Quando a porta abria

11 de agosto de 2016
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Foto: Tumblr/Reprodução

Antes de tudo, assim como um ritual, era assim:

No conforto da sua cama, resguardada dentro de seu quarto, a mente voava longe, imaginando mil possibilidades sobre as coisas que viessem a acontecer e também sobre aquilo que jamais aconteceria. Sim, a sua imaginação não tinha limites e, por conta disso mesmo, ela te fazia ser conhecida como uma pessoa de mente fértil.

Todos os pensamentos traziam sensações: havia a ansiedade, forte e pulsante, pedindo para que você desse o primeiro passo, a energia e a alegria torcendo muito para que desse certo, e também existia um montão de incertezas, medos e sentimentos conflitantes, que viviam cruzando as avenidas do seu raciocínio.

Sempre assim, cada nova aventura trazia consigo várias horas de reflexão.

Você sabia que, quando abrisse a porta de casa e encarasse o mundo, todas as suas hipóteses iram se tornar grandes possibilidades. O possível daria lugar ao provável e, por isso mesmo, você criava mil mapas imaginários, como rotas alternativas de tudo que pudesse vir a acontecer: tinha certeza de que nada deste planeta é tão certo e somente uma previsão não garantiria nada.

Lá fora, você sabia, não eram só quatro paredes e sua própria companhia.

Existiam milhares de vidas e de coisas que funcionavam, bem ou não. Todas abrigadas num meio que não fora criado para isso (era o que você defendia), mas que estava lá, firme – porém não tão forte assim – e englobando tudo.

E logo haveria você ali também, uma partícula minúscula em meio a tantas outras, mas que podia fazer a diferença.

E você dava o primeiro passo, depois o segundo e o terceiro junto aos próximos, até seguir em sua caminhada. E via que tudo o que tinha deixado para trás, lá no meio de sua escrivaninha, no computador, os pôsteres pregados na parede e as almofadas fofas em cima do edredom, não tinham ajudado em nada. Isso aqui fora era muito mais complexo e nunca daria para imaginar o quanto.

Sim, você teria que estar sempre preparada, afinal, a vida é exatamente assim.

Toda vez que você sai para o mundo, um velho conceito cai por terra e uma nova ideia nasce.

Só há uma única certeza: vale muito a pena colocar a cara na vida e se misturar à multidão, fantasiando-se de “mais um”. Por dentro, você sabe que não é bem assim.