O que é pior: ser adolescente ou ser adulto?
23/03/2013

A coisa que eu mais odiava, quando era adolescente, eram as pessoas mais velhas falando que eu ia sentir falta do colégio, que eu tinha que aproveitar tudo porque as coisas passam rápido. Eu detestava esse tipo de papo, porque todo mundo que já foi adolescente (ou que se lembra dessa época) sabe que é UM INFERNO NA TERRA ter que aguentar fofoquinhas, intrigas entre “amigas”, bullying, professores pegando no nosso pé, lição de casa, provas, não ter dinheiro, não poder sair sozinha quando bem entender… Só pra começar. Mas então que diabos as pessoas vão sentir saudade da época de colégio? Ser adolescente é um martírio, como é que alguém pode preferir ser adolescente a ser adulto?

Bom, conversando com uma amiga ontem, ela falou uma frase que me inspirou muito: “era melhor ser adolescente e ter todo um planejamento pela frente, do que chegar agora, aos vinte e poucos anos e ver no que a nossa vida está se tornando e não ter nada o que fazer a respeito”. Eu juro que isso não é pessimista. Tá, talvez seja um pouco.

A verdade é que enquanto a gente é criança e adolescente, nossa vida está toda planejada por outras pessoas. Nossos pais e professores sabem o que é melhor pra gente, nos mantém na linha e nos cobram responsabilidades. Mas se você perguntar pra qualquer adolescente, ele sairia correndo dali no mesmo instante. Quando esse adolescente ~vira gente~, as decisões ficam pra cima dele: que vestibular você vai fazer? Pra qual faculdade? Já arrumou estágio? Em que área você quer trabalhar? É tipo sair da primeira fase do jogo no modo easy e do nada ser jogado pro último chefão no nível hard.

Por isso rola uma crise de ser bombardeado por mil decisões ao mesmo tempo e, ainda por cima, o medo de fazer as escolhas erradas. Ora, meus pais conseguiram me manter viva por 17, 18 anos… E agora eu vou lá e jogo fora todos esses anos de educação fazendo… artes plásticas. Ou qualquer outro curso que pareça super legal, mas não vai me dar um tostão depois de formada.

A dificuldade em ser adolescente é enxergar que as decisões que estão sendo tomadas POR nós não são castigo e, na maioria, são pro nosso bem. Já a dificuldade em ser adulto é ter que encarar essas decisões sozinho e não pedir nem uma ajudinha pros seus pais. Ou então, se você fracassar, saber que não vai ter uma recuperação, trabalhinho valendo nota nem nada do tipo pra te ajudar a sair do buraco. Na vida adulta você está sozinho e se você se der mal, ninguém liga.

Eu e meus amigos estamos naquela fase onde a faculdade já acabou e temos que decidir onde trabalhar ou, no caso de alguns, engatar logo um mestrado. A gente tenta se acostumar com a ideia, mas não dá pra evitar: uma decisão vai ter que ser tomada, cedo ou tarde. Parece que no final das contas, não dá pra vencer: ser adolescente é bem ruim e ser adulto também é bem ruim. Não dá pra pensar que crescendo nossos problemas vão desaparecer ou ficar mais fáceis. Eles ficam tão difíceis quanto a gente pode lidar. Por isso, em perspectiva, ser adolescente parece ser mais fácil: porque já passamos por aquilo e já superamos aquela situação.

Não me entenda mal, ser adulto é legal! A gente tem nosso próprio dinheiro, não tem que ir pro colégio pra aprender “coisas inúteis”, como química e física, não precisa pedir permissão pra fazer nada… Mas às vezes a permissão faz falta, pra gente ter um norte: se meu pai não deixa, deve ser legal.

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24/05/2012

Conheci você em uma dessas ruas sem saídas que a vida faz a gente pegar. Sem saber de muita coisa, nos esbarramos por acaso em frente aquele antigo prédio vermelho – que você jura até hoje ser vinho. Tanta coisa no chão fez a gente se confundir e ao mesmo tempo, se entender. Éramos parecidos demais pra ter alguma coisa a ver. Trocamos links, amigos e depois, encontramos juntos a saída. No começo eu te enxergava como um possível amor, confesso. Talvez até tenha sentido alguma coisa e criado expectativa para o segundo ou terceiro encontro. Mas depois de algumas horas, semanas e meses ao seu lado, sem nenhum interesse aparentemente recíproco, desisti. Minha regra sempre foi: Evite trocar sorrisos por beijos.  

Desde então você se tornou o cara dos seus sonhos. Não éramos príncipe e princesa, mas estávamos sempre juntos lá no baile. Dançando, bebendo, ou sei lá, roubando doces pra deixar na geladeira até o próximo final de semana. Aprendi aos poucos a parar de enxergar segundas intenções. Era permitido carinho, era permitido amor, só não era mesmo permitido aquela coisa que todo mundo dizia ser a definição do que é real e do que não é: Compromisso.

Passamos os piores e os melhores momentos ao lado um do outro. Mesmo, e talvez principalmente, quando você se mudou pra Califórnia por uns tempos para fazer aquele tal intercâmbio. Lembro que gastei todo meu salário de estagiaria em uma ligação onde sem dizer praticamente nada, consegui explicar o fim de um namoro e como ter você sua presença fazia falta.

Ah, que saudade daquela época em que a gente se encontrava pra jogar o tempo fora, criar pratos extraordinários e assistir nosso filme predileto. Você dizia que eu era uma garota diferente. Daquelas que qualquer cara do mundo se apaixona com cinco minutos de conversa – e não, como as outras, com apenas um olhar. Eu achava graça e dizia que aquilo não era um elogio. Era na verdade uma maneira educada e fofa de dizer que eu era mais legal do que bonita. 

Agora estamos aqui, trocando emails e tentando há semanas marcar um simples café em uma quinta qualquer. Não é irônico? Você tem seus filhos, e eu o trabalho dos meus sonhos. Parece que conseguimos finalmente o que tanto queríamos. Pena que pra isso, tivemos que remar um pra cada canto. Mas vai, a culpa não foi nossa. Nem sempre o amor tem o mesmo ritmo. Nem sempre quem amamos é quem nos faz feliz. Seja como for, quando der, me liga. Será que ainda tem meu número?

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