Textos de amor

Continue não me levando tão a sério assim

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Você me perguntou porque eu havia parado de escrever sobre as coisas que sinto. Arregalei os olhos como se estivesse surpresa. Aquela era uma questão recorrente, de fato, mas eu não achei que estivesse tão óbvio assim. Dei de ombros e disse em outras palavras que a culpa era da sua falta de interesse. Quero dizer, textos como esse continuaram nascendo na minha mente durante todas as noites de insônia. Estou absolutamente familiarizada com as incógnitas que preenchem esses parágrafos, mas cansei do drama. Não quero mais impressionar ninguém. Nem o espelho.

Te culpo um pouco por ter roubado minha intensidade corriqueira. Mas são tantas fases e depois de você foram tantos chefões quase invencíveis. A tal da inocência a gente perde com a vida e as lições do cotidiano nos ensinam a preservar o tempo que sobra. Foi assim que me dei conta de que às vezes é mais fácil simplesmente deixar a dor na forma mais bruta. Sem críticos ou curiosos que opinam sobre as escolhas que fiz e a profundidade das cicatrizes que ficam.

Algumas coisas ainda me assustam e não sei se vai fazer sentido dizendo assim, mas elas é que me fazem lembrar de você. Será que ainda compartilhamos da mesma estranheza do mundo ou nos transformamos em velocidades tão diferentes ao ponto de nos estranharmos? Talvez eu nunca descubra.

Das vontades que tive, a única que sobreviveu ao tempo é a de dizer um monte de besteira sem ter certeza e não me importar com as consequências, como costumava ser nos intervalos das aulas de sociologia no caminho até a cantina. Você parecia me conhecer tão bem ao ponto de não me levar tão a sério o tempo todo. Ouvia minhas teorias e pedia bis. Nunca mais encontrei alguém que fizesse isso tão bem.

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O que o tempo faz com a gente

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Por algum motivo desconhecido fui parar nos primeiros posts publicados aqui no blog. Mais de cinco anos se passaram desde o dia que resolvi desabafar pro mundo o que apertava meu peito e não me deixava dormir. Eu ainda lembro os motivos, geralmente tenho que falar sobre isso quando me perguntam como tudo começou, mas é estranho imaginar que um dia fui aquela garota. Somos Brunas completamente diferentes agora.

A melhor – e também pior – parte de escrever é que você nunca se livra completamente de um sentimento ou pensamento. Eles ficam eternizados ali, esperando alguém que tá passando por aquilo ler e se identificar. Isso é legal. Esperando você voltar só pra jogar na sua cara o quanto aquela era uma versão easy dos verdadeiros problemas que surgiriam na próxima esquina.

Sei que os dramas da adolescência vão se dissolvendo aos pouquinhos nos compromissos e obrigações da vida adulta, nas experiências e desilusões, mas é sempre um choque voltar lá no começo e lembrar que um dia a gente viu a vida daquele jeito e jurava, de pé junto, que sabia das coisas. Que amava de verdade. Que tinha todas as respostas. Um plano infalível pra realizar todos os nossos sonhos. Pfffff.

Não vou mentir. Dessa ingenuidade eu realmente sinto falta. As coisas são mais simples quando você não tem a menor ideia do que tá fazendo. Sem lembranças ruins a gente não tem o que temer, né? As músicas são só músicas. As ruas são só ruas. A hora de dormir é a hora de dormir e pronto.

Às vezes penso que eu costumava ser mais corajosa e impulsiva. Outras horas percebo que aprendi a me preservar mais. Drama dá audiência, mas eu já não quero fazer tanto barulho. Agora é mais difícil lidar com algumas coisas porque tá tudo mais exposto. Minhas prioridades mudaram. O sentimento, matéria bruta de parte do meu trabalho, tá escondido num lugar onde é difícil pra caramba de alcançar. Sei que em algum momento eu mesma o coloquei lá, então tento não colocar a culpa em ninguém. Todo mundo tem um esconderijo. Ele só vai ficando mais cabalístico com o tempo. A sorte é que algumas pessoas não desistem nunca de nos ajudar a chegar lá. Nunca estamos completamente sós. Ainda bem!

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Mudando o rumo da própria história

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Para superar de verdade nossos problemas precisamos nos reinventar. Mergulhar dentro dos próprios pensamentos e encontrar uma pontinha de esperança que nos faça querer seguir em frente e parar de chamar tanta atenção para algo que no final das contas é só nosso. Algo que, sendo totalmente sincera, estamos é tentando nos livrar faz um certo tempo. É mais fácil quando temos alguém por perto, pra ouvir umas boas verdades e ter companhia no final de semana, ocupar o tempo ocioso e dar gargalhadas despretensiosas, mas também, se for o caso, garanto pra vocês, não é impossível de se fazer sozinho.

Pode parecer meio mórbido, mas em dias assim, gosto de lembrar de alguns dos meus piores momentos. Escuto músicas, vejo fotos, converso com velhos amigos ou simplesmente escrevo. Tipo agora.

Não é sobre se esconder atrás de antigas mágoas. É sobre usá-las como referencial. Às vezes a gente simplesmente se esquece que houveram outros dias ruins, sabe? Amadurecer tem um pouco a ver com usar experiências passadas para não cometer novos erros, por isso, tudo bem desenterrar o passado só pra ter certeza de que a raiz é forte e que esse vento uma hora ou outra vai passar. As estações mudam, independente do lugar do mundo que você está.

Hoje, quando olho pra trás, percebo que ninguém nesse mundo me conhece mais do que eu mesma. Ou seja, posso ter saído com diversos caras ou feito e desfeito ótimas amizades, mas continuo sendo quem mais lidou com esses malditos medos, inseguranças e manias.

Eles são meus. Eles são eu.

Na primeira vez que eu achei que fosse morrer de tristeza meu corpo todo doía muito. Foi pior do que qualquer resfriado. Pior do que ficar de castigo sem internet ou tirar a casquinha do machucado no joelho sem querer. Na primeira vez que me disseram adeus eu quase fui junto, mas aí eu fui ficando. E o quase membro do meu corpo virou um desconhecido e de vez em quando a gente até se cruza na rua. Eu não sinto nada e isso me deixa feliz pois significa que se não der certo, depois de um tempo, será sempre assim.

Quanto tempo mesmo?

A verdade é que a vida da gente é curta demais para deixarmos que a transformem num tribunal e fiquem julgando o que é ou não apropriado. Agir de acordo com as expectativas alheias o tempo todo é mais ou menos como não fazer nada. E se for para não fazer nada, convenhamos, é melhor ficar no sofá o final de semana inteiro assistindo sua série preferida e comendo besteiras, concorda?

Terminei a terceira temporada de “Lie To Me” ontem.

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