Internet: uma arma de alienação?
20/05/2013

Esses dias vi no jornal que finalmente vai rolar o julgamento pra descobrir quem foi que matou PC Farias. Se os únicos PCs que você conhece são o que roda Windows e o Siqueira, vou te contar rapidamente quem foi esse cara: dentre outras coisas como tráfico de influência no Congresso, ele era suspeito de ter ajudado o Collor a roubar durante o governo. (Collor, lembra? O cara que sofreu impeachment? Caras pintadas? Você deve ter visto isso na escola. They were huge!)

De qualquer forma, com isso tudo na TV, minha mãe comentou comigo que quando estavam investigando o caso, as pessoas estavam realmente revoltadas com o PC Farias. Ela lembrou que em 1993 ele foi visto na Tailândia por um turista brasileiro e o cara denunciou ele na hora! E deportaram o danado de volta pro Brasil direto pro xadrez. Ele estava incomodando tanto que acabou morto, né? Mas enfim…

E nesse papo nostálgico, percebi que antes a gente fazia as coisas acontecerem. A ditadura militar caiu por causa de protestos, o próprio Collor saiu deselegantemente do poder por demanda popular. Houve um tempo em que as pessoas se organizavam e saíam na rua pra bater panela e gritar pelos seus direitos. E olha que elas nem tinham eventos do Facebook pra se organizar! Por que nos tornamos esses seres apáticos, que só sabem reclamar de políticos corruptos e que acreditam que o Brasil não tem jeito? Quando começamos a sonhar demais e agir de menos?

Minha teoria é de que a internet e a TV têm muita influência nisso. A internet nos deu poder, aproximou distâncias e fez com que as notícias se espalhassem muito mais rápido. Soubemos do atentado em Boston antes mesmo de ver em qualquer jornal, porque as pessoas estavam tuitando sobre o ocorrido. Diariamente, lemos uma tonelada de notícias sobre problemas sociais, descobertas científicas e até dá tempo de ler uma fofoquinha de celebridades. Mas por que essa informação toda não está virando uma força para melhorar o mundo? Será que existem problemas demais no mundo?

Você é simpatizante dos animais, então quer ajudar bichos abandonados e maltratados, quer que a indústria farmacêutica pare de testar em coelhos e que a indústria da moda pare de enrolar peles na cabeça das mulheres. Mas você também é solidária aos problemas dos humanos: você quer que acabe a fome, o analfabetismo, o desemprego, as péssimas condições de trabalho, o machismo, o racismo, a homofobia. Ao mesmo tempo, você é engajada politicamente: quer que os impostos diminuam, os políticos roubem menos, quer o comunismo ou o capitalismo ou algum outro tipo de ismo. Você estudou, então entende o valor da ciência. Você torce para que pesquisas científicas não percam seu apoio financeiro, para que as descobertas da medicina estejam finalmente ao alcance da população, etc. E, entre uma coisa e outra, você também vê pedidos dos seus amigos pra compartilhar determinado problema de alguém que está com câncer e não tem dinheiro pro tratamento, ou outra pessoa que está há anos lutando para receber uma indenização de determinada empresa.Inúmeros são os pedidos de socorro que aparecem na nossa timeline todos os dias. Tanto problema assim nos deixa absurdamente confusas. Em meio a tenta gente gritando por socorro, só conseguimos pensar em clicar no botão “compartilhar” com a sensação de ter ajudado.

E como era isso tudo na era pré-internet? A gente tinha acesso às notícias pela TV ou rádio. Como eles são controlados por uma fatia da população que pensa semelhante, eles tinham um certo acordo em relação aos temas a abordar. Por isso, a gente via muitas notícias sobre determinado tema e começava a se revoltar, achando que resolvendo esse problema, poderíamos enfim ligar a televisão, ver apenas notícias positivas e dormir em paz. Mas todos os dias era a mesma desgraça e a revolta borbulhava. Isso desencadeava protestos como os que vemos hoje nos livros de história, que realmente fizeram a diferença. O mundo não ficou perfeito, mas pelo menos aquele problema eles riscaram da lista. Eleições diretas? Feito. Presidente ladrão impedido? Feito.

É claro que acabar com a fome é importante. É claro que lutar pelos direitos dos animais é importante. Todas as questões que eu falei acima são coisas que eu mesma levo a sério, e ainda tem mais uma porção que não coube aqui. Mas se não focarmos num ponto só, nossas vozes serão diluídas em meio a tantos protestos de Facebook.

Usar a internet pra se informar e agir não é o problema. Vários protestos recentes aconteceram em outros países graças às redes sociais. O problema é não ouvir. A gente só quer saber de falar o que achamos que está errado e não pára pra ouvir o que os outros dizem. Se nós ouvíssemos mais, entenderíamos quais questões são mais urgentes e possíveis de se resolver. Assim, daria pra população se organizar e focar num objetivo só. Assim como uma torcida de futebol: a gente só consegue entender o que eles estão gritando porque todos estão dizendo a mesma coisa.

[Ainda em tempo: leia aqui uma outra teoria sobre por que os brasileiros não protestam tanto quanto outras nacionalidades]

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Quem sabe dê certo, quem sabe não
13/05/2013

Guarda as declarações decoradas para as menininhas que ainda acreditam em contos de fadas. Comigo, pode vir tranquilo, desarmado, sem os textos decorados desse papel que te entregaram de príncipe encantado. Eu também já me despi de todos os sonhos de relacionamentos perfeitos que a vida me trouxe pelo caminho. Aprendi, na marra, nas caras e nos corações quebrados, que vocês nunca vão funcionar como os príncipes que acordam as belas adormecidas. Depois disso, sempre me mantive bem acordada.

Eu sei seus defeitos. Sei cada um deles. Mania que tenho de observar cada mísera ação das pessoas antes até do primeiro oi. Te analisei enquanto você sorria despreocupado e deixava o sol iluminar seu cabelo castanho. Vi como os traços do seu rosto se suavizam quando sua mãe chegava por perto e descobri no brilho dos seus olhos o que é o amor incondicional. Observei a maneira como você pisca o olho incessantes vezes quando está muito nervoso. E como coça o queixo sem parar quando não sabe o que responder.

Não precisa mesmo saber o que responder. Não quero que responda minhas dúvidas da vida. Talvez, você se veja tentado a questionar o mundo comigo. Talvez você se assuste. Eu sou mesmo alguém cheio de falhas. Tenho buracos em cada partezinha do corpo. Principalmente, no coração. Foram as cicatrizes – no corpo e na alma – que os outros antes de você deixaram aqui. Mas, fica tranquilo, não te quero perfeito. Pode vir cheio de erros.

Vamos nos despir dessa obrigação de fazer o outro feliz. Deixa ali no canto do quarto essa necessidade louca de fazer tudo certo. Eu aceito errar junto. Eu aceito gritos, pratos quebrados, brigas de tirar o fôlego. Basta que você diga que está disposto a errar comigo. E, quem sabe, entre nossos erros, a gente não consiga um ou outro acerto. Mas não te cobro nada não. Meu “felizes para sempre” sou eu que construo. Tô te chamando pra minha vida não pra preencher meus buracos, mas para me dar a mão e me ajudar a tampar minhas feridas. Te ajudo a cicatrizar as suas também, se quiser. E, juntos, rimos disso tudo.

Mas não te cobro nada. Talvez, a gente consiga dar certo. Talvez, a gente acabe, mesmo com uma história bonita. Talvez, você vá embora, talvez eu não queira mais ficar. Mas eu tô aqui, agora: vida e portas abertas pra se você quiser entrar. Porque, sem te cobrar felicidade, sem te cobrar uma história bonita e sem te cobrar amor, talvez, quem sabe, a gente dê sorte e consiga se amar, ser feliz, ter uma história bonita junto. Vai que a vida, o destino, ou sei lá, resolvem dar um empurrãozinho. Quem sabe, até, a gente não se ame até o final dos dias. Até o fim.

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O manual da felicidade
03/05/2013

Conheça o mundo. Não necessariamente em uma viagem. Às vezes, o que a gente precisa mesmo, é olhar tudo de uma perspectiva diferente. Aqueles pequenos problemas que fazem as coisas pareceram uma droga no final do dia, aqueles que a gente não tem coragem de admitir para ninguém, podem ser apenas nossa consciência exigindo um pouquinho mais da gente. Não do passado, nem no do futuro. De agora. Tudo é tão relativo. Seu próximo sorriso só precisa de um novo referencial.

Não guarde rancor. Nada acontece por acaso. Precisamos aprender a tirar boas lições até das piores experiências. Os sentimentos negativos, quando acumulados dentro da gente, contaminam todo o resto. Paramos de prestar atenção e ver graça nas coisas mais simples quando passamos o dia todo tentando resolver os antigos problemas de sempre. Exigir que o mundo seja exatamente como planejamos o tempo todo é egoísmo e o orgulho só serve para te tornar uma pessoa mais solitária.

Seja amável. Até mesmo com as pessoas que não podem fazer nada por você.  Na verdade, elas sempre podem. Cada pessoa que conhecemos durante a vida nos transforma de uma forma diferente. Geralmente só descobrimos isso quando elas não estão mais por perto.

Substitua a palavra “problema” por “desafio”.

Não seja tão crítico. Com você e também com as pessoas ao seu redor. Ninguém quer saber a sua opinião sobre a maneira que fulano toca a vida. Você não é a pior pessoa do mundo. Nem quando sente ódio, ciúmes ou inveja. Nem quando diz algo completamente diferente do que está pensando. Somos todos seres humanos e esses sentimentos fazem parte da nossa existência. O que nos diferencia no final das contas é a maneira com que lidamos com cada um deles.

Não viva uma vida inteira tentando ser melhor do que alguém. Quando todas as nossas escolhas se tornam consequências dessa tal competição mental, conquistar sonhos se torna uma obrigação. Não existe uma convenção para a felicidade. O que é bom para ele, pode ser uma droga para você. E vice versa.

A vida das pessoas não é tão interessante quanto parecem ser na internet. Nossa geração vive uma superexposição e isso faz com que tenhamos uma certa tendência a frustração. O facebook do vizinho é sempre mais interessante e movimentado que o nosso. Pois, saiba você, isso não quer dizer absolutamente nada. As pessoas mais legais e reais que conheço não dão a mínima para tudo isso.

Não seja aquela pessoa que sempre desmarca tudo. Agenda lotada e preguiça aguda não são exclusividades sua. A vida está muito corrida, isso é fato, mas arrume um tempinho para conversar com as pessoas que ainda se importam. Poucas coisas são tão divertidas quanto desabafar, rir de besteiras e lembrar, em uma mesa de bar ou no meio de uma comédia romântica, do bom e velhos tempos.

Tenha uma rotina física e mental saudável. Beba bastante água, tire a maquiagem antes de deitar e nos finais de semana, durma o número de horas que faltaram. Não cultive rituais de sofrimento só para saber se ainda dói. A dor pode preencher espaços, mas cultivá-la é como construir muros em volta de sí mesmo. Por fim, acomode-se agora mesmo. Na poltrona do sofá, não na vida.

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A faculdade das famosas
25/04/2013


Vocês gostaram tanto do post que fizemos falando sobre a graduação de algumas atrizes gringas, que resolvemos pesquisar e postar uma outra listinha. Dessa vez também incluímos uma celebridade nacional e cantoras. Confiram:

Miranda Cosgrove

A eterna protagonista de iCarly, aproveitou o final do seriado e no ano passado entrou para o curso de Cinema na Universidade do Sul da Califórnia. A atriz sempre quis cursar uma faculdade e para facilitar os estudos ela comprou uma casa perto da instituição.

Rebel Wilson

A australiana estrela do filme “Pitch Perfect” é uma das novas apostas de Hollywood, mas antes do inicio da carreira a atriz tinha outros planos. No colegial ela sempre gostou de números e até cogitou fazer o curso de matemática, mas os planos mudaram quando se apaixonou pela carreira artística.

Ainda morando na Austrália, a comediante começou a fazer participações em séries e peças, e entre uma folga e outra decidiu que queria voltar a estudar e entrar na faculdade. Ela deu uma pausa na carreira, e em 2009 se formou em Direito pela renomeada Universidade de New South Wales!

Sandy

Uma das cantoras e atrizes mais queridas do país, Sandy chegou a passar no vestibular para o curso de psicologia em 2001 aos 17 anos, mas por causa da agenda lotada de shows a cantora adiou os planos de entrar na faculdade. Decidida a se graduar, a fofa voltou atrás e em 2005 ingressou no curso de Letras da PUC- Campinas. Durantes oito semestres, Sandy estudava de manhã na universidade e a noite saia ao lado do irmão para cumprir a agenda profissional.

Em 2009, ela se formou e participou da colação de grau e tudo. Só que no dia do baile, ela acabou não indo porque descobriu que a imprensa tinha conseguido os convites para a festa também. Tadinha!

Hilary Duff

A atriz, cantora e escritora, em 2005 entrou para a renomada universidade de Harvard. Porém Hilary estava se dedicando a sua turnê e gravações de filmes e optou por fazer o curso à distância e se formou em Sociologia.

Nicki Minaj

A rapper e jurada do American Idol, sempre quis se tornar uma atriz de sucesso e em busca da realização do seu grande sonho ela entrou na escola de música Elizabeth Blackweel Middle School. Ela chegou a se forma em Artes Cênicas pela LaGuardia School Of Music & Perfoming Arts, mas pela falta de papéis Nicki desistiu da carreira de atriz e foi se dedicar a música. Mas no final do ano vamos ver a rapper estreando nas telonas ao lado dos astros Brad Pitt e Cameron Diaz no longa “The Counselor”. Demais, né?

Shakira

A diva colombiana é linda, rica, talentosa e muito inteligente. Além de falar várias línguas, a cantora é formada em História pela Universidade da Califórnia. Shakira já chegou a mostrar seu lado atriz em participações especiais nas séries Ugly Betty e Os Feitiçeiros de Waverly Place.

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Desejos do coração vs. Opinião dos outros
24/04/2013

Sempre chega um momento na vida em que temos que decidir entre nós e o mundo. Calma, é bem mais simples do que parece. Já notou que sempre tem algum aspecto na nossa vida em que nós gostamos mais de uma coisa, mas os outros nos consideram melhor em outra? Por exemplo, eu adoro desenhar animais. Aí vai aparecer alguém dizendo que eu deveria desenhar pessoas, porque eu as desenho muito bem. Mas eu GOSTO de desenhar animais. Você fica revoltada e quer gritar “Que tal você mudar e começar a gostar dos meus desenhos de animais, caramba?!”, mas então você percebe que aquela opinião tem embasamento e deve ser considerada.

Este é mais um daqueles momentos de crise na nossa vida e, vou te contar, é UM SACO! A gente vive dizendo que não liga pra opinião dos outros, que somos autênticas… Até se encontrar nesse beco. Sempre bate aquela dúvida: “e se eu estiver errada e a maioria certa?”

Lembro que isso rolou quando eu tive que fazer vestibular (normalmente essa é a primeira vez pra todo mundo). Eu adorava português, literatura, biologia, história, geografia, artes… Mas o que fazer com tantos talentos? Foi então que pensei em fazer letras. Mas todos me diziam que eu era muito boa em artes, que deveria fazer design, ou algo do tipo. Eram duas coisas que eu gostava muito, mas uma delas não agradava aos outros. No final das contas, fui fazer vestibular de design. Foi então que o majestoso destino acionou seus peões e foi me tirar do caminho errado: descobri o vestibular de cinema uma semana antes de fecharem as inscrições e mergulhei de cabeça.

Na faculdade, a crise bateu de novo. Eu adorava várias coisas: edição, continuidade, animação, direção de arte… Mas todos diziam que eu tinha dom pra produção. Isso significa que eu seria aquele cara (no caso, mulher) com uma prancheta na mão cobrando horários e resultados de todos, e que liga pra Deus e o mundo pra que nada saia do planejado durante uma gravação. Nenhum problema com isso, mas eu via claramente que eles enxergavam essa qualidade em mim porque eles mesmos não eram assim organizados como eu era. No fim das contas eu me dei bem usando minha organização, só que em outra área: fazendo vlog.

Pensando nessa história toda, acho que o certo não é A nem B: é a opção secreta C. Porque por um lado, a gente se conhece bem, só que não entende direito como as pessoas enxergam nosso talento. Já os outros têm esta percepção aguçada, mas não compreendem plenamente os desejos do nosso coração. Enquanto seguir só o que queremos é imaturo e pode ser um tiro na água, fazer tudo exatamente como os outros querem é dizer não pra nossa própria felicidade. Talvez se a gente conseguisse entender isso, nossas crises seriam bem mais simples. A opinião alheia é sim, muito importante. E nossa autenticidade também! Só está faltando a sabedoria pra misturar esses dois ingredientes.

Olhe para o seu caminho, olhe pro caminho que os outros te apontaram. Aí agora fica vesga, planta bananeira e então você vai ver a resposta certa. Quem me dera tivesse uma receita simples dessa… De qualquer forma, acho que a verdadeira resposta é: pare de enxergar tudo em preto ou branco e comece a ver os tons de cinza (não os da livraria, os da vida mesmo).

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