, de outro, tenta encontrar um cantinho onde se apoiar e, por muito pouco, não cai da cama: tem gente demais ali. Você pisca os olhos, sente o piscar, macera os olhos com a força dos cílios e das pálpebras, mas elas não vão embora: tem gente demais ali. Você se deitou para esticar os músculos, os nervos, o ventre, o sexo. Você se deitou naquela cama para ser você, mas tem gente demais ali. Elas são passado; você, presente. Porém, quando ele começa a falar delas, elas se tornam presente no agora. Elas estão presentes. Elas estão aqui. Elas incomodam.

E há os detalhes! Ele conta os detalhes da festa: sensações incríveis, imagens estupendas, de uma perfeição de face de Deus. O que você pode oferecer a um homem que já viu a face de Deus? Que ganhou o amor das profissionais do sexo, que fez delas o que bem quis, que protagonizou as mais indescritíveis fantasias, que foi estoica e estupidamente amado?

A cama está cheia e ele quer que você acredite que você não tem cacife para estar lá. Que seja. Tudo o que você tem é um caldeirão de feitiços que não foram lançados, seu legado é uma esteira de irrealizações e uma fome imensa, imensa de tudo.

Então você se encolhe no escuro, no pedacinho torto que sobrou para você naquele glorioso e povoado colchão. Em breve, será inevitável que você se levante, afinal, tem gente demais ali.

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Sabe-se lá
05/11/2011

Eu queria olhar você de novo. Tocar sua pele, sentir seu cheiro e fazer de conta que o tempo nunca esteve entre nós. Falar bem baixo em seu ouvido todas as palavras que durante esses meses, foram apenas escritas e guardadas na última gaveta daquela velha estante do meu quarto.  Abraçar você em uma madrugada fria, e deixar nossos corpos se esquentarem, sem pressa. Não perder nenhum detalhe. Ouvir seu silêncio.

Ah, meu bem, como eu queria que você me entendesse. E me desculpasse também. Joguei sobre nós todos os meus medos e incertezas. Deixei no caminho cacos de vidro, e nem isso te fez desistir. Acho que no fundo, o amor, puro e em paz, era novidade pra mim.  Eu amava você, mas ainda precisava saber como era viver o resto. Fugi.

Costumava ter certeza de tudo. Agora, às vezes, me dão umas crises de choro e desespero que parecem não ter fim. Nem motivos. É um uma espécie medo e ao mesmo tempo, uma incerteza de tudo que quero ser, de tudo que fiz pra chegar onde cheguei. Eu deveria estar sorrindo e abrindo um champagne nesse exato momento. Mas ao invés disso estou aqui, pensando em você e me perguntando se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Fico tão cansada de reviver todo dia tudo isso, e digo para mim mesma que está errado, que eu deveria voltar atrás e correr para algum lugar onde você possa me encontrar. Só me resta saber, ainda me procuras?  Sempre te imaginei sentindo minha falta antes de dormir.

Então como naquele dia, a gente se encontra por acaso na rua e dizemos sem nem olhar direitos nos olhos: “Oi, como você tá?”. Em seguida trocamos algumas palavras sobre a vida e os nossos novos rumos – como se fossemos maduros o suficiente pra lidar com tudo isso. Digo que vou bem, e você responde que jamais esteve melhor. Então, até mais, boa-tarte, um beijo, e tchau.

Final da história: Eu me sentindo uma idiota, você sentindo sabe-se lá o que.

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Quando o ex não é só um ex!
21/06/2011

Relacionamentos fazem parte da vida de todas  nós e o término de alguns é quase que inevitável. O problema aparece quando o ex-namorado, contra a sua vontade, permanece na sua vida lhe trazendo a tona algumas lembranças e sentimentos, seja porque você ainda gosta dele ou porque ele não consegue te deixar em paz. No fim, vira-e-mexe ele só aparece para te atormentar.

Às vezes, para o ex não fica tão claro assim que infelizmente todo sentimento foi embora e que não existe mais nada. Assim, ele costuma ficar no pé querendo lhe fazer mudar de idéia, certo? Se acha que não haverá chance nenhuma de voltarem, seja firme com suas palavras e deixe bem claro que acabou. Sempre em que ele insistir e vier tentar falar aquele assunto que você já está cansada de ouvir, repita mais uma vez que chegou ao fim. Uma hora ele vai se cansar e vai entender que não tem mais jeito. Para casos assim, paciência é a chave do sucesso.

Quando você percebe que, mesmo que não queira, você ainda sente algo, a situação é um pouco mais complexa. Se acha que ele também sente algo, seja humilde e mostre que ainda existe um sentimento. O que levou ao término do namoro pode ser um empecilho e a justificativa da resistência de vocês para reatarem o romance, portanto deixe claro que as coisas mudaram e que ainda pode dar certo. Talvez vocês estejam separados porque um dos dois não quer dar o braço a torcer e por isso, não tenha medo de assumir sua condição e mostrar que ele faz falta. Se ainda existir um sentimento forte, as coisas provavelmente vão voltar a fluir e tudo vai dar certo.

Se o término foi por algum erro seja da sua parte ou da dele, leve em consideração seus sentimentos e o que, de fato, aconteceu. Lembre-se de todos os momentos bons que passaram juntos e que, talvez se houver o compromisso de mudança, o relacionamento pode ser reatado e dessa vez pode ser ainda mais forte.

Haverá diversas pessoas que marcaram nossas vidas de diversos modos e as pessoas com as quais dividimos mimos e um sentimento tão bom quanto o sentimento de um namoro tendem a marcar mais ainda. Se de qualquer outro modo ele ainda está presente, só existe uma coisa que irá afastá-lo: O tempo. Nada como deixar o tempo agir e fazer o que realmente tem que ser feito. Se ainda ama, deixe claro seus sentimentos, mas se preserve ao mesmo tempo. Não deixe-o abusar da sua boa vontade e do seu coração. Nessas horas, usar o bom senso e ouvir o que seu coração pede é o melhor a se fazer. Se não o ama mais, deixe-o seguir a vida e mostre que é necessário que você também siga a sua. Vão aparecer outros momentos, outras pessoas e outros amores. É só uma questão de tempo, de deixar ir embora (e, mesmo que contra a nossa vontade, o tempo sempre age e essa hora sempre chega).

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