Entre aspas: O que ganhei com o tempo que perdi
24/04/2012

Amor, ou você encontra ou você é contra. Costuma ser assim. Principalmente naquele momento em que o amor parece uma bela promessa, mas seus amores insistem em contradizer esperanças. O telefone não toca, suas mensagens a paixões iniciais são respondidas com um “Quem é?” e quando você liga uma gravação informa “A pessoa que você ama não te ama ou não existe”. O sono não chega e não é o cansaço que te incomoda, mas a perda da única chance de ter quem você ama ao seu lado, sonhando. Você resolve seguir em frente, mas todas as pessoas rumam para o mesmo destino, logo aquele que você já sabe que não é o seu. Você pensa em se fazer sempre presente, mas assim as pessoas se cansam de você. Você considera ficar mais distante para notarem sua ausência. Mas se alguém não acha que há valor em te ter por que se importaria em te perder? O que você descobre o real valor quando perde é dinheiro, não amores.

Quem não valoriza sua presença não se importa com a sua ausência (ainda que você se importe). Caso você se apaixone, você é carente. Caso você não se envolva, você é um canalha. Se transar de cara, você é promíscuo e alguém que não vale a pena investir. Se não transar na primeira vez, você é puritano, frio, chato. O que, então, as pessoas querem afinal? O que nós queremos, então? Se tanta gente diz que busca alguém, mas ninguém presta, não era para um dia esses que prestam e buscam quem preste se encontrarem? Com quem estamos perdendo tempo para não vermos quem vai fazer a  gente ganhar o dia todos os dias? Eu não sei. Mas sei o que ganhei com o tempo que perdi.

Das mensagens sem resposta, ficou a coragem de dizer o que eu sentia. Do desprezo que me ofereceram ficou não a dor por existirem pessoas cruéis, mas o esforço por nunca ser igual. Do valor que não me deram, ficou a certeza de que devo oferecer o melhor ainda que não mereçam. Das desilusões, ficou a vontade de um dia oferecer sonhos a alguém. Das vezes que não deu certo, ficou a vontade de tentar.  Dos amores não correspondidos, ficou a capacidade de amar. E em meio a isso tudo o que mantenho é a esperança. Esperança e certeza de que vou ter que continuar tentando, é o que ganhei com o tempo que perdi, vivendo de amores que morreram, esperando quem nunca esteve a caminho. Anote aí: amar, ainda não inventaram outro jeito, a não ser tentar. Amor, ou você encontra ou você se reencontra (e se reconstrói).

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Texto escrito por Ruleandson do Carmo, Jornalista, 26 anos, BH/MG, mestre em Ciência da Informação, especialista em Criação e Produção para Mídia Eletrônica, professor do curso de Jornalismo da Ufop, é o personagem sem roteiro de uma comédia romântica sem fim e o vazio que une amores de cinema aos amores reais. Para saber mais, acesse  Eu só queria um Café.

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Entre aspas: Intensas!
28/03/2012

Tem coisa mais doida que mulher carente? Não, não tem. Não tem e nada nesse mundo me fará mudar de idéia. Mulher carente é igual a problema em dobro. Se já somos suficientemente inseguras 365 dias por ano. Imaginem: mulher-insegura-carente?

Toda mulher que se preze já caiu em uma cilada amorosa. Quem nunca caiu que atire a primeira pedra (…) As histórias são quase sempre as mesmas, claro, tem suas peculiaridades, mas em geral são muito parecidas. Toda mulher apaixonada começa sempre do mesmo jeito. Romantiza tudo, vê beleza em tudo, suspira por tudo, até em fila de ônibus… O problema acontece quando se está suspirando pelo cara errado. Pelo famoso “babaca”.

Vai dizer que você nunca gostou de um? Fala pra mim, olha para os lados, veja se não tem ninguém por perto e admita: Eu já me apaixonei por um babaca. Relaxa moça, não tem ninguém vendo mesmo.

O começo é sempre igual, a gente romantiza qualquer SMS de “bom dia”, qualquer “oi”, qualquer email mais ou menos. Duas saídas, alguns SMS’s meia bomba, uns emails chinfrins, algumas palavrinhas carinhosas e lá estamos nós: acreditando fielmente que o tal “babaca” pode ser o grande candidato ao homem da nossa vida.

Relaxa gata, como diz nossa amiga de fossas Tati Bernardi: “Quem nunca saiu com o cara errado que atire a primeira pedra, mas atire nele, por favor”. A vida é assim, de babaca em babaca a gente chega ao altar, quem sabe um dia. Se não rolar o lance de altar, experimente viver e se enxergar.

Acredite, vai acontecer qualquer dia, qualquer hora, alguém irá te enxergar, mesmo que você esteja sem maquiagem, suada, desarrumada, descabelada. O famoso homem da sua vida vai te enxergar… Confie em mim, ou em você, né.

Voltando ao assunto da paixão pelo “babaca”, entenda: Se o homem realmente gosta, ele vai até o inferno por você. Ele vai sim, e ainda abraça o capeta se for preciso. Sabe por quê? Porque homens são previsíveis, se eles querem eles querem, se não querem, não querem.

A raça dos homens não é complexa igual a nós mulheres, que sempre temos dúvidas, que sempre analisamos, pensamos, colocamos mil problemas e tal. Homem é tudo igual.Eu sei é clichê, mas é a mais pura verdade.

Quando o cara quer, não tem distância, problemas, família, trabalho, tempo, futebol, estudo, mãe, unha encravada, barba por fazer, celular sem bateria, chuva, temporal, falta de dinheiro que o impeça de estar com você. É simples. É a realidade. O cara vai largar o jogo dele de Playstation e vai responder seu SMS prontamente. O cara vai te ligar assim que ele puder. O cara vai te esperar o tempo que for. O cara vai te corresponder – talvez não da mesma forma que uma mulher que é muito mais intensa. Essa é a mais pura verdade.

Não se iluda. Então vamos repetir como se fosse um mantra: Que o meu detector de babacas esteja sempre alerta, que o meu detector de babacas esteja sempre alerta, que o meu detector de babacas esteja sempre alerta, amém! Babaca que se preze sempre dá a pinta de que é babaca.Atenção!

Meninas leiam esse texto, imprimam e colem na porta da geladeira, outra cópia perto do computador e outra no seu guarda-roupa (para quando vocês forem se vestir para aquele tal encontro e analisarem se realmente vale à pena sair de casa). Eu sei, é tudo teoria. Na prática é diferente porque nós mulheres somos assim: intensas.

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Entre Aspas: Encerrando Ciclos
11/03/2012

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Não consegui comprovar o autor deste texto, que circula na internet como se Paulo Coelho ou Fernando Pessoa estivesse escrito. Gostei muito, então resolvi trazer pra vocês.

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Entre aspas: Basta um enter
29/02/2012

Algumas coisas me intrigam muito. Sou usuária das redes sociais, porém não sou dependente. Conheço muita gente viciadíssima. Eu uso – e muito – para divulgar meu trabalho e estar mais perto de quem gosta de me ler. Faz alguns dias que estou sem celular (mudança de operadora, precisa ter o raio de um código, etc.,etc., etc.) e estou vivendo lindamente, obrigada. Não tem nada melhor do que ficar incomunicável. Sem aquela obrigação e/ou curiosidade de checar emails de cinco em cinco segundos. Sem aquela paranóia de verificar Twitter e Facebook. Quem quiser me achar vai ligar para a minha casa. E quem tem o meu telefone de casa são só familiares e amigos chegados. Fora o telemarketing, of course.

Acho que as redes sociais invadiram a intimidade de todo mundo de uma forma bem assustadora. Até que ponto as pessoas estão vivendo suas vidas de fato? Até que ponto a carência aperta? Até que ponto a solidão grita e pede ajuda? Não sei. Vejo uma quantidade absurda de gente carente querendo um pouco de colo. Vejo quem dá indireta. Quem quer ser notado. Quem quer um elogio. Quem quer uma palavra de carinho. E, também, quem quer aparecer a todo custo. Tem gente que passa do limite e faz a exposição da figura de um jeito inadequado.

Não quero saber se você está doidão ou se sua calcinha é pequena demais. E também não quero detalhes da sua vida sexual. Tudo precisa ter limite. Você pode não ser uma vadia, mas se fala e age como uma, me desculpe, mas imagem é uma coisa que a gente constrói. Você pode até não ser um canalha, mas se fala um monte de babaquice é isso que pensarão de você. A gente deve cuidar com o que fala. Mas principalmente com o que fazemos com nós mesmos.

Na internet, ninguém te vê. As pessoas sabem de você pelo que você diz. Pelo que mostra. Tem gente que quer ser um personagem. Tudo bem, cada um sabe o que faz da sua vida. Mas é importante saber se respeitar. Porque na internet as pessoas te julgam o tempo todo (na vida real também, é ou não é?). Acho que não dá pra “cagar e andar”, afinal, ninguém vive sozinho. E é justamente isso que faz todo mundo tuitar loucamente: a solidão. A necessidade de dizer para o mundo coisas que suas paredes não ouvem.

Muitos deixam de viver a vida real pra viver a virtual. Se escondem, colocam suas carências, traumas e urgências em um buraco fundo. Tentam não enxergar a vida lá fora. Sei de casos de pessoas tímidas que na internet snao incrivelmente diferentes. Sei de casos de gente com dificuldade de relacionamento, dificuldade de se aceitar. E ali no ponto com tudo é mais simples e rápido. Basta um enter.

Eu adoro tuitar na sala de espera. E, confesso, adoro fazer participação na novela. Explico: fico tuitando sobre a novela. Não é sempre, é só quando preciso me expressar. De vez em quando tenho essa necessidade de expressão tosca. Uso Facebook para falar com quem não vejo há tempos, para reencontrar pessoas, para falar com quem gosta dos meus livros e textos. É uma troca que enriquece. Através do Twitter, divulgo meus livros, minha linha de produtos, meus textos, meus projetos. E só. Ninguém sabe se me drogo, se transo, onde moro. Ninguém sabe do meu relacionamento. Ninguém sabe quem é meu amigo. As pessoas sabem apenas o que quero que saibam. E é assim que lido com minha vida virtual e real. Porque nem todo mundo é amigo, nem todos torcem por você, nem todos ficam felizes com sua felicidade e sentem compaixão pela sua infelicidade. Simple like that.

Se eu viajo para a casa da minha sogra ou dos meus pais, posso até tirar foto do mar, da serra ou de algum lugar bonito, como um parque ou restaurante. E só. Não entendo quem viaja para um lugar que nunca foi, para outro país, quem conhece outra cultura e fica postando fotos adoidado. Parece que essas pessoas querem viver para os outros. Querem mostrar olha-como-sou-feliz-olha-como-curto-a-vida. Curta a sua vida. Aproveite sua viagem. Viva cada segundo. Tire fotos, sim. Mas viva o momento. Poste as fotos na volta. Descanse, desligue da internet, do mundo. Essa é a minha opinião. Em breve, vou fazer uma viagem linda. E não vou levar celular. O máximo que farei é mandar email para pais e sogros chegamos-e-está-tudo-bem. O máximo que farei é mandar email para o hotel que minha cadelinha ficará para saber se ela está bem. Quando saio de férias eu gosto mesmo é de desligar de tudo.

Existem riscos virtuais. Vejo um povo dando telefone, endereço, informações que a gente não dá assim, pra qualquer um. Falta se preservar um pouco. Preservar a intimidade. Eu brinco dizendo o seguinte: não é porque posto foto da minha cadelinha ou porque digo que preparei um risoto de aspargos que você me conhece. Não. Sou mais do que uma foto, mais que um risoto, mais do que uma reclamação de loja, mais que meus livros, mais que meus textos, mais do que uma tela. Tenho carne, osso, coração. E isso ninguém vê, só quem convive comigo todos os dias. Só quem já olhou no meu olho.

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Entre aspas: Encontro!
25/02/2012

Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro.Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade. Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia. Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito.
Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos.

O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei. A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim. Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo. Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.

E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência. Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão…Caminhamos juntas: eu comigo mesma!

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