Tudo aquilo que aprendi antes dos 18

Em maio completo dezoito anos. Não acredito nessa divisão de tempo em idade que inventaram, e nem acho que completar maioridade é uma coisa tão importante na minha vida que mereça algum tipo de preocupação. Muito menos um texto. Mas, acordei com vontade de contar um pouquinho do que vi da vida nesses anos (principalmente últimos 3 meses) e do que espero para todos os outros. Né, por que não?

Olhando pra dentro (e não para trás), vejo quando o tempo passou. O quanto mesmo me sentindo de alguma forma a mesma garota de sempre, tudo inevitavelmente se transformou. Os lugares, os amigos, os valores, os sonhos e até os maiores medos. Aqueles que a gente guarda em segredo na alma. Eles mudaram.

Sou mais corajosa que antes.  Aprendi a valorizar a minha própria presença. Já não perco mais tanto tempo com pessoas vazias. Principalmente quando elas estão em lugares cheios demais. É isso. Desisti de tentar me misturar na multidão de cada dia e noite. Aceitei minhas diferenças (aquelas, que ninguém consegue enxergar). Aprendi a valorizá-las, e fazer com que elas nunca se transformem em limitações.

Tenho conhecido muita gente. Feito alguns bons amigos e amigas. Mas confesso que das pessoas que confio, hoje, a grande maioria é mesmo do sexo masculino. Alguém me disse isso há algum tempo, mas só agora tive certeza: é mesmo muito melhor ser amiga dos caras (se você consegue não se apaixonar por eles, claro).

Aprendi a valorizar minha família. Cada vez que vou pra casa e venho pra São Paulo sinto vontade de agradecer a Deus por ele tê-los colocado na minha vida. Cada vez que conheço mais o mundo e as pessoas que vivem nele, penso o quanto sou sortuda por ter um lugar pra chamar de casa e pessoas simples e felizes pra admirar. Referência é tudo.

Dei mais um tempo para o meu coração. Mesmo o amor ainda sendo meu ponto mais fraco (que você nunca use essa informação contra mim), sei que agora já não me apaixono pelo primeiro sorriso encantador que decora frases prontos. Fiquei mais cautelosa. Menos promessas. Menos pressa. Mais realidade. Mais intensidade. Menos lembranças. Mais reciprocidade.

Dos antigos relacionamentos, aprendi que dizer eu te amo não é assinar um contrato com tempo de duração. É dizer com apenas três palavras que naquele momento, aquela pessoa tem alguma coisa que a torna diferente de todas as outras no mundo. Isso não acontece sempre. As pessoas se confundem. Eu me confundi tantas vezes.

Ainda quero alguém me faça querer viajar o mundo sem destino, de mãos dadas e com apenas uma câmera pendurada no pescoço. Quero alguém que me faça ser assim, mais simples. Alguém que me faça querer trocar uma tarde chuvosa e solitária de livros espalhados e muito trabalho, por um dia ensolarado sem muitas pretensões no parque da cidade. Onde por sinal, ainda não fui.

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