Foto: Reprodução/Hayden Williams

Foto: Reprodução/Hayden Williams

Eu estava curtindo o Coachella. Em casa, no caso. Eis que, enquanto assistia aos vídeos no celular, chega aquela mensagem que você não sabe se fica feliz ou triste, se te confunde ou dá certeza, se te faz rir ou chorar.

Todo mundo tem uma história dessas guardada em uma caixinha na mente. História tipo dessas que você promete que não vai destrancar nunca mais e, quando a mensagem chega, percebe que quem tem a chave e o domínio da caixa não é você. Dessas que você idealiza, cria roteiro, vive feliz, mas isso só acontece na sua mente – porque a outra pessoa parece que quer um script diferente. Mas é dessas em que a pessoa vai e volta. É aquele “oi, sumida”, sabe?

Pois bem. Caixinha escancarada em forma de notificação no meu celular! Logo agora que o meu roteiro tinha mudado finalmente, minha vida estava seguindo seus rumos e não os que alguém escrevia pra mim. Eu era diretora e protagonista da minha própria história. Era a fase “Começa o Matriarcado”, estilo Nairóbi em La Casa de Papel.

Resolvi ignorar por um momento e parar pra pensar. Pensar, no meu caso, significa abrir o Spotify e escolher a música que vai me ajudar a decidir. Ainda na vibe festival, Coachella e afins, começou a tocar a nova música da banda inglesa Blossoms, “There’s a Reason Why (I Never Returned Your Calls)”, que pode ser traduzida como “Há uma razão pela qual eu nunca retorno suas ligações”.

Num primeiro momento, nem me toquei de que a música estava conversando comigo. Me distraí dançando pela casa. A batida é sensacional, é uma música definitivamente alegre e não existe um ser humano capaz de me convencer de que eu não estive no Coachella durante aqueles 3 minutos e alguma coisa. (Se deu vontade de ouvir, clique aqui!)

Coloquei no repeat e só então eu fui perceber que a letra era meio triste, sabe? O eu lírico vai dizer que gostaria de saber se a pessoa andou pensando nele, fala que encontrou esse ser na rua e congelou, que sente vontade de correr para beijar a pessoa e que esse é um sonho que nunca morre. Uma parte dele ainda é essa pessoa, ele ainda se
importa, ainda encontra partes dela nos cantos do quarto. O rádio ainda toca a música deles…

Curioso que tudo o que eles cantaram traduzia o conteúdo da minha caixinha recém-aberta. Um sonho que nunca morre, ainda tem pedacinhos da pessoa por onde eu ando, as músicas fazem lembrar… Mas espera, essa não era a música alegre, indie e animada cuja batida me levou ao Coachella minutos atrás?

Daí veio o refrão que, nas minhas palavras, era mais ou menos isso: “existe uma razão pela qual eu não retorno as suas ligações, eu gostaria de esquecer tudo, então eu nunca retorno suas ligações, porque eu me apaixonaria de novo”. E o refrão é a melhor parte da música, o ápice que gera picos de alegria.

E aí me atingiu a ideia de que a gente tem sempre duas formas de enfrentar os percalços: estilo Adele ou estilo Blossoms. Percebi também que os dois têm coisas muito especiais, têm aprendizados reservados nas entrelinhas e, principalmente, entendi que quem escolhe a playlist da sua vida é você.

Naquele momento, eu preferia o estilo Blossoms, porque a mesma música que falava de depender tanto de uma pessoa, de ainda se sentir ligada, de ainda querer e que, portanto, deveria ser triste, era a mesma canção que fez com que eu me sentisse num festival sem sair de casa, que me trouxe uma instantânea alegria de viver e dançar pela casa.
Dá pra ser triste e feliz ao mesmo tempo, como uma música? Não sei, ainda não tenho todas as respostas, mas, nesse momento, estou acreditando que dá pra ser tudo o que eu quiser ser!

Então, se os Blossoms não vão retornar a ligação, eu também não vou. E foi assim que, com poucos minutos de música e reflexão, eu recuperei as chaves das minhas caixinhas e decidi que elas vão permanecer fechadas até que EU sinta vontade de reabri-las.

E quer saber, fica a sensação de que um dia vai aparecer alguém que fará com que eu me sinta num festival sem sair de casa, mas, enquanto isso não acontece, as músicas estão fazendo um bom trabalho.

 

Por Karol Gonçalves, 25 anos, Cataguases (MG).
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