Entre Aspas

Entre Amigas: Não aguento mais o ciúme do pessoal lá de casa

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Aline, 15 anos, São Paulo – Sou uma garota que adora sair e curtir, porém tenho dois irmãos e um pai que pegam muito no meu pé e sei que é normal da idade, mas está começando a ficar um pouco exagerado. Na maioria dos lugares que frequento meu irmão vai e sempre fica me dizendo perto de amigos que está de olho em mim e nunca me deixa nem conversar com um garoto e ficar com alguém então é impossível. Já fiquei com outros garotos, mas nunca no mesmo local que meu irmão estava e quando ele fica sabendo ele logo fica “soltando” isso perto do meu pai, o que deixa meu pai ainda mais desconfiado.

Oi Aline, tudo bem? Poxa, que chato isso, hein? Mas olha, tenho certeza que não é a única que passa por isso e assim como tudo nessa vida, essa fase protetora demais vai passar. Sei que é ruim e que isso tem te impedido de viver as coisas que uma garota de 15 anos quer de fato viver, mas pense que é só fase. Quanto ao seu irmão, chame-o para uma conversa em particular e coloque seu ponto de vista. Não é justo que isso aconteça.

Já tentei conversar com meu pai e com meus irmãos sobre isso várias vezes, mas eles insistem que sou nova demais. Têm momentos que me dá vontade de não sair mais, pois não posso ter privacidade mesmo. Só não entendo o que provoca isso: ciúmes ou falta de confiança?

Sei que já tentou conversar com eles, mas já parou para pensar o porquê disso acontecer pode ser sim ciúmes, mas não a falta de confiança? Pode ser um mix de ciúmes e medo de perda, bem como o ciúme e o medo de que aconteça algo com você. Afinal, para eles, você é muito nova! Seu pai pode simplesmente ter medo de ver a filha crescendo e criando suas próprias asas e seus irmãos podem mesmo ter ciúmes, por saber que podem ter que “dividir” a irmã deles com outra pessoa. Pode ser medo de que você faça algo, se decepcione e sofra ou que talvez aconteça algo sério com você. Por isso seus irmãos encontram sempre a necessidade de estar ali do seu lado onde quer que você vá.

Algumas pessoas me acham criança por não poder namorar e ter que ficar me escondendo deles. Fico super magoada e passo muita vergonha. Abraços!

Não se preocupe com o que os outros podem falar de você! Você tem seus motivos e só você saberá com o tempo como lhe dar com eles. Tente ir mostrando aos poucos quem você é. Tente ganhar um pouco mais a confiança dos seus irmãos, mostre como consegue se virar sozinha em certos lugares ou como tem capacidade suficiente para ir àquela festa sem que seja necessária a companhia deles.

Essas coisas levam tempo, mas é importante que você tente. E nada medida que for conseguindo, tanto seus irmãos quanto o seu pai podem ir rendendo pouco a pouco e lhe dando mais votos de confiança e liberdade. É chato, mas, como eu já disse, é fase e você tem que ir tentando reverter isso aos poucos. Espero que consiga! Beijos.

Está enfrentando algum conflito? Tem alguma dúvida sobre amizade, amor, família, etc? Então mande um e-mail para entreamigas@depoisdosquinze.com contendo seu nome, sua idade, sua cidade/estado e conte-nos sua história. E lembrem-se: estamos sempre Entre Amigas!

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Entre aspas: Chega uma hora que a gente tem que parar

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O tempo todo se fala de começar e fechar ciclos. O próprio ato de dormir e acordar na manhã seguinte sugere o fechamento de um dia e início do outro. São segundas, terças e quartas que nunca se repetem. São semanas que variam dentro de meses diferentes que transcendem anos. Um dia nunca é igual ao outro e aquela máxima de viver um dia de cada vez parece ser mais natural do que parece. Mas e quando se fala em amor?

Histórias batidas de términos ilustram as televisões e os romances de prateleiras desde que o mundo se entende por gente. Amores épicos e confusos, trágicos e simplórios se estendem pela História da humanidade paralelamente ao desenvolvimento de sociedades antigas e contemporâneas. A gente já aprendeu como se cura uma decepção amorosa das mais diversas e criativas formas. E também ouvimos receitas e mais receitas de como terminar um relacionamento, desde aquele primeiro amor juvenil ao relacionamento à distância que sufocava os dois.

Quando a gente precisa de um tempo pra gente? A ideia é que seja um tempo para colocar as coisas no lugar, aproveitar a solteirice e preparar terreno para quando bater aquela vontade de se doar a alguém. A ideia do tempo em que não estamos nos relacionando deveria servir justamente para isso: não pensar e buscar novos relacionamentos. O estar sozinho passou a ser considerado um crime. É sinal de fracasso e indica falta de algo. Mesmo com a revolução sexual e com as grandes possibilidades de se estar feliz sozinho, muita gente ainda levanta a bandeira da necessidade de ter alguém, ou pior, de buscar alguém. Essa busca desenfreada tira o olhar do “eu” e direciona o olhar para o outro. Pode parecer natural ou um alarde desnecessário, mas a partir do momento em que não aproveitamos e entendemos aquele espaço de reclusão, passamos a nos tornar escravos de uma ação: o ciclo da companhia. O que a gente nunca deu atenção é sobre o hiato que acontece entre uma despedida e um encontro.

A nossa geração não sabe ficar sozinha. A gente aprendeu desde a criação social do homem que a vida é motivada por relacionamentos. A gente nasce de um relacionamento, cresce e estuda para ter condições financeiras e psicológicas para sustentar um relacionamento e fechar mais um ciclo. Óbvio que as condições estão mudando e que a busca pela independência tem nos tornado um pouco mais individualistas, o que sugere um rompimento desse ciclo vicioso e limitado de vida. Mas ainda assim somos carentes e buscamos companhia constantemente. Esse ciclo se comprova por aquelas frases de “ah, como eu queria estar namorando”. O importante nunca é quem, mas sim o status de estar ou ter. O olhar é tão perdido que valoriza mais o futuro da companhia do que o momento de reclusão, como se você não se bastasse e a busca da felicidade implicasse em achar alguém para trazê-la. Para onde foi o senso de “deixa estar” das pessoas?

A pausa não se antecipa. Ela pede que você se distancie dessa fixação por companhia e aproveite a sua. Aproveite o tempo para entender melhor sobre você e sobre os seus gostos. Aproveitar a sua companhia e desenvolver habilidades e percepções que podem estar acopladas à ideia de felicidade. Meditar, comer besteira, encarar novos projetos e ler um livro de terror que você sempre morreu de medo. Quando a gente precisa de uma pausa, as coisas pedem calma e pedem tempo. E pedem que a atenção seja dada ao “eu” e não ao outro. E pedem um pouco de “deixa pra lá” nos relacionamentos e um pouco mais de entender que a vida pode ir bem além disso. É preparar o terreno sem ter essa intenção e perceber que isso vai melhorar a qualidade dos seus próximos relacionamentos porque melhora você. É como um mantra repetido toda noite de frente pra TV quando você troca de canal. A programação é extensa e filmes possuem gêneros diferentes. Então por que ver a mesma comédia romântica de sempre se você pode escolher um canal diferente que tenha mais a ver com você? E se a programação persistir a mesma, você pode desligar a TV.

SOBRE O AUTOR: Daniel Bovolento (no twitter @danielbovolento) é redator publicitário e também colunista de alguns sites e blogs. Atualiza o “Entre todas as coisas” semanalmente com ótimos textos de comportamento. Conheci o cara por acaso no twitter, e já virei fã. Vale a pena seguir, visitar e favoritar. 

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Entre aspas: 4 SÉRIES X 8

Não adianta. Mudam-se as cores do inverno, os sorrisos, as páginas das revistas, as dez mais bonitas. Mudam-se as tecnologias, as manchetes, o preço do pão, o jeito como você corta o cabelo. Mudam-se os sonhos, o clima lá fora, o tom do batom, a decoração, o que você espera de si mesma. Tudo muda o tempo todo. Mas uma coisa não muda. Não sai de moda. Não fica velho, nem ultrapassado. Quer saber? Acho amar a coisa mais eterna que existe. Não há nada mais moderno. Mais transgressor. Mais ousado – e mais antigo – que isso. Num tempo onde as pessoas mal têm tempo, amar virou coisa de gente corajosa. Porque é preciso muito peito (e muito jogo de cintura) para seguir o que temos de mais criativo: o coração.

É o amor que nos faz ver o mundo de um jeito mais belo. E é o amor (e só ele!) que nos traz o valor exato das coisas simples. E você não precisa necessariamente amar uma pessoa. O amor é democrático. Você pode – e deve – amar a si mesmo e ao mesmo tempo amar alguém (essa, sim, é a melhor combinação!). E também amar a vida. Amar um projeto. Um trabalho. Um sonho. Ou – porque não? – simplesmente amar o amor. Se todo amor vale a pena? Eu acredito que sim. O mundo não está  triste só por causa das  guerras, do superaquecimento global e do tal “salve-se quem puder” As pessoas se escondem  atrás das tecnologias e de um falso liberalismo pra camuflar seus medos. Para enganar seus desejos. Ah, me desculpem, mas no fundo todo mundo quer mais é se apaixonar! Mentira minha? Duvido. Todo mundo quer amar, todo mundo quer encontrar alguém especial, todo mundo quer se livrar do medo que nos impede de andar de mãos dadas. É certo que há quem prefira o morno, os relacionamentos superficiais, as noites vazias. (Relacionamentos trazem tantos problemas e alegrias quanto estar só, isso é uma verdade). Mas tenho a impressão de que todos nós temos um leve romantismo escondido, um desejo real pelo amor, uma necessidade de amar e ser amado sem a qual a vida não teria graça. (E não haveria tantos poetas, tantas canções bonitas e tanta insônia por aí).

Escrevi, uma vez, uma letra onde canta a seguinte frase: “Será que amar é mesmo tudo”? Na época eu não saberia responder. Mas, hoje, cheguei a uma breve conclusão: não, amar não é tudo. É quase tudo. Amar é o começo. O primeiro parágrafo. A primeira nota. É o que canta (e encanta). Amar é que nos faz falar. É o que nos faz acordar. É o que nos faz dizer “Bom dia” com o sorriso mais livre do mundo. Se eu estou amando? É, devo admitir. Depois de vários romances sem fim, me apaixonei por mim mesma. E, como presente,  ganhei um novo amor que é fruto de todos os grandes amores que tive. Sorte minha? Talvez. Mas amor não é apenas sorte. Não pensem também que amor é a solução pra todos os nossos problemas. Não. Amor não é solução. Amor é prêmio. Recompensa feliz para quem – afinal de contas – conseguiu manter-se fiel a si mesmo. Por isso, escrevo esse texto. Em uma época em que os desejos duram o tempo de uma estação, acho o AMOR o exercício mais radical que podemos fazer.

Sobre a autora: Fernanda Mello é redatora publicitária, cronista da revista Rio Sport Center, blogueira, e compositora de grandes sucessos musicais de artistas como: Jota Quest, Tianastácia e Wanessa Camargo. Nós já publicamos um pequeno trecho de uma entrevista bem legal que ela deu. Quem lembra?

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