Uma biblioteca em casa

23 de janeiro de 2016
você está lendo Uma biblioteca em casa
a-biblioteca

Reprodução/Tumblr

Sempre tive o sonho de morar em uma biblioteca. Certo, de fato eu teria que dormir com a cabeça apoiada nos livros de ciência e provavelmente me cobriria com os títulos intermináveis das enciclopédias antigas, o que não seria tão bom assim no fim das contas. Mas tudo bem, me deixe imaginar que tenho uma biblioteca só para mim… A ideia é tão boa!

Existem pessoas que têm uma necessidade grande de possuir as coisas, não é? Acho que faço parte deste time. Não quero passar por livros e vê-los ocasionalmente, quero tê-los todos só para mim. Poder passar por entre as estantes tendo a certeza de que posso pegar qual eu quiser, na hora em que quiser, e lê-lo até de cabeça para baixo se me der na telha.

A minha vontade é de viver sentindo a adrenalina com a possibilidade de que, a cada esquina, haveria uma nova aventura, à espreita, somente me esperando. Um thriller emocionante, um drama de cortar o coração, uma fantasia cheia de dragões e feiticeiros, crônicas de um cotidiano que não é meu… Tudo isso num mesmo lugar, como se as páginas me espiassem, aguardando em uníssono e pensando, juntas: “e agora, qual de nós ela vai escolher?”

Eu organizaria todos pela cor da capa e escolheria os três livros cor-de-rosa que leria naquele dia. Ou os azuis. Ou aqueles de capa preta! Depois, organizaria todos pela inicial do autor, podendo assim pegar livros de olhos fechados. O eleito seria da Martha Medeiros, da Meg Cabot ou do Mário Quintana? Do Arthur Conan Doyle, da Agatha Christie ou do Augusto dos Anjos? Só a sorte dirá.

Após um tempo, para não ficar tedioso, eu organizaria os títulos por áreas específicas de conhecimento. Imagine o quanto eu aprenderia com livros sobre “Cultivo e Conservação de Solos” ou sobre “Trovões e Raios”? Sim, na minha biblioteca, não haverá somente o espaço das princesas e romances, mas uma variedade imensa de todos os assuntos do mundo! Todos. Cada um deles. Gosto de sair da minha zona de conforto e, mesmo que as palavrinhas complicadas com termos técnicos me atrapalhassem no início, seria mais uma empreitada vista como um desafio a ser enfrentado. Nos livros seguintes, a dificuldade certamente diminuiria e eu, aos poucos, me acostumaria até com as palavras mais esdrúxulas e estapafúrdias que existem.

Acho que seria bem difícil sair de lá. Eu aumentaria meus títulos conforme o tempo fosse passando, sempre alavancando meus conhecimentos sobre cada assunto deste planeta (ou de outros!) e deixando minha imaginação voar para realidades malucas. Quando encontrasse alguém que claramente estivesse necessitando uma ajudinha, falaria em tom de médico: “Olha, acho que você precisa ler ‘A Redoma de Vidro’, da Sylvia Plath”. 

Pensando longe, acredito que eu chegaria a uma idade avançada, já bem velhinha, com a vista tremendamente cansada, mas com a certeza de que vivi inúmeras histórias numa mesma vida.

E tudo isso ainda está no mundo das ideias… Eu não tenho a minha própria biblioteca. Mas possuo uma coleção de livros que cresce mais e mais a cada dia e me deixa voar, viajar, imaginar, me inspirar e crescer muito. Eles estão me ajudando a construir minha personalidade, meu jeito e meus sonhos. Quem sabe um dia eu também construa, com a ajuda deles, a minha biblioteca?