Entre Amigas: Não aguento mais o ciúme do pessoal lá de casa
05/07/2012

Aline, 15 anos, São Paulo – Sou uma garota que adora sair e curtir, porém tenho dois irmãos e um pai que pegam muito no meu pé e sei que é normal da idade, mas está começando a ficar um pouco exagerado. Na maioria dos lugares que frequento meu irmão vai e sempre fica me dizendo perto de amigos que está de olho em mim e nunca me deixa nem conversar com um garoto e ficar com alguém então é impossível. Já fiquei com outros garotos, mas nunca no mesmo local que meu irmão estava e quando ele fica sabendo ele logo fica “soltando” isso perto do meu pai, o que deixa meu pai ainda mais desconfiado.

Oi Aline, tudo bem? Poxa, que chato isso, hein? Mas olha, tenho certeza que não é a única que passa por isso e assim como tudo nessa vida, essa fase protetora demais vai passar. Sei que é ruim e que isso tem te impedido de viver as coisas que uma garota de 15 anos quer de fato viver, mas pense que é só fase. Quanto ao seu irmão, chame-o para uma conversa em particular e coloque seu ponto de vista. Não é justo que isso aconteça.

Já tentei conversar com meu pai e com meus irmãos sobre isso várias vezes, mas eles insistem que sou nova demais. Têm momentos que me dá vontade de não sair mais, pois não posso ter privacidade mesmo. Só não entendo o que provoca isso: ciúmes ou falta de confiança?

Sei que já tentou conversar com eles, mas já parou para pensar o porquê disso acontecer pode ser sim ciúmes, mas não a falta de confiança? Pode ser um mix de ciúmes e medo de perda, bem como o ciúme e o medo de que aconteça algo com você. Afinal, para eles, você é muito nova! Seu pai pode simplesmente ter medo de ver a filha crescendo e criando suas próprias asas e seus irmãos podem mesmo ter ciúmes, por saber que podem ter que “dividir” a irmã deles com outra pessoa. Pode ser medo de que você faça algo, se decepcione e sofra ou que talvez aconteça algo sério com você. Por isso seus irmãos encontram sempre a necessidade de estar ali do seu lado onde quer que você vá.

Algumas pessoas me acham criança por não poder namorar e ter que ficar me escondendo deles. Fico super magoada e passo muita vergonha. Abraços!

Não se preocupe com o que os outros podem falar de você! Você tem seus motivos e só você saberá com o tempo como lhe dar com eles. Tente ir mostrando aos poucos quem você é. Tente ganhar um pouco mais a confiança dos seus irmãos, mostre como consegue se virar sozinha em certos lugares ou como tem capacidade suficiente para ir àquela festa sem que seja necessária a companhia deles.

Essas coisas levam tempo, mas é importante que você tente. E nada medida que for conseguindo, tanto seus irmãos quanto o seu pai podem ir rendendo pouco a pouco e lhe dando mais votos de confiança e liberdade. É chato, mas, como eu já disse, é fase e você tem que ir tentando reverter isso aos poucos. Espero que consiga! Beijos.

Está enfrentando algum conflito? Tem alguma dúvida sobre amizade, amor, família, etc? Então mande um e-mail para [email protected] contendo seu nome, sua idade, sua cidade/estado e conte-nos sua história. E lembrem-se: estamos sempre Entre Amigas!

Comente
Entre aspas: Saudade não é ex
22/10/2011

Sobras de minha existência pela casa, escondidas para não irritar a nova mocinha. Meu pijama sufocado num canto da gaveta para que nenhuma lembrança respire. Meus chinelos abduzidos no meio da “sapataiada”, tão pequenos que quase inexistem ou poderiam passar tranqüilamente por pares de criança. Fotos, milhares delas, guardadas sem carinho, uma preguiça triste de arrumá-las em álbuns. Estão lá, paralisadas em momentos felizes, tradutoras de uma vida que quase foi, trancadas porque o que quase foi não pode atrapalhar o que ainda pode ser. Talvez um fio de cabelo, o último deles, esteja nesse momento sendo varrido e levado pelo vento forte e solitário que não deixa dúvidas que o inverno chegou.

Inverno que era sempre comemorado porque eu sabia que ele não sentiria tanto calor para dormir e eu poderia ser abraçada de conchinha o tanto que desejasse. Agora é outra que suspira protegida olhando o quadro do Monet e ri apaixonada de algum provável barulho que ele faça com seu nariz estranho, jurando na manhã seguinte que não ronca. Saudade não é ex, tampouco amor. Mas a vida da qual abrimos mão por um sonho (ou por um erro) é passado. E de escolhas e de perdas é feita a nossa história.

Não há nada que se possa fazer a não ser carregar por um tempo um peso sufocante de impotência: eu escolhi que aquele fosse o último abraço. Agora é outra que se perde em ombros tão largos, tomara que ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o quanto aquele abraço é o lado bom da vida. Da vida que te desemprega mesmo depois de tantas noites em claro e de tantos beirutes indigestos. Da vida que te abre uma porta que você jura ser a certa mas quando resolve entrar descobre duas crianças brincando na sala e uma mulher esperando no quarto. Da vida que te confunde tanto que você quer se afastar de tudo para entendê-la de fora. Da vida que te humilha tanto que você quer se ajoelhar numa igreja. Da vida que te emociona tanto que você não quer pensar. Da vida que te dá um tapa na cara pra você acordar e não tem ninguém pra cuidar do machucado e dizer que vai ficar tudo bem. Da vida que te engana.

Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-lo. Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conhecido homens que não gritavam quando eu acendia a luz do quarto, não faziam uso de um cigarro que me irritava profundamente e sobretudo minha rinite alérgica, não amavam os amigos acima de, não espirravam de uma maneira a deixar um fio de meleca pendurado no nariz, não usavam cueca rosa, não cantavam tão mal e tampouco cismavam de imitar o Led Zeppelin, não tinham a mania de aumentar o rádio quando eu estava falando, não tiravam sarro do bairro em que nasci, não insistiam em classificar minhas mãos e pés como seres de outro planeta, não ligavam se eu confundisse italiano com espanhol e argentino, nomes de capitais, movimentos artísticos, datas de revoluções e nomes de queijo, era ele que eu amava, era ele que eu queria. E ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que conheciam a Europa e não entupiam o ralo com cabelos, mulheres que tinham nascido em bairros nobres e charmosos de São Paulo, ou melhor, do Rio de Janeiro, mulheres que arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer, não entravam de sapato no carpete, não tinham uma blusa ridícula com uma rajada de dourado, não eram dentuças e tampouco testudas, não cantavam tão mal, não tinham medo de cachorros pequenos, não reclamavam do ar-condicionado e nem tinham medo de perder a mãe ou comer uma comida muito temperada, era eu que ele amava, era eu que ele queria. Mas a realidade é que não gostamos desses tipos de filme fraco com final feliz, gostamos dos europeus “cult” onde na maioria das vezes as pessoas sofrem e perdem, assim como aconteceu com a gente.

QUER SABER QUEM ESCREVEU ESSE TEXTO? Continue lendo

Comente
Independência ou morte
27/04/2011

“Quando você deixa de atribuir a algo ou alguém a responsabilidade pelo modo como se sente, está tomando posse do seu poder pessoal.”

De uns tempos pra cá, a palavra independência tem aparecido bastante nos meus textos. Independência. Independência. Independência. Tudo isso porque tenho reparado na importância do significado de tal substantivo, que até outro dia mesmo, não passava de uma matéria chata do livro de história.

Não estou aqui escrevendo isso para dar lição de moral  ou falar sobre os intermináveis defeitos da nossa errônea sociedade. Estou aqui para falar sobre abismos, sobre os nossos abismos, aqueles que existem dentro de nós, bem onde não conseguimos tocar, só sentir – e algumas vezes, tentar descrever. Abismos esses, que nos fazem dependentes do mundo exterior.  Das pessoas que vivem nele e em suas respectivas atitudes.

A verdade, é que nós ainda temos mania de depositar no outro todas as nossas fichas. Fichas que muita das vezes, nunca depositaríamos em nós mesmos. Tanta credibilidade, uma hora ou outra, acaba prejudicando. Por esperarmos tanto, fazemos de menos e cobrarmos demais.

No relacionamento, a independência é igualmente importante. Temos que entender, que para um casal, a individualidade é tão fundamental quanto o amor.  Pra quando acabar, ninguém sofrer tanto. Seja por pena, ou por abandono. Mas isso não é uma tarefa fácil, nós nos acostumamos fácil com o que nos faz sorrir.

Jamais encontraremos a felicidade, se caminhar em encontro a ela, for uma tarefa que só conseguimos fazer com alguém. Entenda que, as alternativas precisam existir, mas isso não quer dizer que você tenha sempre que escolher sozinha.

Comente
O falso bem-me-quer
26/04/2011

Desde que nascemos, somos colocados no mundo à volta de coisas e pessoas, tendo a escolha de gostar ou não gostar. Com o tempo percebemos que os sentimentos envolvidos em “não gostar” são infinitamente mais fáceis de lidar do que os de “gostar”. Quando não gostamos de algo e achamos alguém pra compartilhar desse “desgosto”, ficamos muito felizes em ter mais alguém pra não gostar de uma coisa junto com a gente, independente de quem essa pessoa seja e do que ela represente na sua vida. Já quando gostamos de algo e achamos alguém com o mesmo gosto, é muito mais comum você começar a ter mais raiva daquela pessoa se você já não for com a cara dela do que mudar sua opinião porque vocês compartilham do mesmo gosto. Essa inquietação em saber que algo que você gosta também é gostado por outra pessoa é o famoso ciúme, sentimento que você achava só estar presente no seu namoro ou nas suas amizades.

Sentir ciúme é tão complexo quanto tentar explicar o que é estar enciumado. É uma situação que sempre envolve três vertentes, no mínimo: você, o objeto/pessoa em questão e a suposta ameaça. Apesar de ser um sentimento natural que todos sentirão pelo menos uma vez durante a vida, o ciúme exacerbado pode se tornar obsessão. O sentimento causa grande ansiedade e sempre é causado pelo medo de perder.

É engraçado como o próprio ciúme consegue ser ciumento. Ele não consegue ser um sentimento sozinho, pois carrega consigo a insegurança, o egoísmo, o medo e o ódio, sempre embalados por uma vertente bem perigosa do medo, o “medo de perder”. O ciumento sempre fica em busca de algo para cavar sua própria cova e alimentar mais sua dor inventada.

Engana-se quem pensa que ciúme tem a ver com amor entre duas pessoas. O único amor com o que o ciúme tem a ver é o amor próprio. Ciúme é pura vaidade. Vem disfarçado de bom moço com falsos sentimentos de proteção ao bem amado, mas só faz mal; tanto a quem cultiva o sentimento quanto a quem o ciumento “protege”.

Se você ficou esperando eu falar no final “mas um pouquinho de ciúme faz bem”, sinto lhe decepcionar. Não compactuo desse senso porque acho ciúme uma coisa extremamente chata. Isso não quer dizer que eu não sinta ciúmes. Claro que sinto, todo mundo está fadado a sentir. A diferença é que eu procuro entender de onde ele vem e o que e porque eu estou com medo de perder. Depois de analisar, eu mesmo lido com minha insegurança, sem ter que arrastar as pessoas junto comigo pra um problema que vem de mim e é totalmente meu. Não pense que ciúme é sentimento entre duas pessoas. Ciúme é sentimento de uma pessoa só. Resolva o que te aflige antes da sua aflição resolver-se por você. É sempre melhor cortar o mal pela raíz.

Comente
Sinto ciúme da minha irmã, o que eu faço?
25/03/2011

Você a viu crescer. Admira-a tanto que é capaz de sentir certo desconforto. Pra você, sempre existiu uma diferença entre você e sua irmã, seja por parte dos pais ou por parte de amigos e desta forma, você vai se sentindo cada vez mais excluída. Esse sentimento vai crescendo cada vez mais e mais e aí vem aquela pergunta: O que fazer com todo esse ciúme?

Seja sincera: por que acha que cultiva esse sentimento? É pelos pais de vocês? Por alguma atividade que ela desenvolve? Pelo fato de vocês terem estilos completamente diferentes?   Talvez você pense que sua irmã seja mais popular, mais bonita e talvez até ganhe mais atenção de sua família. Mas, no fundo você sabe que tudo não se passa de uma grande admiração que sente pela sua irmã, o que pode te fazer querer ser exatamente daquele jeito. Você e ela são repletas de qualidades e você precisa entender que cada uma, apesar de irmãs, tem e terão fases distintas e isso em nenhum momento te torna menos importante.

Se você é mais nova e a acha um tanto mais popular e mais bonita, saiba que você também é incrível e que sua hora também vai chegar. Você também irá passar por aquela idade, terá seu próprio grupo de amigos e irá desenvolver uma personalidade parecida ou não com a dela.

Se acha que seus pais dão mais atenção a ela, tente entender o porquê.  Pode ser algo que ela faça, seu comportamento e milhares de outros motivos. Lembre-se sempre: Seu pai ou sua mãe podem sentir um tanto mais de afinidade pela sua irmã, mas o amor é e sempre será o mesmo. Se tratando de amor não existe diferença. Pode ser uma característica que ela tenha que lembra mais os dois, mas isso em nenhum momento muda o quanto você é especial na família.

Se ela é mais nova e você acha que seus pais dão mais privilégios a ela, recorde-se de que você já teve aquela idade e que mesmo que tenha sido diferente, ela vai crescer e mais cedo ou mais tarde alguma coisa vai mudar. Por exemplo, pode haver certa diferença de maturidade e por isso há diferença no tratamento. Isso não quer dizer que você não tenha sido amada o suficiente naquela época. Pode ser só saudade de quando era mais nova, não?

No fim das contas, mostre para sua irmã o quanto a admira por ser quem é e o quanto se orgulha disso. Pode surgir uma amizade linda entre vocês e toda essa situação desconfortável pode ir desaparecendo com o tempo à medida que você passa a ter certeza de que também tem seu espaço e que também é especial. Cada uma é dona de uma personalidade única e se você realmente acha que todo esse sentimento pode estar atrapalhando, converse com ela. Tenho certeza que ela irá entender e tudo vai ficar bem. Pode ter certeza.

 

Comente