comportamento

Tudo bem?

garota-superar-sentimento

Tá tudo bem. Eu demorei muito pra poder dizer isso. Principalmente porque, no final, tem muita coisa entalada e dói. Dói muito e daí, por doer, dá raiva. E eu senti muita raiva de você. De todas as pessoas do mundo, te quis muito longe. “Nem pintado de ouro”, eu disse. Disfarçando por aí que, no fundo, ainda te queria muito. Porque eu te quis até passar.

É clichê dizer que o tempo cura, que com o tempo passa, que o tempo apaga. Mas não dá pra negar que o tempo ensina. E, caramba, ensina tanta coisa. Aprendi com o tempo que não adiantava nada odiar você. Não adiantava nada remoer raivas antigas, como se isso fosse mudar alguma coisa. O tempo me mostrou que as pessoas erram e nem por isso são pessoas horríveis. Pior: o tempo mostrou que eu posso errar bem feio também.

Tá tudo bem e eu quis te dizer isso agora mais por mim do que por você. Cê seguiu a vida – e que bom. Fui eu que fiquei aqui pagando de dor de cotovelo e contando para todo mundo o quanto você me magoou. E magoou – não vou mentir. Mas uma hora a gente entende – e isso aprendi sendo adulta – que o que vale mesmo são as lições que a gente arranca dos dias em que mais dói. E eu tirei muitas lições dos dias que fiquei sem você.

Não vou negar que sinto uma ponta de orgulho de mim por poder, agora, te olhar e pensar: tomara que você seja muito feliz. Sério mesmo, sem falsos desejos. Já te quis mal, já quis que você sofresse, bebesse, se arrependesse. Hoje, quero mais é que você saia por aí e encontre um amor pra vida inteira. Desses que eu tentei muito, muito, muito, ter com você.

Por aqui, há muito amor ainda. E flores e dias azuis e os filmes românticos que você odiava e dias de choro e de luta e cansaço. Encontrei quem entendesse as minhas loucuras. Ou, pelo menos, quem tente entender as minhas verdades. Porque, afinal, acho que esbarrar com pessoas erradas serve para ensinar a olharmos com mais cuidado à procura das pessoas certas. E tudo bem: esbarrei com você pra depois poder esbarrar com quem, de verdade, queria esbarrar comigo. Com quem podia me amar de volta.

Tá tudo bem. Às vezes dói (não por você, mas porque qualquer queda fica um pouco guardada na lembrança e volta em dias chuvosos quando a esperança tá fraca). Às vezes lembro de você se escuto sua banda preferida e me vem um pensamento à mente: antes de doer, você me fez muito feliz. Por isso, te digo de verdade: tá tudo bem. Espero que esteja tudo assim por aí com você também.

 

34 comentários

A gente cresce quebrando a cara

amadurecer

Se para crescer a gente não precisasse errar, talvez eu nunca tivesse acreditado naquela amiga que jurou que não ia me magoar e magoou. Talvez eu não tivesse magoado gente que amava muito, mesmo quando essa não era a intenção. Mas provavelmente, também, eu não teria aprendido a valorizar quem fica, não teria entendido a importância de perdoar as falhas das pessoas e de pensar mil vezes antes de falar algo que pode atingir o outro.

Se para crescer não precisasse doer, talvez eu nunca tivesse conhecido aquele carinha que me tratou como uma qualquer. Talvez nunca tivesse virado noites inteiras chorando amores não correspondidos. Nem feridas que fizeram sem o menor cuidado no meu peito. Mas eu também não teria, finalmente, parado de dar atenção para os mesmos tipinhos de caras errados e começado a prestar atenção naqueles que sempre estiveram aqui para me dar a mão.

Se para amadurecer a gente não precisasse quebrar a cara, talvez eu ainda fosse a menina escandalosa que adorava uma boa briga e que gostava de bater de frente apenas pelo prazer de ganhar – sabe-se lá o quê. Se eu não tivesse caído, se não tivesse levado rasteiras, se não tivesse dado de cara no chão, talvez eu ainda vivesse na minha bolha da adolescência, quando achava que os meus problemas eram os maiores do mundo. E que o mundo, esse malvado, era injusto só comigo.

Se eu tivesse acertado sempre, talvez eu não soubesse da alegria que é a oportunidade de poder se reinventar. Aprender mais. Mudar de opinião, entender os valores das outras pessoas, conhecer outras realidades, perceber que se dói em mim, dói no outro também. Talvez eu nunca tivesse ido, voltado, começado e recomeçado. Talvez eu não tivesse baixado a bola, diminuído o tom, começado a silenciar. Talvez eu nunca tivesse aprendido. Talvez, até, sequer tivesse crescido.

24 comentários

O maravilhoso mundo das livrarias

mulher-livraria

Entrar em livrarias é meu passatempo preferido. Desculpem, não consigo resistir, é mais forte do que eu. Tanto as livrarias de rua quanto os sebos não me escapam. Coitado de quem estiver me acompanhando. Uma vez que entro, demoro para sair. Se deixar, passo hooooras folheando, fuçando e cheirando livros. E pensar que cada um deles tem o seu mundo particular, um universo inteiro a ser descoberto!

Dentro de uma livraria, eu me sinto sem limites. Ao mesmo tempo, me sinto tão pequenininha no meio de tanto conhecimento. Cada palavra de cada livro foi cuidadosamente escolhida, não está ali à toa. Escritores perderam noites de sono para colocar cada uma delas no lugar. Imaginem só. Não é fácil traduzir em frases essa bagunça que chamamos de sentimentos.

Sinto que, cada vez mais, as pessoas estão esquecendo do prazer de se visitar uma livraria. Esqueceram que é muito mais do que comprar folhas encadernadas em uma capa bonita. Trata-se de explorar, de buscar, de se manter em constante curiosidade. De se sentir como uma criança numa enorme loja de brinquedos.

Em tempos de lojas virtuais e e-books, muitas livrarias precisam ser guerreiras para continuarem de pé. Lutar por um pouco de atenção entre tantas telas e novos leitores digitais não deve ser nada bom. Por isso, sempre que posso, usufruo de uma coisa que a tecnologia (ainda) não pode me dar: o cheiro dos livros e uma boa conversa com os livreiros. Porque, é claro, não tem nada melhor do que encontrar alguém que tem o mesmo gosto que o seu e te dê dicas incríveis de novas leituras.

Portanto, ávidos leitores, mesmo que vocês adorem lojas virtuais, não se esqueçam das livrarias do mundo físico. Nelas, não são apenas livros disponíveis – são também mundos que estão esperando para serem folheados, degustados, descobertos. Escolha um livro, sente-se na poltrona mais próxima, abra-o e leia. Até logo, boa viagem.

41 comentários